Quinta, 24 Maio 2018

Vicente e Samuel Magalhães

Os irmãos de Aurora que conquistaram Brasília.

Vicente Nunes de Magalhães nasceu no ano da graça de 1939 em um vilarejo intitulado sítio Tipi, a poucos quilômetros da cidade de Aurora, banhada pelo rio Salgado, situada no extremo sul do Ceará. Passou a infância no sítio Tipi do Meio, de propriedade do seu avô, João Alves de Magalhães. No vilarejo aprendeu a ler e iniciou o curso primário, ficando os primeiros estudos aos cuidados competentes da professora Olindina Barros, até ser mandado pelos pais, em 1951, para o Colégio Salesiano Padre Rolim, em Cajazeiras, na Paraíba, estado que faz divisa com o município de Aurora. Ali, cursou o 4º ano primário e fez o exame de Admissão ao Ginásio. No ano seguinte, a fim de realizar os preparatórios para ingresso no curso superior, foi mandado para o Seminário Salesiano, no Recife, onde fez todo o curso ginasial. Concluído este, ingressou na Universidade Católica de Pernambuco, com sede na capital pernambucana, bacharelando-se em Pedagogia, Licenciatura Plena, com registro em Matemática, História e Filosofia.

Vicente teve como genitores José Alves de Magalhães e Maria Nunes Magalhães, sendo o primogênito de onze filhos do casal, sertanejos para quem a educação constitui o caminho e a ferramenta para o crescimento social e econômico dos filhos. A prova disso é que todos têm formação superior, em diferentes disciplinas, como Medicina, Engenharia, Arquitetura, Agronomia, Advocacia, Psicologia, Pedagogia, Letras e Administração.

Pedagogo por vocação, logo concluído o curso universitário, Vicente retornou ao Ceará, aguardando a oportunidade de ingressar no serviço público, de preferência para o exercício na área em que se diplomou. Não tardou e o Governo do Estado abriu inscrição para concurso destinado a professor de nível universitário, para a cadeira de Matemática. Isto em 1964, ano em que o país passou por profunda transformação na sua vida política e administrativa, com o advento do regime militar. Vicente se submeteu ao certame e foi aprovado, obtendo excelente classificação. Foi lotado no recém-criado Colégio Estadual Wilson Gonçalves, localizado na cidade do Crato, o mais importante centro de cultura e de ensino da região do Cariri.

Embora distante a poucos quilômetros de Aurora, Crato era para o professor Vicente Magalhães uma cidade estranha. Ali não tinha parentes, conhecidos nem amigos. Todavia, com o seu jeito agradável de ser e com uma afetividade que cativa, em pouco tempo conquistou amizades não só entre alunos e professores como no meio social, entre os cratenses, dos quais diz guardar as melhores recordações.

No mesmo ano, submeteu-se a concurso de escriturário do Banco do Brasil, tendo sido aprovado e mandado servir na Agência de Juazeiro do Norte, progressista cidade distante apenas onze quilômetros do Crato. Coube a Vicente administrar um pequeno e ao mesmo tempo desafiador problema: compatibilizar o expediente no Banco com o tempo de aulas no Colégio, situação que lhe exigia deslocamento diário de uma à outra cidade. Para o professor de Matemática, porém, o problema não se mostrou insanável, não havendo necessidade de abrir mão de qualquer dessas atividades, às quais, em 1968, acrescentou mais uma: a de professor da Faculdade de Filosofia do Crato, como titular da cadeira Filosofia da Educação, além de outra mais, esta de natureza puramente sentimental, a qual despontou enquanto o bancário e professor empreendia o percurso diário, de ida e volta, entre Crato e Juazeiro. Nesta última cidade, Vicente conheceu uma jovem por quem se tomou de amores e que sabia correspondido, ao render-se ela aos seus discretos galanteios. E assim é que na noite de 29 der junho de 1968 conduziu a jovem, Maria Jupira Matos, de conhecida família juazeirense, à presença do Pe. Murilo Sá Barreto, vigário do Juazeiro a quem coube oficiar a cerimônia religiosa do casamento, realizada na igreja matriz de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade.

Vicente e Maria fixaram residência no Juazeiro. Ali nasceram as duas primeiras filhas do casal, Virgínia e Patrícia, ambas batizadas pelo padre Murilo, de quem os pais se tornaram grandes amigos, a ponto de o sacerdote haver sido o escolhido para celebrar o batizado da terceira e última filha, Iara, nascida na cidade de Itacoatiara, no Estado do Amazonas, para onde Vicente fora transferido em 1974 pelo Banco do Brasil.

Com a sua ida para o norte do País, Vicente Magalhães foi forçado a encerrar a atividade de professor que durante uma década exerceu na cidade do Crato, concomitantemente no Ginásio Estadual e na Faculdade de Filosofia. No entanto, para ele, uma vez professor, sempre professor. Desse modo, logo ao chegar à cidade amazonense, retomou à atividade, passando a dar aulas de Matemática na Unidade Educacional Vital de Mendonça, importante estabelecimento de ensino de Itacoatiara. Permaneceu no posto, até ser transferido pelo Banco, desta vez para a cidade de Guajará-Mirim, no Estado de Rondônia, ficando ali por pouco tempo com a mulher e as três filhas. Finalmente, em 1977, foi mandado para Brasília, encerrando de vez o ciclo de mudanças compulsórias a que era submetido por força do exercício de atividade profissional. Aqui, Vicente permanece até hoje com a mulher e as três filhas, todas portadoras de diploma de curso superior. Virgínia, empresária no ramo hoteleiro, é formada em Economia e Artes Plásticas; Patrícia, economista e servidora pública federal, como Analista de Orçamento; e Iara, formada em Administração e Direito, servidora do Banco de Brasília.

Tão logo aqui aportou, Vicente Magalhães voltou ao que mais gostava de fazer: dar aulas, tendo sido contratado pela Fundação Educacional do Distrito Federal, onde atuou até 1999, quando se aposentou como professor.

No ano de sua chegada a Brasília, até 1993, ano em que se aposentou como bancário, Vicente Magalhães serviu, na qualidade de analista de crédito ou assessor, em órgãos da Direção Geral do Banco do Brasil, entre eles a Gerência Operacional do Nordeste, Vice-Presidência de Operações, Diretoria de Crédito Geral, Diretoria de Crédito Rural e Presidência.

Embora afastado do serviço ativo nas áreas onde atuou profissionalmente, Vicente não se acomodou no dolce far niente. Abjurou as palavras inatividade e ociosidade por incompatíveis com o seu temperamento habituado à dinâmica da vida, sempre em busca do que fazer. Assim é que passou a atuar em diferentes áreas, exercendo atividades comunitárias e sociais, políticas e até na iniciativa privada. Mesmo antes da aposentadoria, incursionou pelo serviço comunitário ao assumir o cargo de Prefeito da Península Norte, no Lago Norte, passando, depois, a integrar o Conselho Comunitário, da citada prefeitura, no qual atua até hoje. Em 1994, tornou-se o primeiro Administrador Regional do Lago Norte, retornando à Administração Regional, no período de 2007 a 2010, como Chefe de Gabinete e, em seguida, novamente, assumiu o comando da Administração. Nesse mesmo período, de2009 a 2012, foi presidente da Associação dos Filhos e Amigos de Aurora, residentes em Brasília, entidade, da qual foi um dos fundadores, criada com o estímulo e apoio da Casa do Ceará e que tem por finalidade congregar os migrantes daquele município cearense. Mas, não ficou só por aí. Vicente também incursionou pela iniciativa privada, atuando na área hoteleira, participando da construção e da administração do hotel Confort Suites Brasília, localizado no Setor Hoteleiro Norte.

SAMUEL MAGALHÃES

Na esteira de Vicente Magalhães, quatro dos seus irmãos migraram rumo à Capital da República: as irmãs Josina, Francisca e Luciana, esta última a caçula dos irmãos, e Samuel, o 8º dos filhos do casal José Alves de Magalhães e Maria Nunes de Magalhães.

Como Vicente e a maioria dos irmãos, Samuel nasceu na vila Tipi e viveu sua infância e os primeiros anos da adolescência entre a terra natal, Aurora, e Juazeiro do Norte. Também como a maioria dos irmãos, os rudimentos da vida escolar foram desenvolvidos na vila, sob a orientação da professora Meire Tavares e da própria mãe, que também oficiava como docente do curso primário. No Juazeiro frequentou a Escola Salesiana e a Escola Franciscana até que em 1971 acompanhou os pais que se transferiram para Fortaleza. Na capital cearense, concluiu seus estudos de 1º Grau no Colégio Municipal Filgueiras Lima e os do 2º Grau no Colégio Carlos de Carvalho. Em 1977, prestou vestibular para Engenharia Civil. Anos depois, para o curso de Ciências Contábeis, na Universidade Federal do Ceará, classificando-se em primeiro lugar. Bacharelou-se em Recife, onde por motivos profissionais passara a residir. Na capital pernambucana, foi professor de Matemática, Física, Contabilidade e Economia. Fez concurso para o Banco do Nordeste e para o Banco do Brasil. Aprovado em ambos os certames, optou profissionalmente pelo segundo, onde trabalha há mais de 25 anos, exercendo desde o ano 2000 cargos na Administração.

Desde que ingressou no Banco, Samuel também, como é próprio da instituição, teve seu período de mudanças, servindo inicialmente na cidade de Barro, também na região do Cariri, no Ceará, em Fortaleza, de onde foi transferido para Manaus e, por último, Brasília.

Escritor, orador, historiador e pesquisador espírita, Samuel tem realizado palestras em vários estados brasileiros, havendo participado como convidado e expositor da Bienaldo Livro do Rio de Janeiro e de São Paulo, em 2012, ocasiões em que lançou seu último livro, publicado pela editora da Federação Espírita Brasileira, Anna Prado, a mulher que falava com os mortos.

Samuel Magalhães exerce extensa atividade no que concerne à doutrina espírita. Foi diretor de Assistência e Promoção Social da Federação Espírita do Estado do Ceará, terra de origem de uma das figuras de maior expressão do Espiritismo no Brasil, o médico Adolfo Bezerra de Menezes. Samuel foi ainda Diretor de Comunicação Social da Federação Espírita Amazonense; fundador e presidente do Centro Espírita Francisco de Assis, na cidade de Barro, no Ceará; grupo espírita os Cireneus do Caminho, em Fortaleza e Centro de Documentação Espírita do Pernambuco. Idealizou e montou o Museu Espírita Amazonense; foi membro do Centro de Documentação Espírita do Ceará. Atualmente integra a LIHPE - Liga de Historiadores e Pesquisadores do Espiritismo.

Casado com Iracema Vieira Magalhães, tem como hobby leitura, cinema e música, “aventurando-se no violão e pintura a óleo em tela”, afirma. (JJO)

Atividades

Visitantes

Total: 15018