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Terça, 14 Agosto 2018

Marcello Damasceno Weyne

35 anos de cirurgia de cirurgiade câncer feminino no Hospital de Base do DF

Marcello Damasceno Weyne, filho de Carlos dos Santos Weyne, Fortaleza, e Maria de Lurdes Damasceno Weyne, Lagoinha. O pai era encadernador de livros, bastante pobre. Carlos perdeu o pai quando tinha 14 anos. Teve que cair no mundo, comprou uma burra e uma cangalha e a equipou com caçambas para vender rapadura, queijo e cachaça, pelos bairros de Fortaleza. Por muitos anos viveu disso. Ficou alcoólatra. Dona Lurdes era dona de casa.

 

Mais tarde, Carlos trabalhou como escriturário do Banco Frota Gentil, quando ganhou de Getúlio Vargas uma casa popular numa área de dois mil metros, na Costa Barros, casa popular que há muito tempo não se vê neste País. Tinha jardim, muro decorado, alpendre para quatro cadeiras, sala de visitas, sala de jantar, alcova, escritório, quarto para homem, quarto para mulher, banheiro, cozinha, dependências de empregada e alpendre na parte de trás. O quintal tinha 800 metros cheio de manga, caju, coqueiro, sapoti. Era uma casa popular. Não pode ser comparada com as casas da SHIS nem com os apartamentos do BNH.

 

“Meu pai bebia muito, mas era culto, autodidata. Tinha uma biblioteca de cedro, cheia de livros e que virou tema de livro de meu irmão”, revela.

 

São cinco irmãos: Jorge, que se aposentou como diretor do Banco do Nordeste, fez economia, morreu em Beberibe, no Morro Branco, casou-se com a filha de um cego de nascença que era dono da metade de Beberibe; Vasco foi advogado criminalista, comunista, prof. da Faculdade de Direito, escritor, poeta, autor de Glórias e Vanglórias, Estórias Mal Contadas (1999); Memória de um Temerário (2000); e Estante de Cedro (2000) sobre a estante e os livros de seu pai; Melizande, professora do primário, mas que aos 26 anos teve crise de esquizofrenia; Salete, muito estudiosa, militante de esquerda do PC, em 64 saiu às pressas de Fortaleza indo para o Recife, onde ficou sob a proteção de D. Helder Câmara. Do Recife foi para Paris, onde conheceu um francês com quem teve dois filhos, era a cara do Garrincha, de tão parecido, chegou a ser confundido, no Rio. O francês trabalhava na exportação de produtos para a África e lá pegou um vírus e faleceu aos 40 anos, deixando a irmã viúva com dois filhos.

 

Marcello fez primário e secundário no colégio São João, de Odilon Braveza, que ficava numa chácara imensa, na Aldeota, na Santos Dumont, e que dava fundos para a a casa da família na Vila Popular dos Bancários.

 

Saiu do São João para fazer o vestibular para Medicina, formando-se com 24 anos, em 1960. “Na minha turma, éramos 22 pessoas, nove mulheres e 13 homens. Seis deles morreram. Há dois anos festejamos em Fortaleza os 50 de formatura, participando Maria da Guia; Margarida; Alice Maria; Marcos Muzzi; Djacir Martins; Otacílio Costa, cirurgião plástico em São Paulo; Daltro Holanda, um dos maiores cirurgiões do Rio de Janeiro, no Souza Aguiar.

 

Em janeiro de 1961, Marcello, Djacir Martins e Otacílio Costa foram para o interior no Rio Grande do Norte tentar a vida. Havia promessa de emprego, pois, nessa época, a estrutura de saúde do estado estava contratando médico para o interior. Mas no começo de maio, chegaram de avião a Brasília, para fazer Residência no Hospital de Base, que não era o que é hoje, tinha só a unidade horizontal para atendimento de emergências.

 

“Djacir fora presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina e o pai dele se tornou amigo de Virgílio Távora que, por sua vez, era amigo do deputado médico militar, Bayard Lucas de Lima, gaúcho. Bayard saiu da política e foi ser diretor do Hospital de Base. Atendendo a um pedido do Virgílio, o Dr. Bayard nos acolheu para fazer residência, que já era muito disputada. Foram dois anos e meio. Eu e Djacir escolhemos ginecologia e obstetrícia e o Otacílio, cirurgia plástica. Morávamos num barraco perto do hospital e tinha um restaurante aberto para médicos, residentes e pessoas da comunidade.

 

“Em 1964, fui contratado pela Fundação Hospitalar como médico do HDB, onde passei 35 anos. Mais tarde chegamos a morar dentro do hospital no último andar, logo que o edifício principal ficou pronto.

 

“Não existia clínica privada nem medicina privada em Brasília. Os atendimentos eram nos hospitais públicos.

 

“Em 1968, abrimos consultório no Edifício JK, eu, Dr. Djacir e Dr. Ítalo Nardelli, que veio do Rio, como consagrado obstetra.

 

“Em 1972, um grupo de seis médicos se reuniu e montamos o Hospital Santa Helena, no final da Asa Norte, com 24 leitos, só para ginecologia e obstetrícia. Já existia o Hospital Santa Lúcia na ponta da Asa Sul, construído pelo José Farani e mais tarde vendido ao José Leal.

 

“Em 1974, o Hospital de Base estava se consolidando como referência em várias especialidades, mas faltava na ginecologia um cirurgião especializado em câncer. A pedido do então secretário de Saúde, Dr. Pinheiro da Rocha, fui para Europa, Madri, para o Hospital El Clinico onde trabalhava o Dr. Leon López de La Orça Garcez, tido como um dos maiores cirurgiões de câncer feminino da Europa. Fui com a finalidade de voltar e formar equipe e acabei conseguindo, com mais oito colegas, cinco homens e três mulheres, até hoje são grandes cirurgiões. Nos 15 últimos anos no HB só fiz cirurgia de câncer feminino.”

 

“Brasília amadureceu, muita gente chegou, muitas clínicas surgiram, o Santa Helena tornou-se pequeno, chegamos a uma conclusão: ou fazíamos hospital grande ou vendíamos. Resolvemos vender para o grupo do José Leal, do Santa Lúcia, mas oito médicos ficamos trabalhando lá no corpo clínico. Dos oito, restamos eu e Djacir, que agora só faz citologia no seu laboratório.”

 

Marcello casou-se com Élida Álvares Valadares Weyne, de Patrocínio-MG, formada em Enfermagem em Anápolis, veio trabalhar no HB “onde nos conhecemos e nos casamos”. O casal tem três filhos, Marco Aurélio Valadares Weyne, formado em Administração e Economia, trabalha na ECT, casado com Andrea, com dois filhos, João Pedro e Enzo; Claudia Valadares Weyne, que casou com um americano, Tonny Ellis, e tem um filho Dimitris; e Danielle Weyne, com três filhos Eduardo, Katherine e Gabrielle.

 

“Sempre fui tenista e fundador da Academia do Farani, e gosto de pilotar meu avião, um Piper, de seis lugares, o que regularmente faço há 20 anos. Detesto Gol e TAM, prefiro o meu coriscão. Sábado geralmente estou no céu e não no chão. Já fui a Fortaleza, Porto Seguro, Caldas Novas e Pousada. Sempre vou à fazenda de meus amigos que tem campo de pouso. Faço parte da direção do Aeroclube de Brasília, que administra o Aeroclube de Luziânia. Na nossa valiosa sede na W4, no Centro de Brasília, damos as aulas teóricas. Há muito tempo querem comprar nosso espaço. Muitas propostas apareceram. Gosto muito de ler e acho que herdei esse gosto de meu pai e meu irmão Vasco.”

 

Marcello faz parte do Conselho Deliberativo da FEPECS, criada por Jofran Frejat, e que já é a 4ª. Faculdade de Medicina do País em qualidade de ensino e está formando 80 alunos por ano.

 

“Trabalhei seis anos no DNOCS, porque havia cearenses, em Brasília, na área médica.”

 

“Agradeço a Deus e aos amigos que conquistei na vida. Não tinha um fusquinha e, através do meu trabalho, honestamente, ocupei o meu espaço.” (JBSG)

 

 

 

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