Quinta, 24 Maio 2018

Carlos Alberto Cabral Ribeiro

General de Exército Carlos Alberto Cabral Ribeiro (Fortaleza) líder militar e ministro do STM In memoriam

 

O Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, ao noticiar a morte do general Carlos Alberto Cabral Ribeiro, de 69 anos, em 30 de setembro de 1984, escreveu que provavelmente morreu de enfarte.

 

“A morte do ministro acaba de garantir a vaga de general de quatro estrelas ao ministro-chefe do SNI, general Octávio Medeiros, nas promoções de 25 de novembro. Além disso, a indicação de outro general de exército para substituí-lo, abrindo vaga de general de divisão e general de brigada, evitará que o chefe do Gabinete Militar da Presidência, general Rubem Ludwig, vá para a reserva em dezembro, o que era previsto pela cota compulsória.”

 

O general Carlos Alberto Cabral Ribeiro, cearense de Fortaleza, morreu em seu apartamento, na rua Raimundo Corrêa, em Copacabana. Como não se levantou para ir à praia, como sempre fazia quando vinha ao Rio, o ordenança, José Resel, resolveu abrir a porta de seu quarto e o encontrou morto. Ele chegou ao Rio na sexta-feira, a serviço, e deveria voltar quarta-feira. Do Hospital Central do Exército, o corpo foi trasladado para Brasília.

 

O ministro tomou posse no Superior Tribunal Militar dia 7 de outubro de 1977. Seus amigos dizem que ele era uma pessoa tranquila e não falava muito. Numa das raras entrevistas que deu em novembro de 76, ao ser promovido a general de exército, disse: “sempre acompanhei o Exército e minha política é a do senhor presidente da República e a do Exército”.

 

A atuação do ministro na Revolução de 1974 foi destacada pelo brazilianista Alfredo Stepan no livro Os Militares na Política. Nele, o escritor conta que a decisão do então coronel Cabral Ribeiro, que chefiava o 4º Regimento de Infantaria em Osasco (SP), foi considerada tão importante por ativistas políticos e militares quanto a designação do general Amaury Kruel, comandante do II Exército. “O Regimento de 1.300 homens era o maior e o único corpo de tropas de combate, naquela área, que podia ser mobilizado rapidamente.” Segundo o escritor, Amaury Kruel foi “adepto de última hora”. Mas, se ele não aderisse, o coronel o prenderia e assumiria o comando da Revolução em São Paulo.

 

Ele teve posição marcante na passagem do processo do Riocentro no STM. Ali, tomou a defesa do Exército contra o voto do almirante Júlio Bierrenbach, que pretendia aprofundar as investigações.

 

Mas não foi só nesse episódio que o ministro se natabilizou no STM: em 1979, quando, por lei, caberia ao general de exército, Rodrigo Otávio, de ideias liberais, chegar à presidência do STM, Cabral Ribeiro e o general Reinaldo Melo de Almeida se articularam numa acirrada campanha para desmobilizar a candidatura de Rodrigo Otávio; preterido, o general morreu poucos meses depois.

 

Grande amigo do ex-ministro Sílvio Frota, já ministro do STM e recém-promovido a general de exército, Carlos Alberto Cabral Ribeiro foi o único militar detentor das quatro estrelas em suas dragonas a se dirigir ao Quartel-General do Exército em 12 de outubro de 1977, quando Frota foi demitido por Geisel e tentava, de seu gabinete no QG, organizar alguma reação ou mesmo reunir seu alto comando.

 

Entre o presidente e o ministro Cabral Ribeiro, ficou com Sílvio Frota, contrariando a afirmação, ao ser promovido a general de exército. “Minha política é a do senhor presidente da República e a do Exército!”

 

No registro de sua morte, a Veja escreveu que “foi um dos primeiros coordenadores da censura à imprensa em 1970”.

 

 

 

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