Quinta, 24 Maio 2018

Raul Araújo Filho

Ministro do STJ , a serviço da Justiça

Muitos cearenses chegam a Brasília com o emprego garantido. Nem todos  vem à procura do El Dourado. Raul Araújo Filho  é um dos que  já chegaram, à cidade para assumir o cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça. Mas até chegar onde está foram consumidas horas de estudos. O menino Raul trocava a brincadeira na rua por leitura de livros dentro de casa.

Cearense de Fortaleza, Raul  Araújo Filho antes de desembarcar em Brasília foi advogado. Começou no escritório de advocacia do pai, morto há 21 anos. O ministro lembra que o dr. Raul, seu pai, advogado, era um homem sisudo, mas dentro de casa, era muito amoroso com os filhos, uma pessoa muito presente. Ele diz que seu pai foi sempre o modelo de homem que queria ser. Espelhando-se no pai, logo cedo, o garoto que nasceu dia 10 de maio de 1959, sabia que sua carreira estaria voltada para a área de humanidades, a exemplo  dos outros três dos cinco irmãos. 

Na Faculdade de Direito da UFC,  a qual ingressou por  influência do  pai, encontra aquela que viria a ser sua esposa. Os dois estudavam na mesma sala e a afinidade foi ficando cada vez mais estreita “Um amor que nasceu de uma amizade e de um envolvimento intelectual e podemos crescer juntos”, revela, admitindo a participação de Maria José Fontenelle Barreira Araújo, Marietta, nas  conquistas de novos horizontes. Ela é Advogada, Procuradora do Estado e Professora Universitária

O apoio da companheira é fundamental. Depois de formados, fizeram o curso de mestrado juntos. Raul Araújo fala do sogro, o professor  Wagner Barreira, que era o melhor professor da Faculdade de Direito e um dos maiores civilistas do País, elogia. “Também teve uma enorme influência para minha formação humana e intelectual”, lembra, afirmando ser  uma pessoa adorável, um homem muito culto, que conhecia música clássica, profundamente. “Formamos uma união de famílias que continua  até, hoje, muito forte e prazerosa para todos nós”.

Ele diz que seu aprendizado  começou quando atuou como promotor de Justiça, em comarcas do Interior, missão que abraçou, pouco depois que se formou em Direito, na  UFC.Ele cursou também Economia na Universidade de Fortaleza (Unifor) onde se tornaria professor, mais tarde. “Como promotor, procurei fazer audiências de conciliação, para evitar determinados litígios, até para o lado criminal. Então, ouvia as  duas partes”, pontua.  Assim, com essa vivência, pude  perceber que toda história tem duas versões. Eu trabalhava  sempre na   possibilidade de haver um antagonismo, um contraditório para que pudesse extrair uma síntese”.

Após a morte do pai,  Raul Araújo Filho decide voltar  para Fortaleza, desistindo  da carreira do Ministério Público. Faz concurso para procurador do Estado, tornando-se  procurador do Estado de  carreira. Foi praticar advocacia pública, no âmbito estatal. “Na Procuradoria,  que é um celeiro de grandes profissionais, foi possível me desenvolver muito e  ocupei cargos sempre muito importantes”.

O início foi na Procuradoria Fiscal, passando a chefiar a Procuradoria de  Processos Administrativo Disciplinar, função que consiste em julgar  processos de  servidores públicos  faltosos.  É preciso julgar  sem ser severo demais, e, nem generoso demais. “Como diz o ditado:  justiça sem bondade é crueldade; e bondade sem justiça é fraqueza”, revela, afirmando ser necessário ter a medida certa para julgar as pessoas.

O próximo estágio profissional foi o de  procurador geral adjunto do Estado do Ceará, para em seguida, assumir o de  procurador geral. Todos os cargos que ocupou foram conquistados através de concurso público de provas e títulos. Ele era o Procurador Geral do Ceará quando a Assembleia Legislativa criou uma CPI para investigar o BEC, Banco do Estado do Ceará. O então secretário da Fazenda, Ednilton Soarez, colocou-se à disposição para prestar esclarecimentos aos deputados. No dia da sessão, o procurador Raul Araújo estava lá acompanhando o depoimento do secretário. Foi um ato de solidariedade, de amizade que Ednilton diz nunca esquecer.

O senso de responsabilidade do ministro sempre chamou a atenção dos amigos. Um deles, Anastácio Marinho, lembra que durante o período em que ele esteve na chefia da Procuradoria Geral nunca deixou de examinar pessoalmente a Lei do Orçamento Geral do Estado antes de encaminhá-la ao governador que a enviava à Assembléia. Varava a noite, sem jantar, analisando meticulosamente o projeto, Fez isso durante oito anos. Djalma Pinto era procurador geral e Raul Araújo sub procurador. Djalma, que foi substituído por ele, lembra que, do tempo em que trabalharam juntos, ficou o sentimento de justiça e o espirito público do ministro Raul. Solidário e generoso, dedicava atenção especial as pessoas mais humildes. Sabia dizer não quando era preciso,

 No Superior Tribunal de Justiça-STJ, assumiu a vaga do ministro Paulo Gallotti  em 2010. Até agosto de 2015 ele preside a 4ª Turma do STJ. É membro da Segunda Seção e da Comissão de Coordenação do STJ. A carga de trabalho no STJ faz com que Raul Araújo Filho tenha pouco tempo para o lazer. São momentos que divide com a leitura de um bom livro, que considera “alimento para o espírito”,  a audição de uma boa música e a família. “Folga do trabalho só no fim de semana, porque  a rotina do STJ é muito pesada”, revela, acrescentando ser uma das maiores demanda do mundo.

No ano passado, disse que foram conferidas  330 mil decisões, recebendo 300 mil novos processos para este ano.  “Então, é uma luta constante contra o tempo para conseguir ter uma performance que nos  coloque no azul quanto às resoluções dos processos”. Mesmo com a demanda de trabalho, garante estar feliz, uma vez que “estamos realizando o sonho do povo que é atender à demanda do Judiciário, que consiste em oferecer  uma justiça séria, demanda  justa da sociedade.

Para Raul Araújo Filho, é  muito difícil a concretização dessa meta, mas todos estamos muito empenhados em  fazer isso, porque é uma exigência social. O que sobra em termos de lazer é um fim de semana em Fortaleza, muitas vezes, com compromissos já agendados. O ministro sempre traz sentenças para revisar, mesmo no fim de semana de folga. O  ministro diz que o tempo  restante,  procura  ficar  mais próximo da família, com a mulher e a mãe, além dos  irmãos, amigos e as pessoas queridas.

Sobre Brasilia, o ministro diz que já conhecia bem e simpatizava com a Capital Federal antes de vir morar nela:”“Como Procurador-Geral, frequentemente vinha tratar de assuntos de interesse do Ceará perante Ministérios e Tribunais. Então, quando me tornei Ministro do Superior Tribunal de Justiça, não tive dificuldades de adaptação aos novos ares. Brasília é, em tudo - nas pessoas, nos lugares, no clima -, uma síntese do Brasil que todos amamos. Aqui encontramos, convivendo e trabalhando, toda a gente brasileira. Temos uma cidade moderna, bela e vibrante, vizinha a sítios históricos importantes. Dominando e envolvendo a urbe, encontramos um amplo e lindo lago e, logo ali próximo, um cerrado semiárido e, pouco mais adiante, uma densa vegetação exuberante. O clima ora é agreste e quente, como no sertão do Nordeste, ora é frio e arrepiante, como nos pampas do Sul. É fácil gostar de Brasília. Eu e Marietta estamos, cada vez mais, ligados à cidade, seus costumes e sua gente”(DR)

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