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Terça, 14 Agosto 2018

Jarbas Junior Silva Motta

Jarbas Junior (Fortaleza) – 60 livros na gaveta e 10 publicados. O ofício de escritor e poeta

Jarbas Junior Silva Motta, professor de literatura brasileira, licenciado pela UnB, mestre em xadrez, romancista, poeta, polígrafo versátil, dez livros publicados e 65 inéditos de variados gêneros na gaveta. Nasceu em Fortaleza, no hospital militar, de parto normal, em 9 de junho de 1957, terceiro filho de Jarbas Benedito Motta e Teresinha Wilcilhia Silva Motta (dedicada dona de casa). O pai capitão de fragata da Marinha de Guerra do Brasil, condecorado combatente naval no conflito mundial de 39-45, também atuou como zagueiro do Fortaleza na década de 50, bicampeão em 54-55, e comprometido com os ideais da Revolução de 64. Em 1975, foi nomeado interventor na prefeitura de Piquet Carneiro, saneando com probidade e lisura administrativa as finanças daquele munícipio.

 

Jarbas Junior aproveitou bastante o tempo usufruído no interior cearense para conhecer de perto o drama da estiagem crônica típico da região, o pitoresco recurso paliativo do caminhão-pipa, o processo de cavar cacimbas e a cultura sertaneja, sempre junina e sugestiva. Dessa experiência surgiu Cajueiro Florido, coletânea de poesias nordestinas que figuram ilustrativamente no âmbito do romance A Jangada, de Orson Welles.

 

Jarbas Junior teve como irmãos: Jahilton José Mota (bacharel em Medicina, professor de Física e coordenador-geral do colégio Christus) e dois já falecidos, Jorge Wilhames Silva Motta; o segundo, bacharel em Química; e Marco Antônio Silva Motta, o caçula, graduado em Pedagogia.

 

A infância de Jarbas transcorreu movimentada e alegre, parte na praia de Jacarecanga junto da Escola de Aprendizes Marinheiros e do clube da marinha entre as dunas do Mucuripe, naquele tempo de alvo areal. Na adolescência, a maior parte dela viveu-a na Aldeota e o final em plena Beira-Mar, praiano habitual dedicado aos esportes náuticos e ao flerte com aeromoças, já exercitando a eficácia dos discursos poéticos à moda de Vinícius de Moraes.

 

Pertenceu ao Clube dos Poetas Cearenses que se reunia na Casa Juvenal Galeno, centro cultural, em meados da década de 70, junto com os jovens vates colegas literatos: o diplomata Márcio Catunda, presidente da instituição, poeta prolífero, hoje com mais de trinta livros publicados e sete CD’S musicais; o ilustre talentoso bardo juiz forense Dimas Macedo; outro juiz, da mesma alçada e competência, Aluísio Gurgel; Natalício Barroso, articulista cultural, prosador primoroso e ótimo poeta; Mário Gomes, Carneiro Portela, Carlos Emílio, uma turma ou plêiade grande e talentosa.

 

Um ano antes de 1982, Jarbas Junior viaja para Salvador, visita Jorge Amado e Divaldo Franco e, na barca para Itaparica, uma cigana faz prognósticos alvissareiros sobre o seu futuro triunfante como autor de ficção e poeta, lendo em sua mão a láurea de um prêmio literário fabuloso, jamais conquistado por escritor brasileiro. Depois de experiências alternativas com livros artesanais de mimeógrafo e xerox, edições restritas a 200 exemplares, publica Os Dois Profetas, romance em prosa poética. Tem, então, a oportunidade de oferecer um volume a Chico Anísio que naquela ocasião encenava um personagem denominado O Profeta; o genial humorista recebe o livro, na Caderneta de Poupança Dromos, e comenta: “somos nós dois!”

 

Jarbas entra para o curso de Letras da UFC, depois de abandonar a faculdade de Administração, faltando pouco para se formar. Sob a influência do festejado poeta José Alcides Pinto, joga os livros de estudo pela janela do carro, enquanto JAP aplaudia e dizia: “poeta já nasce diplomado mestre na arte de viver!” e Jarbas passa a lecionar Literatura Brasileira, como professor da escola em que estudara, Christus.

 

Mais tarde, resolve conhecer o Sul do Brasil e emigra para Curitiba, sem conhecer nada nem ninguém, munido de uma psicografia apenas, no final de 1987, ajudando a dirigir um fusca novo, em companhia de Márcio Catunda, até Brasília. Da capital federal viaja de ônibus direto para Curitiba e lá, durante dois anos, ensina xadrez e português no colégio Lins de Vasconcellos e na Faculdade Bezerra de Menezes. Aproveita o ensejo e, em 1989, edita pela editora Feira do Poeta Horizonte Azul, livro de haicais. Um pouco antes, conhece Paulo Leminski e adiante publica Duidja, livro de poesias lançado na Academia de Letras do Paraná.

 

Em 1990, noiva e casa-se com Maria Alice dos Reis Motta, brilhante professora de inglês, mãe de seus filhos: Cibele, Ísis e Mateus. Por causa do matrimônio, muda para Brasília, ingressa no colégio Objetivo e durante dez anos (1990 a 2002, pois nesse tempo, retorna ao Ceará) leciona literatura para cursinho pré-vestibular e ensino médio.

 

Em 1994, rapidamente retorna ao Ceará, contratado pelo GEO e pelo colégio Christus para ensinar redação, quando reencontra Jorge Amado e Zélia Gattai, que aparecem em Fortaleza para que o célebre romancista baiano receba o título de “Cidadão Honorário” da terra de Iracema.

 

Em seguida, no início da Copa do Tetra, regressa à capital do País, volta ao Objetivo e publica em 1997 o romance sobre Jericoacoara, obra de vivência e pesquisa direta do lugar,Viagem ao Portal do Sol, fascinante narrativa de aventura e drama romântico. Em 2004, começa a série publicada pela Thesaurus Editora e Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do GDF, com Navio Português, poesias identificadas com os justos e nobres anseios da lusofonia. Em 2006, depois de intensa elaboração intelectual e empenho mnemônico, surge o romance A Jangada, de Orson Welles, relato empolgante sobre Fortaleza, Mucuripe, jangadeiros, o Jacaré, Rachel de Queirós (que conheci em Quixadá, no sítio “Não me deixes”, apresentado por uma prima dela) e passagens da vida do grande cineasta norte-americano. Em seguida, aparece, em 2008, As Marcas do Chicote, poemas sociais sobre a questão do negro no Brasil, um resgate abolicionista moderno, com traços da trajetória poética e existencial de Cruz e Sousa. Essa obra, na Feira do Livro de Brasília do mesmo ano, ofereci um exemplar autografado a Luís Fernando Veríssimo, que eu acabara de conhecer fraternalmente. Depois, em 2008, O Mistério das Pérolas de Bashô e outros escritos, biografia ficcional eivada de haicais e outros poemas do engenhoso poeta japonês.

 

No ano de 2012, a Thesaurus Editora de Brasília decide publicar por conta própria o romance A Espada de Camões, narrativa de ficção sobre a vida e aventuras do maior poeta português, que já interessa bastante o grande público leitor, que o fez viajar, para divulgação do romance, a Portugal (Lisboa e Porto).

 

Atualmente, Jarbas Junior é professor de Concursos, consultor literário, revisor, e prepara mais um livro, desta vez didático, de redação: Escreva Melhor, enquanto sonha com o “Prêmio Camões” e burila o segundo volume do romance A Espada de Camões. Aliás, no transcurso do ano passado, entregou à Thesaurus Editora três recentes livros inéditos, a saber: os romances, Sombras Humanas e O Tesouro Fenício, e 1001 Poesias, um verdadeiro tratado de exercício poético, contemplando todos os tipos de poesia, da ode ao soneto, da trova ao haicai ou ditirambo. Jarbas, realmente, é uma usina de criação literária, algo de espantar, devido à alta qualidade literária e variedade dos seus escritos. (JJ)

 

 

 

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