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Terça, 14 Agosto 2018

Luiz Edmar de Lima

Uma vida dedicada aà Educação e ao CEUB

O nascimento do décimo filho do casal Aniceto Araújo Lima e Ermina de Sousa Lima restabeleceu o clima de alegria e esperança que tinha quase fenecido naquele lar cristão – o caçula Luiz Edmar de Lima, desde tenra idade, correspondia à atenção de todos os seus familiares e, a partir da pia batismal, passou a acompanhar seus pais nos primeiros passeios nas cercanias da cidade de Sobral.

 

Em visita a um parente, ermitão que há tempos morava às margens do Açude Forquilhas, ouviu deste algo parecido como uma profecia “esse menino ainda vai trazer muitas alegrias à família”.

 

“Seu” Aniceto, autodidata em múltiplos ofícios, inclusive de tipógrafo volta e meia afirmava a quem quisesse escutar, “escrever bem é um dever e falar bem, uma obrigação”. Nesse ambiente vivia, crescia e se desenvolveu o jovem Luiz que, desde cedo, alimentava a ideia de escrever nos inúmeros jornais e periódicos que circulavam na progressista cidade de Sobral.

 

Na sede do município, a Rádio Iracema (ZYH-22) de onda média repercutia em toda zona norte do estado.

 

A diocese sobralense contava com seu primeiro bispo, Dom José Tupinambá da Frota, bispo Conde de Sobral, vulto exponencial do clero, figura de grande influência em todo Norte e Nordeste brasileiro. O Museu Diocesano, considerado em 1950, o terceiro museu mais importante do Brasil, é também conhecido como Museu Dom José. Havia em todo município 301 unidades de ensino fundamental e 28 ginásios, dos quais sobressaíam o colégio Sobralense, o Seminário Diocesano e a Escola Técnica de Comércio São José.

 

O adolescente Luiz Edmar no ginásio tornava-se um dos melhores alunos de Português, graças, principalmente, à facilidade com que desenvolvia e escrevia redações, segundo seus colegas à época, hoje juízes, desembargadores e até ministros nos diversos tribunais brasileiros.

 

Há muito Sobral não era somente um crescente núcleo de desenvolvimento agropastoril e sim um diversificado polo industrial com suas classes produtoras a tocar o setor de fábrica de tecidos, de bebidas e refrigerantes, de mosaicos e azulejos, de medicamentos e fármacos, e até de finíssimos chapéus de palha que poderiam ser comparados aos famosos Panamás. Ficava na Serra da Meruoca, no distrito de Santo Antônio dos Camilos.

 

Já se podia contar com os transportes ferroviários, rodoviários e uma linha regular de transportes de aviação Real Aerovia, ligando Sobral a Fortaleza e extensão aos demais centros de atividade de comércio e indústria.

 

Em 1953, terminando o curso ginasial, é o orador da formatura o Luiz Edmar de Lima. Num terno de linho branco impecavelmente engomado, fez uma apaixonada declaração de fé aos seus pais, à família, sobretudo a seus princípios cristãos.

 

Ali, naquele instante, se despedia da sua querida cidade.

 

Em fortaleza cursou o Liceu do Ceará, a grande Arcádia do ensino público, onde os mestres eram reconhecidos pelo saber, pela ciência, notadamente pelo rigor de disciplina.

 

Em Fortaleza Luiz Edmar teve o início de sua vocação pelas ciências sociais, numa perspectiva muito acentuada. Professor aos 19 anos, com registro no MEC n° 46.121, em 1960 lecionou nos principais colégios de Fortaleza e ingressou na Universidade, obtendo, depois, o grau de Bacharel e Licenciatura em Pedagogia, com ênfase nas disciplinas sociais.

 

Casado há 48 anos com Alice Nogueira do Nascimento Lima, ainda morando em Fortaleza, ela, enfermeira de curso superior, o casal passou a sonhar junto. Atendendo a um convite do professor Raimundo Sobreira Goes, referendado pelo professor Lauro de Oliveira Lima, então diretor-geral do MEC, tornaram-se professores colaboradores da UnB. A contrapartida seria a obrigação a se matricularem nos cursos de pós-graduação em seus respectivos campos de atuação.

 

O jovem casal Luiz e Alice sofreu um tremendo baque com as prisões de seus mestres Paulo Freyre, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Raymundo Sobreira Goes e suas assessorias. A UnB foi violentamente esvaziada, quase 350 professores foram dispensados desde a primeira leva de repressão.

 

Passados os primeiros instantes, os planos e projetos foram retomados com suas fundações inovadoras no campo educacional, hospitalar e assistencial, criando condições para se pensar, viver e criar.

 

A longa Jornada já atingia mais de quatro décadas.

 

Plínio Catanhede, discípulo de Heitor e Hélio Beltrão, engenheiro, chegou à presidência da Companhia Siderúrgica Nacional de Volta Redonda. Com uma formação política voltada para os grandes problemas nacionais, um dos fundadores da Fundação Getúlio Vargas, grande talento administrativo, aceitou ser o primeiro prefeito de Brasília a partir da nova realidade. E devido ao Curriculum Vitae de Luiz Edmar de Lima, o governo do Distrito Federal o acolheu e ele se tornou professor e diretor do Centro de Ensino Médio Ave Branca (CEMAB), onde implantou os primeiros projetos da Biblioteca Ambulante e um sistema didático de ministração de aulas, com atualização de projetores de slides improvisados com papel vegetal, aproveitando as ideias básicas de Paulo Freire.

 

Pela primeira vez, em Brasília, implantou uma sistemática didática denominada método psicogenético, baseado em estudos de Jean Piaget, mas organizados pelo mestre Lauro de Oliveira Lima.

 

Luiz Edmar de Lima foi um dos professores fundadores da Universidade Católica de Brasília e, a seguir, em 1976, a convite do empresário José Maria Coelho, teve seu nome endossado aos presidentes do CEUB, Alberto Peres e João Herculino de Sousa Lopes. Lá, foi diretor das Faculdades de Ciências Sociais e de Direito e exerceu outras funções correlatas por mais de 35 anos, onde trabalhou pela criação do juizado especial de pequenas causas.

 

Como diretor, coube a ele inúmeras tarefas a ele atribuídas por seus relevantes serviços prestados nos 10, 20, 30 e 40 anos do UniCeub.

 

Em diferentes ocasiões teve a incumbência de saudar em nome do UniCeub grandes personalidades, entre as quais o eminente jurista Doutor Pontes de Miranda, o então vice- presidente da República José de Alencar e o ministro da Educação Fernando Haddad.

 

Luiz Edmar Lima, brasileiro, casado, advogado da União, aposentado, OAB/DF n° 4.563, residente na rua 18 Sul, lotes 9/11, bloco A, apto. 201 Residencial Saint Moritz, em Águas Claras-DF. (JCSF)

 

 

 

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