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Terça, 14 Agosto 2018

Carlos Angelo Veras

Carlos Angelo Veras (Viçosa do Ceará) - Garçon e dono de restaurante A Pensão da Graça

 

Nasceu no centro de Viçosa do Ceará, filho de Francisco das Chagas Veras e Rita Angelo Veras, de uma fila numerosa: Maria Aparecida, José, Alfonso, Valdemar, Antonio e Rosa, todos Angelo Veras.

 

Estudou até o 4º ano primário no grupo escolar de Viçosa.

 

Cedo entrou na mão de obra infantil, trabalhando com o pai, Francisco, no sítio Buriti Grande, fazendo rapadura e cachaça para consumo e venda nas bodegas das cidades próximas. Nessa vida mansa e tranquila, ficou até os 17 anos, quando decidiu sair de casa e tomar o rumo da venta que apontava para Brasília.

 

Aqui chegou às 17 horas do dia 28 de fevereiro de 1969. Veio num ônibus da Viação Ipu. Trazia muita vontade de trabalhar e conquistar o mundo.

 

Durante dois dias dormiu na Rodoviária, pois não conhecia ninguém. Almoçava e jantava na Pastelaria Viçosa e guardava a mala, por deferência especial, no posto policial.

 

Acabou descoberto por uma bondosa senhora, dona Eunice, nascida em Santa Terezinha, próximo de Viçosa e que lhe perguntou de onde era, ela que conhecia toda a família Veras. Falava o nome de um deles e ela contava uma história.

 

Dona Eunice o levou para morar na casa dela na QI 14, conjunto 1, casa 64, do Guará, onde fazia de tudo um pouco e um pouco de tudo, inclusive varrer e limpar a casa, arrumar, passar roupa, escovar e engraxar os sapatos dos filhos dela.

 

Conseguiu um emprego de pedreiro na Civilsan-Serveng, empresa do ex-governador de São Paulo, Lucas Nogueira Garcez, onde ficou oito meses. Por causa de uma briga com um colega, largou o emprego, mas deixou o sujeito muito ruim, tudo porque o cidadão xingou a senhora sua mãe. Não levou desaforo para a casa de dona Eunice.

 

Como sobrava emprego, foi trabalhar como cobrador na Viplan.

 

Sabia de um tio, irmão de Francisco, chamado Antonio Ferreira Veras, rico, possuidor de alguns bens em Taguatinga, mas que despachara de volta ao Ceará um sobrinho que viera para Brasília e vagabundeava. Aumentaram a história com uma versão de que, desde então, não queria mais saber de parente. Nunca tinha visto o tio.

 

Havia um barzinho, na praça do Relógio, onde Carlos se reunia com amigos para beber e jogar conversa fora.

 

Algumas vezes, um senhor se aproximou da conversa, por causa do sotaque arretado de carregado, pelas cabeças achatadas e as estórias contadas em voz alta.

 

Tal senhor aproximou-se dele, perguntou-lhe o nome. Identificou-se, disse que era seu tio e indagou por que não o procurara. Lembrou que há meses estava em Brasília, morando de favor no Guará por generosidade de uma alma boa.

 

Encerrou a conversa, mandando se demitir da Viplan e se apresentar num de seus açougues, ele tinha três, que ficava em Taguatinga Centro. Na semana seguinte, assumiu o açougue onde ficou por dois anos e meio. Juntou algum dinheiro e foi até Parnaíba/Piauí, para onde se mudara seu pai. Lá recebeu a triste notícia de que o tio Antonio tinha sido assassinado. Sua tia, Beatriz, foi de Viçosa para fechar o negócio, vendeu tudo e foi embora.

 

Carlos foi trabalhar no Hotel Nacional, onde ficou três anos, como copeiro, barman, garçom, passando a morar no alojamento de casados e solteiros à beira do Lago, perto da Churrascaria do Lago. Nesse local, morou por 19 anos, mesmo porque o Hotel perdera a posse da área.

 

Do hotel foi para o outro lado da calçada trabalhar na Adega Le Fromage, de Roosevelt Dias Beltrão e Rafael Heitor de Andrade, onde ficou quatro anos e meio e ganhou o apelido de “Papagaio”. Mudou até a forma de trabalhar na Adega, que era só à noite. Valeu o aprendizado, já que assumiu até a função de gerente que era do Miguel Naval, que trabalhava de dia no Hotel Nacional e à noite na Adega.

 

Saiu da Adega por causa da carga de trabalho, de oito da manhã à meia-noite.

 

Foi trabalhar no Hotel Fenicia, onde ficou um ano e seis meses, sumindo depois que um colega xingou sua mãe e a porrada comeu de novo.

 

Com o que tinha comprou uma Kombi, deu-lhe uma baita reformada, transformando-a em um trailler que estacionou em frente a Agência Central do Banco do Brasil, no Setor Bancário Sul, às portas da Galeria dos Estados, onde fez sua vida. Ali passou 28 anos batalhando toda a semana, de sol a sol. Os taxistas do pedaço deram-lhe o apelido de Boró, que é isca de peixe.

 

Por causa de problemas de saúde, que o levaram a fazer cinco cirurgias, deixou o trailler e montou um pequeno restaurante em sua casa no Lago Centro, Vila Planalto, que tem o nome de Pensão da Graça, em homenagem a sua mulher, com quem se casou meio vexado, em 1974, numa das idas à Parnaíba para visitar seu pai.

 

Do casamento nasceram Marcelo e Francisca Maria Angelo Veras. Marcelo formou-se em Administração pelo IESB, montou um salão de beleza no Sudoeste com um amigo e trabalha com o pai. A filha Francisca lhe deu um neto, Matheus. Mas Carlos e Graça adotaram Kathia Maria, que lhes deu outro neto, Gabriel José.

 

A Pensão da Graça há 19 anos é um dos endereços da culinária cearense e nordestina em Brasília. (JBSG)

 

 

 

 

 

 

 

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