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Terça, 16 Outubro 2018

Tarciso Viriato

De administrador do Castelão a pintor consagrado no Brasil e no exterior

Tarciso de Almeida Viriato nasceu em Fortaleza a 30 de outubro de 1950, filho de Edson Coriolano Viriato e Mirtes de Almeida Viriato, ele de Solonópole, antigo Riacho do Sangue, e ela, de Aquiraz. O casal teve quatro filhos, Tarciso, Alice, empresária bem-sucedida, dona do Alice’s Buffet; Cláudio, fiscal do trabalho; e Elizabete, odontóloga.

 

O pai era funcionário do Departamento de Correios e Telégrafos, iniciou a carreira como telegrafista, tendo chegado a diretor regional dessa instituição no Ceará. Tinha a qualidade da pessoa ética, respeitada e admirada. Falava inglês fluentemente. A mãe, dona Mirtes, era dedicada às prendas domésticas. Depois que o marido morreu, em 1984, continuou cuidando da educação dos filhos e da administração do patrimônio familiar.

 

Tarciso fez o curso primário no colégio 7 de Setembro, na avenida do Imperador, onde só tirava 10 em desenho, despertando a curiosidade dos colegas. Cursou o ginasial no Liceu Estadual do Ceará e o curso Técnico de Edificações na Escola Técnica Federal do Ceará, na av. 13 de maio, à época do educador Roberto Barreto, que deu vida e projeção à Escola. Depois, graduou-se em Comunicação Social na UFC, em Administração Pública na UECE e em Direito na UFC. É, portanto, tríplice graduado.

 

“Por que tudo isso? Gostava do ambiente universitário, vivenciava cada oportunidade de novas amizades, confraternização e a prática esportiva. Pensava comigo que, com Comunicação, Administração e Direito teria um tripé de formação humanística para o meu futuro, qualificando-me para enfrentar qualquer possibilidade profissional que pudesse me contentar.”

 

Seu primeiro emprego foi na construção do Castelão, quando contratado pela FADEC. Acompanhou toda a construção do estádio como auxiliar de engenheiro. Com a inauguração do Castelão em 11 de novembro de 1973, o coronel Idalécio Nogueira Diógenes, que era o presidente da FADEC, o promoveu a chefe do setor comercial. Tarciso ficou na FADEC até 1978, quando foi aprovado em concurso para o Banco Central e mudou-se para Brasília.

 

Foi casado com Regina, médica cardiologista e teve três filhos, Aline, a única nascida em Fortaleza, formada em Comunicação, casada com Pedro Simpson, tem um filho, Mateus; Bruno, sociólogo e funcionário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal; e Marcel, administrador, trabalha no Ministério do Turismo. Atualmente é casado com Ana Lúcia, carioca, administradora.

 

Como chegou a ser grande pintor, consagrado em Brasília, no Ceará e no exterior? “Comecei a desenhar menino, seis/sete anos, figuras humanas e paisagens. Durante o colégio e a vida universitária, participei de vários movimentos artísticos, embora soubesse que toda atividade artística era motivo de repressão. Gostava dos encontros de fim de semana no Bar do Anísio, as rodas com os amigos, sempre regadas com muita cerveja e música, a alegria das jovens universitárias que derrubavam tabus sexuais. Também gostava, desde menino, de bater uma pelada no meio da rua com os amigos. Joguei basquete e voleibol no Maguari e no Náutico.”

 

Em Brasília, no Banco Central, trabalhou com o José Valder Nogueira, cearense de Acopiara, no Departamento de Crédito Industrial e Programas Especiais, aposentando-se em 1977. Essa mudança o levou para dentro do atelier em tempo integral, depois de muitos anos de dupla jornada, uma vez que, como técnico do Banco Central, tinha que pintar à noite e nos finais de semana, dando vazão ao dom recebido, que pulsava dentro dele. “Tive sorte, porque as pessoas abraçaram a minha pintura. Fui tocando minha carreira, ampliando horizontes e pegando o trem da história. Sou da geração que ajudou a construir a identidade cultural de Brasília, onde minha pintura deslanchou e sou grato a Brasília por isso.” Em 2003, Tarciso recebeu o título de “Cidadão Honorário de Brasília”, juntando esta a outras importantes premiações e honrarias com que tem sido distinguido ao logo de sua trajetória nas lides culturais.

 

Tarciso está feliz com a crescente valorização e o reconhecimento de seu trabalho. A preferência pelas cores fortes já era uma tendência desde cedo, embalado pelo movimento das ondas do mar e pelo céu colorido cearense. Mas foi em Brasília que Tarciso se firmou como “colorista de carteirinha” e, hoje, com personalidade, é detentor de uma pintura com “sotaque” inconfundível.

 

Com uma atuação intensa no meio da produção cultural de Brasília, Tarciso já conquistou um importante espaço no disputado mercado das artes. Por uma questão de talento e dedicação, seu trabalho abriu fronteiras, estando espalhado pelo mundo e presente nas principais galerias de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Fortaleza, além de museus e importantes coleções privadas.

 

Jamais esqueceu o Ceará. “Sempre me apresento como cearense, modéstia à parte, mesmo porque, como diz o Wilson Ibiapina, a gente sai do Ceará, mas o Ceará não sai de dentro da gente.”

 

Por último, em julho de 2013, voltou a Budapeste para participar dos 50 anos da International Colony of Artists of Hajduboszormeny, onde esteve em 2009, sendo agraciado com o troféu “Kaplar Miklos”, premiação máxima do evento. A entidade está reunindo os 25 últimos campeões que estão vivos. (JBSG).

 

 

 

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