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Segunda, 15 Outubro 2018

Jorge Henrique Cartaxo

Jorge Henrique Cartaxo (Crato) - Jornalista, servidor legislativo

Brasília já não era exatamente uma novidade para mim quando desembarquei no aeroporto – que ainda não se chamava Juscelino Kubitscheck – na tarde do dia 2 de janeiro de 1978. Entre 1973 e 1976, minha família morou em Brasília. Veio desse período meu encanto com a cidade.

 

Uma sacola de livros, uma mala modesta, tênis, jeans e um casaco surrado. Foi com essa embalagem que fui recebido pela minha amiga querida Odília Barroso, no seu apartamento de aluna da UnB na 116 Norte. Fiquei poucos dias, o prazo para o retorno do coronel João Tarcísio Cartaxo de Arruda, irmão do meu pai, que viajava de férias com a tia Silvia e meus primos.

 

No início de fevereiro eu já estava morando no Lago Sul, iniciando um estágio no Projeto Rondon e devidamente matriculado no curso de Economia na UnB, transferido da Unifor. Devo esse conforto inicial e consistente ao coronel Arruda e à tia Silvia. Em 1977, na festa de aniversário do meu avô Edgar Arruda, aproveitei a presença do tio Tarcísio para manifestar, numa conversa reservada, meu desejo de retornar para Brasília.

 

No final da década de 70, a ditadura já apresentava fragilidades evidentes. A redemocratização do País estava logo ali. A UnB era um palco exuberante e vibrante daquele momento. Em poucos meses eu já estava envolvido com o movimento estudantil, a reorganização do DCE e dos Centros Acadêmicos e nas preparações do Congresso da UNE que aconteceria em Salvador em 1979. Em 1980, meu último ano na UnB, fui eleito presidente do Centro Acadêmico da Comunicação. A importância que a mídia tinha naquele momento me estimulou a fazer dupla opção para Comunicação, deixando em segundo plano o curso de Economia.

 

Sempre que podia ia ao Congresso, gostava de conversar com os deputados do Ceará e com alguns jornalistas, em particular o Tarcísio Holanda. Em pouco tempo estava trabalhando no gabinete do Paulo Lustosa, que iniciava seu primeiro mandato. Dividia a assessoria ao Paulo com o divertido e inteligente jornalista Neno Cavalcanti. Meses depois, passei a fazer o jornalzinho do gabinete do deputado Marcelo Linhares. Fiz ainda jornaizinhos para os ex-deputados Carlos Wilson e Fernando Lyra. O estágio no projeto Rondon foi importante, mas rápido diante do fascínio que o Congresso exercia. Estavam ali os construtores da redemocratização do País. Quando começou a articulação da candidatura do general Euler Bentes Monteiro em 1978, eu e os colegas da UnB Wilson Almeida Lima e Ivônio Barros fomos ao Senado convidar o general para fazer uma palestra na UnB. Achamos o general Euler no restaurante do Senado com Ulysses Guimarães, Severo Gomes, Pedro Simon, Fernando Lyra e, se não me engano, Marcos Freire. Dirigi-me ao Dr. Ulysses, identifiquei a pequena delegação e formalizamos o convite. O general aceitou, mas não compareceu, deixando milhares estudantes silentes e constrangidos no teatro de arena da UnB.

 

Em 1979, passei numa seleção de nível médio na Câmara dos Deputados. Pouco mais de 600 candidatos disputavam fartas 200 vagas de datilógrafo. Acho que no final todos os inscritos foram convocados. Já cursando Comunicação, fui indicado pelo colega de turma Assis Moreira – hoje correspondente do jornal O Valor na Europa – para uma vaga de redator na editoria de política no Jornal de Brasília. Passava a manhã na UnB, a tarde na Câmara e à noite ia para o jornal. Em 1981, me formei e no início de 1982 fui fazer mestrado em Ciência Política na Unicamp. Quando retornei de Campinas no início de 1984, fui convidado pelo Fernando Cesar para integrar a equipe que ele coordenava na pré-campanha do Aureliano Chaves à presidência da República. Definida a candidatura de Tancredo Neves para a presidência da República, fui trabalhar no Correio Braziliense. Ministro de Sarney, Paulo Lustosa me chamou para a sua assessoria de imprensa. Na Constituinte voltei para o jornalismo, agora no jornal O Globo. Quando percebi que não seria mais possível acumular empregos públicos com as redações, decidi me dedicar somente à Câmara dos Deputados. Fui para a assessoria no gabinete da presidência na gestão do deputado Paes de Andrade. Em 1990, fui morar em Paris, onde fiz doutorado em História, na Sorbonne. De volta ao Brasil, fui para o departamento de Comissões, onde trabalhei com vários deputados cearenses que presidiram comissões: Firmo de Castro, Vicente Arruda e Inácio Arruda. Ainda na Câmara fui diretor do Centro de Documentação e Informação. Hoje dirijo na SECOM o programa sobre livros “Casa da Palavra”.

 

Ao longo de todos esses anos, sempre escrevi na imprensa do Ceará. Num desses trabalhos fiz como o ex-senador Virgílio Távora, pouco antes da sua morte, sua última e grande entrevista-depoimento publicada no jornal O Povo na edição comemorativa dos 60 anos do jornal. (JHC)

 

 

 

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