Quinta, 24 Maio 2018

Elicio Pontes

Elicio Pontes (Nova Russas) Metade Professor, Metade Poeta. Poeta do Tempo e do Amor

 

Elicio Bezerra Pontes nasceu em Nova Russas, em 12 de fevereiro de 1941, filho de Raimundo Evangelista Pontes e Maria Bezerra Pontes, de Novas Russas, pai carpinteiro e mãe costureira.

 

Em 1945, saíram de Nova Russas, foram morar em Crateús. Eram três irmãos: Mário Pontes, jornalista, escritor, tradutor, mora no Rio de Janeiro desde 1958. Trabalhou na Bloch, Vozes, Jornal do Brasil, Correio da Manhã. Foi servidor da Petrobras. Tem três filhos do primeiro casamento e uma do segundo, Áurea, do lar, mora também no Rio de Janeiro, viúva, com dois filhos. Elicio, antepenúltimo do primeiro casamento de seu pai.

 

Mário, em 1948, ainda menino, foi para Fortaleza trabalhar no Democrata, do PCbão, dirigido por Aníbal Bonavides, “Ele fez jornalismo dentro do Jornal, tinha 17 anos e aprendeu tudo rapidamente”.

 

Em 1954, seu pai ficou viúvo em Crateús, foram para Fortaleza, com Áurea. Dois anos depois, não encontrando emprego para sustentar a família, seu pai voltou para Nova Russas, Elicio e Áurea ficaram morando com Mário.

 

Em 1958, Mário casou-se com 20 anos, e com três filhos pequenos, foi para o Rio de Janeiro, e rapidamente conseguiu emprego como jornalista no Diário Carioca.

 

Elicio voltou a estudar, pois havia iniciado o curso primário em Crateús, acabando por concluí-lo na Associação dos Merceeiros, escola noturna, na praça do Carmo.

 

Trabalhava no Democrata, aos 14 anos, entregando jornal em bancas e assinantes. Depois, procurou trabalho no Jornal O Estado, na Senador Pompeu, na mesma rotina que aprendera.

 

Em 1959, entrou para o Liceu do Ceará.

 

Em 1956, retornou a Nova Russas. Casou de novo e veio para Brasília em 1958, para trabalhar na construção como carpinteiro. Brasília era o Eldorado para os nordestinos que enfrentaram naquele tempo uma das piores secas da história.

 

Terminou o Liceu em 1966. Fez vestibular para pedagogia, entrou para a Faculdade de Educação da Universidade do Ceará, na época Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que ficava perto da Reitoria, a Pantera Cor-de-Rosa.

 

De 1964 a 1969, entrou para o Movimento de Educação de Base, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, onde trabalhou até agosto de 1969, como produtor de aulas radiofônicas.

 

Ao mesmo tempo, comecçou no jornalismo da Rádio Verdes Mares, como radioescuta, depois como redator noticiarista. O jornalismo era dirigido por Cid Carvalho, o diretor da Rádio era o José Júlio Cavalcante, irmão do deputado Adahil Barreto Cavalcante.

 

Em 1961, na renúncia do presidente Jânio Quadros, a Rádio Verdes Mares manteve o noticiário em dia, mas de vez em quando enfiava notícias da Cadeia da Legalidade. A censura acabou com a liberdade de divulgação de notícias políticas. “Tiramos do ar o programa que era apresentado pelo Cid Carvalho, pela Rádio Notícias Verdes Mares. Cid leu uma nota explicando que não havia condições de prosseguir. Em sinal de protesto, Cid se demitiu e fui trabalhar na Rádio Uirapuru. No seu lugar, ficou Mardônio Sampaio.”

 

Em 1969, Elicio saiu da Verdes Mares e foi trabalhar na Uirapuru, com Cid Carvalho, produzindo o programa Antes Antenas e Rotativas, lá ficando até 1971. Chegou a fazer teste para revisão de O Povo, com o José Geraldo Costa, que dominava o jornal. Na redação, chefiada por Flávio Pontes, estavam Antonio Pontes Tavares, Antonio Frota Neto, Inácio de Almeida, Moraes Né, Pádua Campos. Passou ainda pelos jornais O Estado e Gazeta de Notícias.

 

Em dezembro de 1970, formou-se no curso de Pedagogia da UFC.

 

Em 1971, o prof. Valnir Chagas, que era prof. da UFC e da UnB e membro Conselho Federal de Educação, esteve em Fortaleza e revelou aos jovens formados da UFC que a Faculdade de Educação estava tentando recompor o quadro de docentes, afetado pela repressão política. Sustentava-se com professores temporários. Dispunha de quatro bolsas e queria levar quatro alunos recém-formados para Brasília. Apresentaram-se Elicio Pontes, João Eudes Rodrigues Pinheiro, Maria Lucília Alencar (Jardim) e Célia Guedes.

 

“Ao final de 1970, estava em Brasília. Em abril de 1971, com bolsa para fazer mestrado nos Estados Unidos, fui para a University of Southern California, em Los Angeles. Fiz curso intensivo de inglês, retardei a ida por motivo de saúde e viajei em 1972, concluindo o curso em 1973 e 1974, na área de Tecnologia da Educação, na Faculdade de Educação, e fiz matérias na área de cinema.”

 

Voltou para a UnB e foi para sala de aula. Em 1974 e com um grupo de professores, elaborou o projeto, a pedido do prof. Paulo Vicente Guimarães, de uma nova habilitação na Faculdade, em Tecnologia Educacional, que passou a funcionar a partir de 1976.

 

Foi chefe do Departamento de Métodos e Técnicas, da Faculdade de Educação. A Faculdade tinha três departamentos.

 

Elicio casou em Brasília em 1975 com Maristela de Faria Galvão (Cruzeiro-SP), que fora aluna da UBN e se formou em Pedagogia. Tiveram dois filhos, André Galvão Pontes, nascido em 1977, formado em Educação Física pela UnB, que lhe deu a neta, Isabela; e Eliza Galvão Pontes, formada em Desenho Industrial pela UnB, solteira.

 

Maristela faleceu em 1990. Teve como companheira Maria Lucília Alencar, que viera com ele de Fortaleza em 1971, mas faleceu em 2003. Hoje, tem como companheira, desde 2008, Olívia Maria Pinheiro Maia (Rio Branco-AC), psicóloga, socióloga e escritora.

 

Elicio foi um dos fundadores do Centro de Produção Cultural e Educativa (CPCE) da Unb, com Salomão David Amorim, Geraldo Moraes e D’Arroxela, de 1986 a 1989. Era responsável pela coordenação de produção educativa. Em 1989, o reitor da UnB, Antonio Ibanez, o indicou para o Centro de Educação Aberta e Continuada e a Distancia (CEAD), onde permaneceu de 1989 a 1993.

 

Nesse período, o CEAD iniciou trabalho de cooperação cultural com a Universidad Nacional de Educación a Distancia, de Madrid. “Houve interesse maior e em 1996 eu e mais quatro colegas iniciamos um Doutorado na UNED, terminado em 2006. Nome da tese – Novas Tecnologias na Formação Docente. Passamos muito tempo brigando pela criação de uma Universidade Aberta, pública, como parte de um programa de educação na rede pública das universidades. Foi criada diferente, um programa desenvolvido pelas universidades federais que cursos de licenciatura. A UnB tem oito cursos de licenciatura, coexistindo ao lado da graduação presencial.

 

“Minha vida é marcada pela atividade acadêmica. Foram 39 anos na sala de aula, convivendo com as novas gerações que assumiram o comando da UnB. ”

 

Em 2001, começou a fazer poesia, lançando Corpos Terrestres e Corpos Celestes, poemas datados e pós-datados; lançou ainda Os sonhos e pesadelos da década de 60 de um século que passou e ainda está aqui aos nossos pés, na soleira do Terceiro Milênio, pela Maza Edições de Belo Horizonte.

 

“Na realidade, meu irmão Mário, numa de suas vindas a Brasília, descobriu meus originais, leu e me informou que iria tentar publicar. Por essa época, Mário era o editor do Caderno Livro, do Jornal do Brasil, que exerceu papel ativo na literatura do Rio de Janeiro e do Brasil. Ele se encarregou de editar, o que acabou fazendo.”

 

“Não tenho uma linha na minha poesia. Meus versos são livres, sem o formalismo da poesia.”

 

“Continuei poetando. Em 2008, quando conheci Olívia, a atividade poética ganhou novo impulso. Senti-me dispondo a despertar em mim esta veia que pensei tivesse sido passageira. A paixão por Olívia me levou para a poesia.”

 

Em 2009, publicou Olhos do Tempo, com capa de Elisa Pontes, filha, com prefácio primoroso de Alexandra Rodrigues, poeta e cronista, professora da UnB.

 

Em 2011, publicou Metade de Mim é Verso, ainda por conta da Olívia; Sol e Lua, com contracapa de Sérgio Maggio, Vladimir Carvalho e Fabiano dos Santos, com orelha de Mário Pontes, que observa: “Quando fala do passado, do presente e do futuro, Elicio Pontes às vezes é também o filósofo que vê o Tempo passar como o rio, não para perder-se, mas para fertilizar a existência com outros elementos vitais – o Amor, por exemplo”.

 

Olívia publicou em 2010 o livro de crônicas e contos, Em Rio Que Menino Nada, Raia Não Ferra, com estórias dos rios e igarapés do Acre de sua infância e da experiência de vida no Cerrado, cuidando da alma humana. (JBSG)

 

 

 

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