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Terça, 14 Agosto 2018

Djacir Martins

Djacir Martins(Fortaleza) - 38 anos de Hospital de Base,fundador do Santa Helena, aos 83 anos de vida,ainda comanda o seu laboratório de Citopatologia.

 

Quem o vir com seu jeitão típico do cearense comum, pela cor da pele e estatura, não dá os 83 anos a que chegou, trabalhando todos os dias no seu pequeno e moderno laboratório de Citologia. Todo dia cruza Brasília, da QI 5 do Lago Sul ao final da Asa Norte, onde trabalha numa dependência do Santa Helena, hospital que criou com um grupo de amigos médicos. “Sou meio agitado, não sei ficar parado”, diz, mas parece tranquilo, seguro, com a consciência de que dignificou sua vida.

 

Djacir Martins nasceu em Fortaleza em 15 de março de 1930, na rua Joaquim Távora, filho de José de Oliveira Martins e Ana de Oliveira, ambos cearenses da gema, José, de Fortaleza, e Ana, de Jaguaruana, de uma família de 12 filhos dos quais sobreviveram sete. Clóvis, falecido, auditor da fazenda estadual; Antonio, falecido, contador que trabalhava na Caixa; José, advogado do Banerj, no Rio de Janeiro; Djacir, médico, em Brasília; Osmar, engenheiro, falecido; Maria Hilma, professora; e Maria da Conceição, professora, mora no Rio Janeiro.

 

“Fiz o primário na escola particular Joaquim Távora, fiquei nove anos no colégio Castelo Branco, que era da diocese, com uma bolsa dada pelo meu padrinho, monsenhor Otávio de Castro. Nesses nove anos, nunca levei bomba.” Perto do Seminário da Prainha tem uma rua com o nome do monsenhor.

 

Seu pai, José, era um modesto e solicitado ourives que trabalhava para diversas ourivesarias de Fortaleza, morreu aos 51 anos, deixando sete filhos na orfandade e dona Ana, sem pensão. Ela foi à luta para sustentar os filhos, como auxiliar de enfermagem no Centro de Saúde de Fortaleza, na Praça José de Alencar, na General Sampaio, ao lado da Faculdade de Medicina, que era privada.

 

“Cada qual se virava, como podia. Eu não tinha um “puto”, fazia com meu irmão, Osmar, cocada para colocar numa bodega, próxima de casa. Ganhávamos um pequeno troco. Osmar também dava aulas particulares para ajudar em casa”.

 

“Nós temos a nossa mãe como uma guerreira, a idolatramos. Tudo que somos devemos a ela, que se desdobrava para que não nos faltassem a sobrevivência e a dignidade.”

 

Djacir fez duas vezes o vestibular para Faculdade de Medicina. Na primeira, temeu ser aprovado, pois não teria como pagar. Na segunda, se animou, pois se falava na criação da Universidade Federal e a faculdade seria federalizada. Quando entrei, finalmente foi federalizada. Éramos 32 colegas de turma, entre eles, Marcelo Weyne, Maria Alice, Maria da Graça Matos Carvalho, Luis Paiva Freitas, Walter Nogueira, este trabalha em São Paulo em serviço de nefrologia; Maria de Fátima Alencar Araripe, mora no Rio; e Humberto Rebouças Freitas. Muitos já morreram.

 

Em 1960, a turma de Medicina e a primeira turma da Escola de Engenharia fizeram formatura, inaugurando a Concha Acústica da UFC construída pelo reitor Antonio Martins Filho. “Eu e meu irmão, Osmar, colamos grau no mesmo dia. A faculdade dele era de cinco anos e a minha, de seis anos. Quem nos acompanhava na plateia? Minha doce mãe, emocionada, chorosa, feliz por ter dois filhos formados. Recebeu muitos cumprimentos.”

 

Na Faculdade de Medicina, Djacir foi presidente do Diretório Acadêmico e foi também eleito presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade.

 

Veio com seu colega Marcelo Weyne Damasceno para Brasília em 28 de maio de 1961, quase pioneiro, fazer dois anos de residência no primeiro Hospital Distrital de Brasília, hoje chamado Hospital de Base. O projeto de saúde compreendia a construção de onze no DF, mas nunca saúde foi prioridade. “Tivemos uma recomendação de Virgílio Távora, que era presidente da Novacap”, recorda. “Eu e Marcelo tivemos trabalho, alimentação e hospedagem. Moramos três anos no Hospital no 11º. andar. A Residência era de dois anos, mas ficamos mais um ano. Eu me especializei em Ginecologia e Obstetrícia.”

 

Quando terminaram, fizeram concurso de título para a Fundação Hospitalar do DF, ficaram no Hospital. “Eu trabalhei por 38 anos. Lá me aposentei em 1993.”

 

“Em 1980, formamos um grupo e construímos uma casa de saúde particular, Santa Helena, com 30 leitos, no final da Asa Norte. Éramos eu e Marcelo, cearenses; Amin Hamu, goiano; José Milagres, carioca; Carlos Augusto Lages de Souza, baiano; José da Costa Gomide, goiano, irmão do ex governador do DF, Wadjó Gomide; Roberto de Castro, carioca; Ítalo Nardelli, vivo, com 96 anos, mineiro; Olavo Peressoni da Rosa, catarinense.

 

Em 1996, vendemos a Casa de Saúde Santa Helena a outro grupo, ao médico cirurgião, José Leal, maior acionista do Santa Lúcia, que possuía serviço de radiologia; do hospital do Gama e mais de 51% do Santa Luzia.

 

Continuou com um pequeno espaço no Santa Helena, onde mantém um laboratório de Citopatologia, desde 1974, depois de fazer um curso na Universidade Federal do Rio Janeiro, com o prof. Nízio Marcondes. No princípio, éramos apenas quatro que fazíamos isso em Brasília. Hoje, são dezenas.”

 

Em 1963, Djacir casou-se em Brasília com Vera Lúcia de Miranda Martins, carioca, quando terminou a residência. Ela era funcionária do GDF da Secretaria de Arquitetura e Urbanismo. Tiveram três filhos – Marcus Vinicius de Miranda Martins, agrônomo, formado pela Universidade de Lavras-MG, funcionário do Ministério da Agricultura, casado com Lilia Sena, e com um filho, Bernardo; Ana Lúcia de Miranda Martins, psicóloga, formada pelo CEUB, profa. da Universidade Unieuro; e Luciana de Miranda Martins, fisioterapeuta, autônoma, com um filho, David.

 

Guarda como troféu o diploma de Honra ao Mérito do Conselho Regional de Medicina, por 50 anos de exercício efetivo da Medicina, sem nenhum deslize profissional. (JBSG)

 

 

 

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