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Terça, 16 Outubro 2018

Sebastião Gurgel Holanda

De Acopiara a Brasília na busca de novas perspectivas

Dezembro de 1971. A minha história, como um cidadão cujo coração já mais pertence à bela Capital que à saudosa Acopiára teve início há mais ou menos 40 anos. A verdade é que tudo começou quando em busca de novas perspectivas de vida, almejando alcançar o sonho de uma vida melhor. Saí em busca do “sonho americano” no “país do futuro”. Assim, me vi obrigado a deixar minha amada família - pais, irmãos, tios, avós, bons amigos, colegas de colégio, sem saber ao certo o que para mim Brasília reservara.

Quando cheguei a Brasília era véspera de Natal. Fazia frio aqui, o frio de um ar gélido e seco que até então eu desconhecia. Logo vinha o ano novo e uma vida nova em uma cidade ainda em construção, com terra vermelha e desenvolvimento acelerado no coração do Brasil. Brasília, Centro-Oeste, a Nova Capital da República. No coração do País, semeei o meu próprio coração.

Janeiro de 1972. Com 19 anos de idade, ainda jovem, me apresentei ao serviço militar na 10ª Região, QG do Exército, Esplanada, local onde o destino me escreveria uma nova história. Foi lá que consegui o meu Certificado Militar – documento de formação civil e militar – que me garantiria o direito de entrar no fechado e competitivo mercado de trabalho brasiliense.

Com o passar dos anos, ingressei, cursei e conclui o curso de caixa de banco e empresas financeiras do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC, e logo fui encaminhado para trabalhar em um mercado local chamado “JUMBO”, empresa posteriormente adquirida pelo Grupo Pão de Açúcar. Fora uma experiência inesquecível, ímpar e que me fez sentir abraçado pela Capital Federal. Neste momento, no coração nordestino semeado na terra vermelha do Planalto Central começavam a surgir as primeiras raízes. Apesar da vida de escasso tempo, pouco dinheiro, dificuldades de locomoção e moradia, com trabalho nos dois turnos do dia (manhã e tarde), eu ainda atravessava as frias madrugadas em ferrenho estudo para o vestibular que aspirava prestar. Meu sonho era cursar Administração de Empresas. E foi o que aconteceu. Com muita determinação e empenho, colhi os frutos do meu sacrifício e fui aprovado na Faculdade Católica de Brasília, hoje a grande Universidade Católica de Brasília - UCB. A felicidade irradiava, transpassava o peito, o coração batia em ritmo de baião e xaxado! Aprovado no dificílimo vestibular e logo na primeira tentativa de ingressar no ensino superior.

Março de 1985.Neste período o coração nordestino já havia firmado suas raízes no Planalto, comecei a trabalhar na Câmara dos Deputados. Centro político do Brasil. Era um sonho que mesmo quando sonhado de olhos fechados me parecia inalcançável e inacreditavelmente eu me via realizar.

Permaneci naquele órgão federal até a Constituinte de 1988. Porém, com muito pesar, fui obrigado a me desligar do Legislativo Federal, devido a uma inesperada mudança na Constituição Federal, que não permitia funcionários com menos de cinco anos de trabalho naquela Casa de Leis pudessem ser efetivados.Senti-me rejeitado, triste, ultrajado, como se todo o meu serviço prestado com empenho e amor de nada houvesse valido. Mas não esmoreci, resolvi permanecer firme no meu intento de ser um representante da saudosa Acopiára no coração do Brasil!

Os anos se passaram e me casei com a filha de um grande homem, músico,  maestro Cearense. Na minha incansável luta fui do serviço público à iniciativa privada. Com a minha esposa criei uma empresa que prestava serviços no segmento de buffet – Tia Lôla. Prestávamos serviços principalmente, no Teatro Nacional, na Telebrás e outros órgãos públicos. Permaneci com empresa até meados dos anos 90. Devido às circunstâncias da vida, me separei. Éramos imaturos, inexperientes, sem uma estrutura financeira estável e sonhos frustrados, razão maior de nossa separação, a bem dizer, separação amigável. Nesta ocasião meu coração parecia seco como as tortuosas árvores do cerrado ou como o árido solo do sertão nordestino. Era inegável em tal momento a enorme vontade em voltar para junto dos meus entes queridos. Mas bem sabia, todo sonho tem um preço, e como bom nordestino que sou decidi honrar o compromisso que havia feito comigo mesmo aos meus 18 anos de idade. Assim, mais uma vez, juntei forças e permaneci nessa cidade que tanto amava e amo.

Como as formigas trabalhadoras que encontramos aqui e acolá recomecei minha vida. Fui trabalhar em uma construtora de casas pré-fabricadas. Localidade, inclusive, em que conheci minha atual esposa, Sônia. Estamos casados há cinco anos. Com ela o tempo voa, sem ela o tempo para, mulher da minha vida, com quem decidi passar os meus finitos dias neste mundo e se o bom Senhor Deus permitir também no outro. Ela é amiga e companheira. Sua simplicidade, alegria e companheirismo me contagiam todos os dias e fazem amá-la cada segundo mais.

Fevereiro de 2004. Nesta época retornei a Câmara dos Deputados. Era o renascer do velho sonho. Desta vez como Assessor Parlamentar. Desde então não mais deixei a Casa do Povo. Venho coordenando e apresentando de perto trabalhos na Comissão de Orçamento da União, Lei Orçamentária Anual-LOA, definindo recursos para os Estados e Municípios, além de atender prefeitos, vereadores, deputados estaduais e todos os demais amados representantes de todo o povo brasileiro.

Com a bagagem de mais de 12 anos de experiência com a política nacional, me candidatei nas últimas eleições no pleito pelo cargo de Deputado Distrital. Como poucos desse Brasil, Candidato Ficha Limpa, de reputação irretocável e ilibada, com ética, moral e idoneidade indiscutívelrealizei uma campanha difícil e sem os inesgotáveis recursos financeiros dos tubarões da política, mas com muita coragem e vontade. Foi uma experiência inesquecível. E muito embora, não tenha sido eleito, fiquei na suplência do partido. Isto é, com possibilidade de assumir o cargo de Deputado Distrital.

Junho de 2011. Acopiarense de fibra, estou em Brasília há 40 anos. Saí da minha amada e saudosa cidade natal com sonhos e esperanças. No coração do Brasil firmei raízes, mas sem me esquecer dos dias da minha infância cheia de amor e carinho dos nobres cidadãos Acopiarenses. Em Brasília fiz meu recanto de amor e felicidades, grandes amigos e bons relacionamentos.

E assim foi que a semente de Acopiára foi semeada no Planalto Central, nascendo, enraizando, crescendo e florescendo, sem nunca deixar de se lembrar da sua origem.

Quero ouvir por muito tempo os cantos dos pássaros e dos sabiás em minha janela, Obrigado Brasília, sua realidade não e mais o sonho de Dom Bosco e de JK, e para esse brasileiro, és uma realidade. E obrigado Acopiára, local que Deus e meus pais escolheram para me dar a vida e me formar o caráter.(SGH)

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