Quinta, 24 Maio 2018

Elmano Rodrigues Pinheiro

Elmano Rodrigues Pinheiro (Farias Brito) – 1 milhão de livros para as bibliotecas do Ceará e do Nordeste

 

Elmano Rodrigues Pinheiro nasceu em Farias Brito, em 31 de agosto de 1949, filho de Enoch Rodrigues, do Crato, fazendeiro, comerciante e pecuarista, e Maria Carmosina Rodrigues Pinheiro, de Assaré, professora.

 

Fez o curso primário com as professoras Maria Carmelita Leite, Maria Gracildes Ribeiro, Maria Lisieux Costa Araújo e Isaurina Roque.

 

Aos 8 anos, perdeu o pai, Enoch, que por sua vez fora prefeito de Farias Brito, pelo PSD, e que foi brutalmente assassinado em 16 de fevereiro de 1958, durante uma apresentação de carnaval. A a mando dos chefes políticos de Santana do Cariri, o feito consumado pelo pistoleiro Pedro Tenório Cavalcanti, de Duque de Caxias, do Rio de Janeiro, responsável também pelo assassinato do delegado Imperator que andou investigando os crimes praticados pelo famoso Tenório Cavalcanti na Baixada Fluminense e que se dizia imbatível com sua “lurdinha”.

 

Órfão com sete irmãos, Normando, José Rodrigues, Eliane, Sonia, Maria e Gutembergue, viu sua mãe casar-se pela segunda vez com Jales Pinheiro, e, com ele, ganhou mais quatro irmãos, Jailson, Jansen, Janser e Jader.

 

Começou o curso ginasial no Colégio Diocesano do Crato e concluiu no Ginásio Enoch Rodrigues, nome do seu pai e implantado com a ajuda da comunidade por sua mãe, Maria, que contou com o apoio daquele que mais tarde seria desembargador, José Maria de Melo.

 

Para tirar o peso de cima de sua mãe, com Normando e Eliane, Elmano foi para a casa da sua tia, irmã de sua mãe, Lurdes, que morava no Cosme Velho e trabalhava na justiça do trabalho.

 

Logo conseguiu o primeiro emprego como faxineiro na agência de propaganda de um cearense, Aroldo Araújo, que foi agência média na década de 60, mas ali conheceu o que chamou de segundo pai, Gianvittorio Calvi. Este era desenhista, gravador, pintor, arte-finalista e tinha uma agência, Casa do Desenho, na Tijuca. Gian Calvi, como era mais conhecido, ensinou toda a arte da produção gráfica que Elmano captou e, com isso, ganhou projeção no mercado publicitário carioca, indo trabalhar na Grant Publicidade, com Thomas Burnett, que detinha a conta da Souza Cruz. Depois, foi trabalhar na JMM, João Maurício de Medeiros, detentora da conta do Banco Nacional; e na JE, de Jorge Eduardo e Alves Pires, que mais tarde se fundiu com a Krastup Publicidade.

 

Já mais bem encaminhado, concluiu o curso colegial no colégio Antônio Prado Júnior, na Tijuca, e fez vestibular para a Faculdade de Comunicação Hélio Alonso, a FACHA.

 

Em 1979, veio para Brasília, a convite de Marco de La Peña, secretário do Ensino Superior, do MEC, que desembarcou com o ministro Eduardo Portela.

 

Passou pelo Conselho Editorial do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPQ), em 1981, concluiu o curso Superior no CEUB e foi trabalhar na Editora da Universidade de Brasília, onde ficou por 32 anos, como produtor gráfico, contribuindo para consolidar o prestígio da Editora pela qualidade de suas publicações. Mesmo depois de aposentado, continuou nas mesmas funções na UnB.

 

Há 15 anos, em 1998, Elmano lançou-se em novo desafio de vida – disseminar bibliotecas e distribuir livros pelo Brasil.

 

Pelos seus cálculos, já distribuiu pelo País mais de l milhão de livros para mais de 200 bibliotecas, das quais para umas 50 do Ceará. Admite que só para Juazeiro do Norte mandou mais de 70 mil livros. Criou o projeto Padarias Espirituais, uma Fundação que leva o nome do seu pai, Enoch Farias, e um lema “A cidadania através da leitura”. Sem pedir dinheiro a ninguém, mas só livros e transporte, Elmano bate à porta de quem tem livros e os redistribui pelas bibliotecas do Nordeste. Milhares de carretas deixaram Brasília naquele rumo, algumas fretadas pelas próprias prefeituras que mandam pegar os livros onde Elmano os encaixota.

 

“Os municípios do Cariri conhecem o meu trabalho voluntário.”

 

O Correio Braziliense (11/1/2011), quando descobriu suas façanhas, Leilane Menezes escreveu: “O Distribuidor de Cultura. Por iniciativa própria, sem qualquer subsídio, um funcionário púbico envia livros para comunidades carentes do Nordeste. Multiplicador de conhecimento, ele ajuda a ampliar horizontes de muita gente”.

 

Na revista Darcy, da UnB (nov./dez. de 2010), João Campos escreveu: “O Sertão vai virar livro. Esta é a história de um servidor da UnB, que teve uma boa ideia e um caminhão partindo de Brasília rumo ao Ceará. Como ela vai terminar, nem o padim Ciço saberia dizer”.

 

Elmano Rodrigues Pinheiro casou-se pela primeira vez com a jornalista, professora e escritora Samira Abraão, com quem teve um filho, Elmano Rodrigues Pinheiro Filho, hoje com 34 anos, engenheiro da ANATEL, trabalhando em Brasília. Pela segunda vez casou-se com Alcimena Vieira Botelho, cearense de Antonina do Norte, com quem tem uma filha, Maira Botelho Rodrigues, que compartilha com minha determinação.

 

Elmano não para um minuto. É comum vê-lo com sua camionete em prédios residenciais e públicos recolhendo livros. Vai juntando até encher uma carreta.

 

Muitos prefeitos do Ceará o procuram atrás de livros.

 

Depois de criar a Ensinamento Editora, que tem como carro-chefe a literatura de cordel, está lançando o Projeto o “Livro na fila, um jeito de tornar a espera agradável” e espera alcançar bancos, clínicas médicas e dentárias. “O livro precisa ir onde o leitor está.” Vamos chegar lá. (JBSG)

 

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