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Terça, 16 Outubro 2018

Rubem Amaral Junior

Embaixador: “Nunca desejei ser protagonista no Itamaraty”

O embaixador Rubem Amaral Junior nasceu em Fortaleza em 23 de janeiro de 1938, filho de Rubem Ribeiro do Amaral, funcionário do Banco do Brasil, nascido em Manaus, que chegou criança ao Ceará, e de Zaida Garcia Amaral, nascida em Fortaleza. Pertence a uma família de classe média, em que Eva se formou em Ciências Contábeis e entrou para a fiscalização do Ministério do Trabalho; Eletra e Cintia fizeram Direito e ingressaram na fiscalização do Ministério do Trabalho; Clara, gêmea de Eletra, licenciou-se em Letras; Erasmo optou por ser bancário; e Ulisses fez concurso para o Banco Central. O avô, Isaac Amaral – filho do abolicionista Isaac Correia do Amaral, que participou das campanhas libertadoras no Ceará e no Amazonas – passou uma temporada em Manaus, como agente aduaneiro.

 

Rubem iniciou-se na alfabetização no colégio Castelo Branco, na Avenida D. Manuel, seguindo depois, quando a família mudou-se para a esquina das ruas Senador Alencar e 24 de Maio, para a Casa das Crianças, na avenida do Imperador, onde fez até o 5º ano primário. O ginasial foi feito no colégio Lourenço Filho, do prof. Filgueiras Lima, e o clássico no Liceu do Ceará, já morando com a família na rua Carlos Vasconcelos, na Aldeota.

 

Aos onze anos, ganhou de presente do pai uma máquina de escrever Royal e o Manual do Datilógrafo, graças ao que se tornou desde cedo exímio datilógrafo, o que lhe foi muito útil em seus sucessivos empregos. Começou a trabalhar cedo, meio menino e meio rapaz, na Casa Souza Matos, na rua Barão do Rio Branco.

 

Em 1956, ingressou na Faculdade de Direito, lembrando-se da figura do prof. Heribaldo Costa, de Introdução à Ciência do Direito, que era muito temido pelo alunado; do prof. M. A. Andrade Furtado, diretor da Faculdade, e de dona Nícia Marcílio, secretária.

 

Trabalhou depois no escritório de corretagem de câmbio de José Carlos Sabóia, seu tio e presidente da Bolsa de Valores do Ceará.

 

Ao terminar o 2º ano de Direito, foi para o Rio de Janeiro, numa primeira tentativa de entrar para a carreira diplomática, “sonho dos meus 14 anos”. Frequentou um curso de preparação dirigido pelos diplomatas Alberto da Costa e Silva, Ivan Batalha e Álvaro Vale. Mas não passou no concurso.

 

Voltando para Fortaleza, retomou os estudos de Direito. Já dominando o inglês, foi trabalhar no London Bank, em 1959-1960. Tendo-se formado em 1960, no ano seguinte ingressou no curso de Geografia da Faculdade Católica de Filosofia do Ceará e, simultaneamente, agarrou a oportunidade de fazer um curso de desenvolvimento econômico promovido pelo BNB/SUDENE/ETENE e Instituto de Pesquisas Econômicas da UFCE, em Fortaleza. Mais tarde, em 1963, foi trabalhar como sócio no escritório privado do prof. Nelson Chaves e da profa. Lígia Chaves, que elaborava projetos para financiamentos do BNB e incentivos fiscais na SUDENE.

 

Em 1961, casou-se com a paraense Ivani Santana Guimarães Amaral, de Belém do Pará, que desde então lhe acompanhou pelos caminhos do mundo.

 

Com o Itamaraty abrindo concurso direto, voltou a se inscrever, em 1963, passando nas provas preliminares realizadas no Recife e, em seguida, na fase definitiva, no Rio de Janeiro. Fez um curso de um ano no Instituto Rio Branco enquanto trabalhava como estagiário no prédio da rua Marechal Floriano. Na sua turma estavam o cearense Augusto César Vasconcelos Gonçalves, de Fortaleza, o filho de cearense, Ruy Nogueira, mais Rafael Valentino, Roberto Abdenur, Bernardo Pericás, Ronaldo Sardenberg, Renato Prado Guimarães, Marcelo Didier e Claudio Sotero Caio, entre outros. Foi nomeado terceiro-secretário pelo presidente João Goulart, mas a cerimônia de formatura foi adiada, realizando-se quando o presidente Castelo Branco quis lançar a plataforma de sua política externa. Sua turma elegeu como paraninfo o embaixador Araújo Castro, que fora chanceler de Jango. Após alguma resistência da direção do IRBr, Araújo Castro pôde fazer seu discurso e receber aplausos. Graças ao seu grande prestígio e à grandeza da Casa, Araújo Castro serviria ainda como embaixador em Atenas, Lima, Nações Unidas e Washington, onde morreu no posto.

 

“Não tenho vocação para poeta ou romancista. Meus principais interesses intelectuais foram as matérias ligadas à minha profissão, como Direito Internacional, Direito Diplomático, História Diplomática e alguma literatura. Nunca disputei cargos nem promoções, e todas as minhas foram por merecimento. Nunca desejei ser protagonista no Itamaraty. Nunca trabalhei em gabinetes. Optei pelo trabalho low profile.” Daí a razão de uma longa permanência, fato inusitado no Itamaraty, na Consultoria Jurídica, com o profs. Cançado Trindade, Vicente Marota Rangel e João Grandino Rodas (hoje reitor da USP), onde foi coordenador-executivo em 1989-1992 e vice-consultor em 1991-92. Atuou, na qualidade de secretário, no Tribunal Internacional de Arbitragem, no Rio de Janeiro, de 1992 a 1996, quando decidiu sobre um litígio de limites entre a Argentina e o Chile. Na Consultoria, destacou as contribuições dos consultores cearenses que lá passaram, como Clóvis Beviláqua, Heráclito Graça e Hildebrando Acioly.

 

Sua trajetória profissional no Itamaraty foi: 3º Secretário, em 1964; 2º Secretário em 1966; 1º Secretário em 1973; Conselheiro em 1978; Ministro de 2ª Classe, em 1990; e Ministro de 1ª classe, em 1998. Serviu em Montevidéu, Washington, Madri, Bogotá e Lisboa, tendo sido embaixador em Tegucigalpa, de 1995 a 2001, e em Belgrado, de 2001 a 2005.

 

Nas suas andanças, constituiu uma vasta biblioteca e uma portentosa pinacoteca de autores nacionais, incluindo os cearenses Antônio Bandeira, Aldemir Martins, Vicente Leite, Raimundo Cela, Barrica e Chico da Silva. Na biblioteca, uma coleção catalogada de literatura de cordel do Nordeste, com milhares de folhetos e outras publicações, em cuja aquisição manifestou interesse a Universidade Estadual da Paraíba. Publicou livros e artigos sobre os falsos títulos de nobreza do Império do Brasil na Cisplatina: Guerras Navais contra os Holandeses no Brasil; Emblemática Lusitana e os Emblemas de Vasco Mousinho de Castelbranco; Empresas Heróicas e Amorosas Lusitanas, Letras e Cimeiras das Justas Reais de Évora (1490) segundo Garcia de Resende; Cancioneiro Devoto Quinhentista da Biblioteca Nacional de Lisboa, bem como sobre a obra do poeta espanhol Jorge Manrique. É sócio-correspondente da Academia Brasileira de Filologia e membro da Sociedade Espanhola de Emblemática, da Society for Emblem Studies e da Associação dos Diplomatas Brasileiros.

 

Rubem tem um filho diplomata, Rubem Guimarães Amaral, atualmente ministro-conselheiro no Cairo, nascido em Montevidéu, quando o pai servia na Delegação junto à ALALC. Casado com Maria Cristina Vázquez Rodríguez Amaral, portuguesa de pai galego, têm dois filhos: Ciro, de 12 anos, nascido em Roterdam; e Danilo, de sete, nascido em Tóquio. (JBSG)

 

 

 

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