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Quinta, 16 Agosto 2018

Raimundo Nonato Vasconcelos

Raimundo Nonato Vasconcelos (Sobral), que fundou com o irmão Anastácio o Restaurante Ki-Filé

Raimundo Nonato Vasconcelos nasceu na Fazenda São Vicente, em Jaibaras, perto de Sobral em 3 de dezembro de 1947, filho de Gerardo Izidorio Vasconcelos e Maria Jandira Vasconcelos, ambos também de Jaibaras.

Raimundo foi o filho mais velho dos sete irmãos homens e uma mulher: Antonio, Anastacio, Agapito, Bartolomeu, Expedito , José Almir, Messias e Terezinha.

Raimundo foi o único dos filhos que não levou Cavalcante no sobrenome.

Raimundo, pai, tinha oito irmãos homens e cinco mulheres. Ganhava a vida como comboieiro, tangendo jumentos e burros entre Jaibaras e Sobral com São Benedito, Tianguá e Ubaraja,entre outros municípios da Serra Grande. Comprava e vendia rapadura. Uma vida de muitos sacrifícios para manter a família. Tinha um roçado de onde tirava a subsistência da família.

Os filhos estudaram o primário em Jaibaras num grupo escolar onde uma professora ensinava o pouco que sabia e ajudavam o pai na roça, cuidando da agricultura de algumas vaquinhas que serviam leite. Não havia luz elétrica, só lampião e lamparina a querosene, água só de cacimba esfriada em quartinha onde o vento soprava. O fogão de lenha, a casa de taipa e retrato de santo na parede.Todos dormiam em redes, suspensasem armadores ou caibros.

Os meninos cresceram e foram morar em Sobral para fazer o ginasial até completar 18 anos e ganhar o mundo.Era o plano de vida de todos que nem pensavam em ficar parado como o tempo em Jaibaras.

Raimundo foi o primeiro da fila a buscar outros horizontes.Vendeu duas garrotas que seu pai lhe dera e comprou uma passagem de avião para Brasília, saindo de ônibus de Sobral para Teresina. Teve melhor sorte que centenas de sobralenses que migraram para Brasília em paus de arara ou em caminhões de carga. No dia 12 de junho de 1967 desembarcou em Brasilia, sem conhecer ninguém, com a cara e a coragem, indo trabalhar como servente de pedreiro num prédio residencial da Carvalho Hosken na 413 Norte, quando foi fichado e passou a ter direito a dormir no acampamento. “Aguentei só um ano”., disse.

Em 68, foi trabalhar no La Romanina, restaurante na 303 Sul, como ajudante de cozinha, também fichado. Animou-se e chamou seu irmão, Anastácio, para vir de Jaibaras direto para o La Romanina. Em 69, trouxe Antonio que foi trabalhar como balconista em bar. Ainda em 69, chegou Jose Almir trazido pela tia, Maria Osmida, que o criou e cuja filha,Maria do Carmo, se casara com um rapaz de Brasília. Em 70, com o Brasil tricampeão de futebol no México, veio Bartolomeu (Beto para os íntimos), que foi trabalhar como balconista numa loja de peças na W3, 514, a Filtro-ar, Em 71, foi a vez a vez de Expedito que veio para trabalhar numa banca de jornal na 216 Sul, onde está até hoje, agora como dono da banca. Em 73, desembarcou Agapito para trabalhar como balconista na Germana, da 303 Sul, perto do La Romanina. Em 74, o último dos Vasconcelos, Messias, chegou a Brasília para trabalhar como balconista num bar da 408 Sul.

Em 73, Raimundo decidiu casar com uma cearense de Nova Russas, Maria de Fatima Silva Vasconcelos, com que teve dois filhos Andrea e Eduardo. Andrea já lhe deu dois netos, Andre e Andressa. Eduardo casou com Samara C. Vasconcelos e concluiu o curso universitário de Ciências Contábeis.

O casamento exigiu-lhe novas responsabilidades e sacrifícios, pois foi morar num barraco de madeira, num lote que comprou na Vila Buritis, em Planaltina. A estrada era de chão. Trabalhava no La Romanina e chegava em casa à meia noite para acordar as 8 e voltar ao Plano Piloto. Da Vila Buritis, saiu para a Quadra 16, conj, 1,casa 1, em Sobradinho, trocando a madeira pelo tijolo.

Em 84, depois de 16 anos no La Romanina, convocou Anastacio, que se tornou conhecido como Cavalcante, e montaram um bar restaurante na 404 Norte, como proprietários e garçons, onde funcionou o João do Frango.Batizaram a casa de Ki-Frango. Juntou-se a eles o irmão Anastácio ,que assumiu a condição de chefe de cozinha. Em 92, mudaram para o outro lado da quadra, na 405 Norte, onde se encontram até hoje . A casa passou a se chamar Ki-filé, pois todos se especializaram em todo tipo de filé.

Anastacio ou Cavalcante casou-se com uma irmã de Maria de Fátima, Maria de Lurdes Vasconcelos, com quem teve dois filhos, Roberto e Ricardo. Roberto desde cedo acompanhou o pai e os tios no Ki-filé, passando a comandar os garçons e a receber as pessoas, tornando se conhecido por sua discreção, atenção e simpatia. Casou-se com Ca mila Gontijo. Ricardo está concluíndo Administração de empresa.

Raimundo recorda que sua mãe,Maria Jandira, morreu no parto de seu irmão, Josá Almir, em 67,no ano que veio tentar a sorte em Brasília. Seu pai, Gerardo, casou de novo com Maria Conceição Vasconcelos com quem teve cinco filhos, José Evalnildo,Ari,Moisés, Junior e Andréa. Mas nenhum destes veio para Brasília.

Em 2004, Anastacio ou Cavalcante, foi ao Ceará rever o pai e os irmãos, agora com a vida já estabilizada, já que o KI filé trouxe a realização profissional dos irmãos Raimundo e Anastácio. “Trabalhamos muito, mas vencemos, fomos muito alem do que sonhávamos. Mas um golpe nos atingiu em cheio. Anástácio voltava de Fortaleza para Brasilia quando ainda lá no Piaui seu carro capotou e ele morreu. O que nos conforta é a presença do Roberto que herdou as boas qualidades do pai . e que nos anima a levar adiante o restaurante, nosso projeto de vida. Aqui todos nós crescemos, educamos nossos filhos, mas sem perder a ternura de ser cearense. Vez por outra o coração aperta e temos que ir até Jaibaras , que ficou para trás no retrovisor da vida”.(JBSG)

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