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Terça, 16 Outubro 2018

Edízio Figueiredo Abath

Edízio Figueiredo Abath (Crato) - advogado, banqueiro e juiz do TRE

 

Advogado, banqueiro e juiz do TRE

 

Líder estudantil, jornalista, professor universitário, diretor de banco, empresário, pecuarista, advogado, promotor de justiça, membro da Justiça Eleitoral, são pontos de referência da trajetória de vida percorrida por Edízio Abath, cearense nascido na cidade do Crato, plantada nos contra fortes da Chapada do Araripe, na região sul do Ceará.

 

Nascido a 1º de janeiro de 1930, é o caçula de uma prole de oito irmãos, filhos de Teopisto Filgueiras Abath e Maria de Jesus Abath, ele, como ourives, era tido como um exemplo de probidade profissional e cidadão dos mais respeitados da cidade. Seus outros filhos tinham nomes nada usuais, pelo menos na região do Cariri, tais como: Elífio, Equício, Elígio, Efísio, Edício, Edístia e Élia.

 

Edízio fez o curso primário no Externato 5 de Julho, o ginasial no Ginásio do Crato e o científico no tradicional Liceu do Ceará, em Fortaleza.

 

Aos nove anos de idade integrou o primeiro grupo de escoteiros criado na cidade pelo sargento-instrutor do Tiro de Guerra local, e aos 11 anos foi “promovido” a Monitor-Guia, o mais graduado posto entre os participantes do grupo, que durou de 1939 a 1941.

 

Aluno do Ginásio do Crato, ao lado de Sérvulo Esmeraldo, hoje consagrado artista plástico cearense, e de outros companheiros, fundou em 1945 a primeira entidade estudantil da região do Cariri, a União dos Estudantes do Crato (UEC), da qual foi o primeiro presidente. Também, em companhia de colegas de ginásio, fundou, em 1947 o jornal “Ecos da Semana”, hebdomadário que posteriormente, sob nova direção, mudou de título para “Folha da Semana”. Para os padrões da época no interior, o semanário teve vida longa, circulando até o ano de 1954. Nesse período, aos 17 anos, Edízio Abath obteve o registro de sócio efetivo da Associação Cearense de Imprensa (ACI), ao tempo em que presidia o sodalício o jornalista Perboire e Silva.

 

Concluído o curso científico no Liceu do Ceará, em Fortaleza, deslocou-se a Recife, a fim de prestar o exame vestibular para a Faculdade de Direito, recebendo ao final do curso, em 1956, o diploma de bacharel. Ali mesmo na capital pernambucana se inscreveu na Ordem dos Advogados do Brasil, retornando em seguida à cidade natal, a fim de iniciar-se nas lides forenses, instalando-se no escritório do advogado de grande conceito regional, Raimundo de Oliveira Borges. No ano seguinte, viajou a Minas Gerais, a fim de assumir o cargo de Promotor Público da Comarca de Itambacuri, pequena cidade do interior mineiro. Ali permaneceu apenas um ano, enquanto aguardava a sua nomeação para o mesmo cargo de Promotor de Justiça na cidade cearense de Milagres. Nomeado, ficou no exercício do cargo durante os anos de 1958 e 1959, quando então retornou ao Crato, a fim de abrir sua própria banca de advocacia. Concomitantemente, passou a militar na imprensa, escrevendo para jornais da cidade e da capital, abordando particularmente a questão da eletrificação do Cariri, com energia gerada pela Usina de Paulo Afonso, em apoio ao trabalho nesse sentido desenvolvido pelo deputado Colombo de Sousa. Naquele ano, 1959, convidado pelo prefeito eleito, assumiu a função de Secretário da Prefeitura Municipal do Crato, que em seguida deixou para, dando largas à sua capacidade empreendedora, ingressar no movimento pro industrialização do Cariri, sobretudo através da imprensa, em torno do chamado Plano Azimov, vindo ele próprio a comandar uma fábrica de beneficiamento de mandioca, no Crato, a primeira do gênero nas regiões Norte e Nordeste, produzindo fécula de mandioca que, em porcentagem mínima, era misturada à farinha de trigo na produção de pão. A falta de financiamento obrigou-a encerrar a atividade. Nesse período, também se envolveu junto com outros cratenses no movimento pela criação da Faculdade de Ciências Econômicas, da qual foi professor, tendo lecionado também na Faculdade de Filosofia do Crato e na Faculdade de Direito. Em todas elas como Professor Fundador. Em 1962, instalou-se no Crato a seccional da Ordem do Advogados do Ceará, sendo, atualmente, o único remanescente dos que batalharam pela sua criação.

 

Ainda naquele ano de 1962, dando curso ao seu espírito inquieto, encerrou suas atividades profissionais em sua cidade natal e, com a família, mulher e filhos, mudou-se para São Paulo capital, para assumir a direção do Banco Internacional S.A., em transformação para Banco Agro Pecuário de Campo Grande S.A., permanecendo sediado na capital paulista. Atraído pelo impulso desenvolvimentista da futura capital do Mato Grosso do Sul, largou a direção do banco e se instalou em Campo Grande, onde retomou as atividades advocatícias, ao mesmo tempo em que tentou nova experiência, ser fazendeiro, algo estranho à sua vocação. Em 1964, encerrou tudo e retornou ao Crato onde reinstalou o escritório de advocacia.

 

Cinco anos depois, sensível aos pruridos do viés nômade do cearense, somado à ancestralidade do árabe, cujo sangue também lhe corre nas veias, Edízio Abath resolve, mais uma vez, deixar o Crato e seguir desta vez rumo ao Planalto Central, mais precisamente na direção de Brasília, onde se fixa definitivamente. Na Capital da República abre escritório de advocacia, estendendo sua área de atuação aos estados de Goiás, Rondônia e Minas Gerais. Em 1972, por indicação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, integrou lista tríplice de advogados para preenchimento de vaga de Juiz Efetivo, na classe de jurista, do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal e Territórios. Encaminhada a lista à Presidência da República, foi escolhido e nomeado pelo presidente Garrastazu Medici, tomando posse no cargo no dia 16 de março para o biênio 1972-1973. Em Brasília, como advogado militante, atuou também junto à entidade de classe, a OAB-DF, para a qual foi eleito diretor para o biênio 1977/1978. Outras funções exercidas em Brasília: Chefe da Procuradoria Jurídica da Fundação do Serviço Social do Governo do Distrito Federal e Advogado da Carteira Financeira do Banco de Brasília (BRB).

 

Edízio Abath foi casado com a artista plástica, cronista e compositora Mariza Abath, já falecida, com quem teve nove filhos. Atualmente dedica-se exclusivamente à advocacia. (JJO)

 

 

 

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