SITE EM ATUALIZAÇÃO... Valda Portela Ponte de Magalhães
Quinta, 16 Agosto 2018

Valda Portela Ponte de Magalhães

A menina de Coreaú que se fez empresária na Ceilândia

Valda Portela Ponte de Magalhães nasceu em 14 de agosto de 1966 na fazenda Mosquito, a 30km de Coreaú, a 299,3km de Fortaleza, que faz fronteira com Sobral, filha de Romão Machado Portela e Aldenora Portela Ponte, ele fazendeiro, e ela, professora, pessoas de vida pacata e tranquila, de austeridade e escassez de todos os tipos de bens, como milhões de sertanejos.

 

Muitos irmãos: Coraci, Juraci, Antonio, Miguel, Raimundo, Florência, Lídia, Doralice, Antonia, Maria, Ana e Osana, todos nascidos no Mosquito, onde a luz da noite era da lua e da lamparina. “O fato de não possuirmos energia elétrica nos tornava leigos em alguns assuntos, tanto que quando chegara o veterinário da Embrapa com as vacinas para as cabras, trazidas em um isopor, logo após a vacinação, ele deixara um objeto estranho, brilhante, transparente e gelado. Peguei aquela curiosa pedra, coloquei-a na cerca sob um sol de 40 graus e correra para avisar minhas irmãs sobre o tal objeto. Quando retornei, nada mais havia, me passara como mentirosa, o fato é que o tal objeto, pedra, era gelo, que jamais havia visto.”

 

Valda aprendeu a ler com sua irmã, Lídia. Havia um grupo escolar público dentro da fazenda, o que foi um grande sinal de progresso, onde dona Aldenora ensinava o abc para a meninada. Lídia seguiu seus passos.

 

Aos 11 anos, em 1978, dona Aldenora morreu e Valda foi para Fortaleza, no Parque São José, onde morava sua irmã Doralice. Ali no Parque levou adiante os estudos na escola Henrique Jorge. Mais tarde trocou a casa de Doralice pela de outra irmã, Florência, que morava no bairro Quintino Cunha. O Parque São José e o bairro Quintino Cunha ficam na região da Barra do Ceará.

 

Não se adaptou à vida de Fortaleza. Voltou para a roça e lá permaneceu até os 17 anos, criando bodes e cabras. Em um determinado período, chegou a cuidar de 300 cabritos, fora as cabras e os bodes.

 

Voltou para Fortaleza a fim de trabalhar com seu irmão Raimundo, numa mercearia, no bairro Quintino Cunha, na Barra do Ceará. Por essa época, ela e os irmãos receberam uma pequena herança deixada pelo avô João Guilherme, pai de sua mãe, Aldenora, em Coreaú. “Decidimos montar uma mercearia, eu, Raimundo, Antonia e Osama. Sonhávamos com dias melhores e só restava trabalhar para conseguir alguma coisa.”

 

“Quebramos cinco vezes. Começando, vendíamos fiado, sumiam os clientes e as mercadorias.”

 

Em 1974, Antonio e Miguel vieram para Brasília; suas irmãs, Maria e Antonia vieram depois.

 

Em 1987, em ônibus da Expresso de Luxo, acompanhada da irmã Osana, mudou de armas e bagagens, na verdade com uma malota e poucas roupas. “Foram 36 horas de sonhos, sofrimentos, esperanças. “Confiava em Deus e sabíamos que iríamos vencer.”

 

A família Ponte já estava instalada no setor P Sul da Ceilândia. Todos morando de aluguel. Antonio, trabalhando na Mônica Calçados, ganhou o suficiente para comprar um lote no P Sul. Miguel trabalhava no Núcleo Bandeirante e nos ajudava com cestas básicas e doações. Andrade construiu uma casa para ele na frente e um barraco nos fundos para as irmãs, Valda, Osana, Antonia, Maria e Ana, que chegaram depois.

 

“Eu só queria saber de trabalhar como secretária,” diz. Miguel arrumou-me um emprego no Edifício Oscar Niemyer, no Setor Comercial Sul, na Imobiliária Da Locca, ganhando meio salário mínimo, que não pagava o transporte e a comida. Minhas irmãs acharam humilhante aquela situação e me arranjaram um emprego de vendedora na Casas Jaraguá, do grupo Votorantim, em Taguatinga. Lá passei uma semana, no fundo da loja, sem querer atender ninguém. Mas logo tomei gosto pela venda, fui ficando e trabalhei por nove meses. Acabei sendo a melhor vendedora de oito existentes na loja. ”

 

Sentiu-se segura e confiante e foi até a Loja Riachuelo, no Park Shopping, deixou um currículo.

 

Nesse período, concluiu o segundo grau no Centro VI da Ceilândia e fez o curso de Teologia na Faculdade Teológica Batista de Brasília.

 

Valda, com Osana, Antonia e Maria decidiram comprar uma casinha no Sul, QNP 14, e deixar os fundos da casa do irmão Antonio. Era uma casa original da SHIS que reformaram. “Quanto progresso, meu Deus!”

 

Valda deixou a Loja Riachuelo e montou um negócio com sua irmã Osana. Primeiro, fizeram um teste, comprando mês a mês um pouco de alguma coisa que iam estocando. “Fomos quebrar pedra na QNP 24. Alugamos um ponto. Sofríamos muito com assaltos e com fiado e com oferta limitada de produtos.”

 

Depois de dois anos, conseguimos comprar um lote em frente e de esquina, na QNP 24, para onde nos mudamos. “Batizamos o mercado de Volte Sempre, dentro do conceito de ‘satisfação garantida ou seu dinheiro de volta’.” Osana casou-se com José Peregrino de Souza e foi tocar a vida dela. Botou outro mercado na Samambaia e me deixou. “Foi a segunda vez que fiquei órfã, dependendo de mim mesmo para tudo.”

 

“Com três meses paguei a parte dela na sociedade. Ficou só o ponto. Nesse período, comprei um lote no Riacho Fundo I, para morar e construir minha casa.”

 

Em 2000, Valda casou-se com João Valério Lisboa de Magalhães, paraense de Belém, criado em Brasília, Piracicaba (onde morou oito anos e viu a pujança da cana de açúcar e álcool) e no Rio de Janeiro. João é sargento da PMDF. Do casamento nasceu Lara Sthefany Ponte de Magalhães, em 8 de maio de 2002, cursando o 6º. ano do primeiro grau do Leonardo da Vinci, de Taguatinga.

 

Em 2005, o Mercado Volte Sempre se expandiu com dois lotes, na QNP 24, alcançando uma área de vendas com 480 m2 e com 18 funcionários. Conseguiu comprar o lote do concorrente.

 

Valda tomou então uma decisão, não se expandir, não abrir filial, mas diversificar seus investimentos, em imóveis. Quer ficar com o “Volte Sempre”, apesar do anúncio das grandes redes que estão caminhando em Brasília, para abrir pequenos mercados.

 

Hoje, seu irmão Antonio Andrade é casado com Carmelita de Sá e tem três filhos, possui mercado no Recanto das Emas. Osana continua casada com José Peregrino de Souza e tem duas filhas e também possui um mercado no Riacho Fundo I. Maria casou-se com Doca e tem dois filhos e voltou para o Ceará, em Fortaleza tem uma distribuidora de Gás. Antonia casou-se com José Veríssimo Galvão e tem dois filhos, possuem no Riacho Fundo II uma empresa que vende por atacado só miúdos. Miguel casou-se com Eliene do Rosário e tem quatro filhos, trabalha com construção civil. A Lídia veio para Brasília com sua filha Nádia e hoje está aposentada e pensionista. Ana teve um filho, Pyetro Guilherme em Brasília, que hoje reside comigo e me auxilia como gerente do mercado e uma filha no Ceará, casada com Benedito, no interior onde nascemos e vive como agricultora.

 

“Toda essa história devo a DEUS, à minha família e aos meus sonhos realizados.” (JBSG)

 

Atividades

Visitantes

Total: 15018