Quinta, 24 Maio 2018

Helena França

Helena França (Ubajara) – "minha tela era o muro e meu pincel o carvão"

Cheguei a Brasília quando tinha apenas um ano de idade. Cresci com acidade que amo tanto quanto ao meu torrão natal, lá no Ceará. Nasci em 13 de maio de 1963 em Araticum, distrito de Ubajara. A sede do municípioé na Serra da Ibiapaba. Araticum fica no pé da serra, praticamente dentro doParque Nacional, que tem a gruta, uma área verde, bonita queabriga um povo alegre, hospitaleiro, amigo. Meus pais, Maria Parecida Martins e Francisco Pereira de França viviam felizes, na tranquilidade da  cidadezinha que só era quebrada nos dias de festas da igreja. .Em outubro de 1964, meu pai faleceu. Minha mãe viúva, de repente se viu sozinha, com duas filhas para criar. A saída foi contrair novo matrimônio.

 

Pois foi  justamente esse novo casamento que nos trouxe de mudança para Brasília.. Nós fomos morar na vila IAPI que posteriormente deu origem a cidade de Ceilândia. Durante a infância, fui muito apaixonada por artes. Sendo a mais velha de quatro irmãs, lembro que de vez em quando ordenava
que ficassem imóveis para usá-las las como modelo vivo. No começo bem que reclamavam, mas depois até gostavam da brincadeira e disputavam entre si para ver quem que seria retratada. Ao longo dos anos levei muita bronca, seja da minha mãe ou do meu padrasto, por riscar os muros de casa com pedaços de carvão ou gesso que encontrasse. Pois, não tinha dinheiro para lápis nem giz de cera. E minha tela era o muro e meu pincel o carvão eo gesso. Mas, apesar disso amava aqueles meus desenhos. E sofria muito quando me
mandavam apagá-los.

 

Dez anos após, em 05 de dezembro de 1981 encontrei meu grande amor, Cicero, com o qual me casei. E durante outros 10 anos vivicom ele e juntos tivemos 3 filhos. Eduardo, Mônica e Ricardo,
respectivamente. Em 1993 tive uma ótima notícia, passei em um concurso público. Mas, um ano depois, em maio de 1994, perdi o pai dos meus filhos.

 

Fiquei sozinha coma obrigação de ser o pai e a mãe ao mesmo tempo, trabalhando parasustento da família, criando, educando e dando todo o amor que podia nas horas de folga. 

 

Em 2000 minha mãe resolveu voltar a morar no Ceará. E em 2001, fui visitá-la acompanhada de meus três filhos. E assim, com 38 anos e 33anos depois de ter deixado minha terra natal retornei as minhas origens, foi quando me deparei com toda aquela beleza. Deus devia de estar muito inspirado quando criou o Ceará, Ubajara e o Araticum. Enfim, a serra da Ibiapaba. É como se de repente estivéssemos num oásis e não quiséssemos mais sair..Tão belo que deixei para trás todas as minhas preocupações de adulta e aquela criança que gostava de rabiscar os muros de casa ressurgiu, com uma vontade louca de eternizaras belas paisagens da minha terra. E foi assim que comecei os meus primeiros esboços, ainda no Araticum, mas agora com papel e giz de cera.

 

Ao retornar a Brasília a menina acabou vindo junto, e mesmo com toda a correria do dia a dia, pintar se tornou uma necessidade. Mas, a artistaem mim ainda era uma criança que tinha parado no tempo. Que precisavacrescer como artista, e aprender novas técnicas. Pois, carvão e giz de cera não bastavam mais para ela. Procurei cursos de pintura, comprei revistas, livros, e conheci muitos outros artistas de Brasília. Assim, aprendi muitas técnicas e principalmente como lidar com óleo sobre tela, onde enveredei para o
figurativismo, representando com realismo a natureza, a forma humana, eos objetos criados pelo homem. Mas, o figurativismo exige muita capacidade técnica por parte do artista, e precisava evoluir mais.

 

Então, ingressei em uma Faculdade de Artes, mas não foi exatamente oque eu imaginava. Tive muitas desilusões, pois muitos consideravam o figurativismo como retrógrado e não me adaptei ao pós-modernismo. Tentei encontrar a beleza que todos viam no grotesco, mas eu achava tudo muito “abestranho” e como eu era a única que não falava a mesma língua deles, comecei aachar que eles tinham razão e que ali não era meu lugar. Assim, acabei desistindo da Faculdade e da arte. Mas, a arte não desistiu de mim.

 

Pois, bastou um novo retorno a minha terra natal para que a artistadentro de mim voltasse renovada e com força total. Porém, não mais como uma menina insegura, mas sim como uma mulher decidida que sabe o que quer, afim de pintar o que gosta e acha belo, sem seguir os modismos. Só o que manda o coração, o que sinto vontade. Até mesmo o “abestranho”, se der na telha. Assim, depois de assumir meu “figuranatelismo” (risos), me encontrei como artista. Montei meu ateliê, já realizei várias exposições, vendi muitos quadros, dei aulas, fiz doações e me diverto muito com a minha arte.

 

Principalmente, quando vejo o sorriso de felicidade das pessoas queadmiram meu trabalho. E hoje, – com 12 anos na arte e no funcionalismopúblico- sigo meu caminho orientada por Deus (HF)

 

 

 

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