Sábado, 26 Maio 2018

Célia Maria Cals de Vasconcelos

Célia Maria Cals de Vasconcelos (Fortaleza) médica gerontologista, filha do governador Cesar Cals

 

Célia Maria Cals de Vasconcelos nasceu em Fortaleza no dia 16 de julho de 1949, primogênita e única filha mulher do casal César Cals de Oliveira Filho e de Marieta Cals de Oliveira. Seu nascimento se deu no dia em que a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Carmo e, coincidentemente, os pais se casaram na igreja de Nossa Senhora do Carmo, acontecimento que por ela é lembrado como “feliz coincidência”, em virtude do seu sentimento de religiosidade e de devoção à mãe de Jesus.

 

À época do nascimento da filha, César Cals, como militar, prestava serviço no 23º Batalhão de Caçadores e um mês antes de Célia nascer havia sido promovido a primeiro-tenente, e logo em seguida designado instrutor na Escola Preparatória de Fortaleza. Quando ela tinha pouco mais de um ano, a família se transferiu para o Rio de Janeiro, a fim de o tenente César concluir seu estudo no campo da engenharia civil e elétrica, na Escola Técnica do Exército e na Escola Nacional de Engenharia, da Universidade do Brasil, tendo concluído o curso em 1954. Dois anos antes, fora promovido a capitão. A família permaneceu no Rio até 1955, quando o pai foi mandado de volta a Fortaleza, a fim de exercer a função de adjunto da Chefia do Serviço de Obras da 10ª Região Militar. Célia tinha acabado de completar o seu 6º aniversário natalício. Da sua infância na Capital Federal o que mais guardou na lembrança foi o bondinho que fazia o trajeto para o Pão de Açúcar, que ela via todos os dias, pois a família morava na Praia Vermelha, na Urca.

 

No retorno à capital cearense, ela foi estudar no colégio Imaculada Conceição, onde fez o curso primário e parte do curso ginasial. Uma das freiras que dirigiam o educandário era sua tia, irmã Lúcia Cals, a quem ela atribui parte importante da sua formação religiosa. Católica praticante, não só pela assistência diária às missas, mas também pela participação em serviços assistenciais promovidos pela Igreja. Em Fortaleza também conviveu de perto com a sua avó paterna Hilza Diogo de Oliveira, viúva do seu avô César Cals de Oliveira, renomado médico que dá nome a um dos melhores estabelecimentos hospitalares da capital cearense. Outro que foi muito presente em sua infância, relembra, foi seu avô materno Salvatore De Francesco, que residia na Praia de Iracema. Sentada no seu colo, ouvia-o contar as histórias de sua terra natal, Tortora, no sul da Itália.

 

Como ela mesma afirma, teve uma infância feliz ao lado dos pais e dos seus quatro irmãos: César Cals de Oliveira Neto, Sérgio Cals de Oliveira, André Salvatore Cals de Oliveira e o caçula dos irmãos, Marcos César Cals de Oliveira. Quando estava para cursar o último ano ginasial, seu pai, já promovido a major, e à época presidente da Companhia Hidrelétrica de Boa Esperança, mudou-se com toda a família para Recife, em virtude da transferência da sede da COHEBE para a capital pernambucana.

 

Em Recife, Célia Maria continuou seus estudos, matriculada no colégio das Damas Cristãs, dirigido por freiras, no bairro Ponte D’Uchoa. Nessa ocasião, participou de um encontro de jovens realizado no colégio Santa Sofia, na cidade pernambucana de Garanhuns. Esse encontro marcou profundamente a sua vida. Ali, teve oportunidade de conhecer o movimento dos Focolares, ficando impressionada com o elevado grau de espiritualidade dos seus participantes, fato que provocou grande repercussão em sua vida religiosa, dando-lhe, a partir daquele encontro, “uma grande luz para conduzir minha família e minha profissão”. A partir daí, até hoje, pertence a esse movimento de inspiração católica, criado em 1943 pela jovem italiana Chiara Lubich, na cidade de Trento, quando seu país sofria os horrores da II Guerra Mundial. O movimento, hoje espalhado em mais de 180 países, vive o ecumenismo, abrigando em seu seio adeptos de todas as confissões religiosas e tem como objetivo pregar e viver concretamente, à luz do Evangelho, preceitos não só cristãos, bem como do budismo e do hinduísmo, em favor da unidade e da fraternidade universal.

 

Aos 16 anos, quando cursava o científico, em Recife, conheceu simpático jovem pernambucano de nome Sanelva Moreira Ramos de Vasconcelos Filho, que estava iniciando seu curso de Engenharia Civil. Moravam ambos no mesmo bairro Madalena. Ele era amigo de seus irmãos César e Sérgio, que estudavam no Colégio Marista, do qual Sanelva foi aluno. Célia e o jovem pernambucano se conheceram em 1965, mas, efetivamente, o namoro começou no início de 1967, daí para o noivado em 1969, quando ela iniciava o curso de medicina na Universidade Federal de Pernambuco. Dois anos depois, em 1971, faltando pouco para Sanelva concluir o curso de Engenharia, e Célia terminando o 2º ano de medicina, o coronel César Cals, até então sem qualquer militância político-partidária, é nomeado pelo Governo Militar governador do Ceará, seu estado de origem. Nessa época, ele era presidente ainda da Companhia Hidroelétrica de Boa Esperança. Com a nomeação do pai, nova transferência da família para Fortaleza. César, no seu estilo patriarcal, fazia questão de manter a família ao seu lado. E, assim, embora cursando a Faculdade e noiva, Célia teve de acompanhar os pais. O desejo do coronel era que o casamento se desse só depois que Sanelva concluísse o curso. Enquanto isso, na capital cearense, ela dava continuidade ao curso universitário, fazendo o terceiro ano na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.

 

Tão logo o noivo obteve o diploma, Sanelva e Célia marcaram o casamento, que ocorreu no dia 7 de janeiro de 1972, com uma missa solene celebrada pelo Arcebispo de Fortaleza, nos jardins do Palácio da Abolição, sede do governo do Estado. No dia seguinte ao casamento, o jovem casal viajou com destino a Recife, ali fixando residência. A essa altura, Sanelva já tinha conseguido um bom emprego como engenheiro na Rede Ferroviária Federal. Na capital pernambucana, Célia retomou o curso de Medicina na Universidade Federal de Pernambuco, onde fizera os dois primeiros anos de Faculdade, concluindo finalmente o curso em 1974. Como aluna de Medicina, já estagiava no serviço médico da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF), em cujo quadro de servidores ingressou tão logo diplomada.

 

Em 1978, César Cals, que se encontrava no exercício do mandato de senador pelo Ceará, foi nomeado ministro de Minas e Energia pelo presidente João Batista Figueiredo, e pensou novamente em reunir a família, convidando Sanelva para exercer o cargo de Chefe de Gabinete do Ministro. Célia foi requisitada da CHESF, para prestar serviços no Hospital das Forças Armadas, em Brasília. Ali, trabalhou durante 11 anos, até o dia em que uma colega que havia sido convidada para organizar o serviço médico do Conselho da Justiça Federal a requisitou para trabalhar ali, onde permaneceu até completar o período para aposentadoria no serviço público.

 

No período em que trabalhou naquele órgão do Judiciário, Célia Maria, após 17 anos de formada, teve a oportunidade de estagiar no setor de geriatria do Hospital Universitário de Brasília. Especializou-se na área, e hoje trabalha como médica clínica e faz medicina geriátrica, sendo, atualmente, em Brasília, um dos profissionais mais conceituados nessa especialidade.

 

Célia e Sanelva, sem negar a tradição de família nordestina, são pais de oito filhos, quatro mulheres e quatro homens (Maria Clara, Maria Cecília, Maria Paula, Maria Catarina, César, Luiz Augusto, Carlos Eduardo e Ricardo) e avós de cinco netos. Quando vieram para Brasília as quatro filhas e o primeiro filho homem já haviam nascido, este contava com apenas três meses. (JJO)

 

 

 

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