Quinta, 24 Maio 2018

Roberto Átila do Amaral Vieira

1º cearense ministro da Ciência e da Tecnologia

Roberto Amaral nasceu em Fortaleza, no dia 24 de dezembro de 1939. Já muito cedo, demonstrou vocação por política e literatura. Menino ainda, aluno do então ginasial do Ginásio Agapito dos Santos, fundado por Lauro Oliveira Lima, participou de diversos congressos estudantis, foi orador e presidente do grêmio escolar do Centro de Estudos Anísio Teixeira, e editor do jornal O Pensador (inspirado em Rodin).

 

Por essa época (1953), ginasiano, ingressa no Departamento Estudantil da UDN.

 

No colégio Estadual, o Liceu do Ceará, foi dirigente do Centro Liceal de Educação e Cultura, ao lado de Beni Clayton Veras Alcântara, Carvalho Nogueira, Moreira Lima, Osmar Alves de Melo e Tarcísio Pinheiro, e orador de sua turma na formatura (1958), a qual, significativamente, levava o nome de ‘Com a Petrobras pelo Brasil’, e seu paraninfo era o deputado Adahil Barreto Cavalcante. Ainda no Liceu, foi um dos editores da revista A Ideia e do jornal estudantil O Liceu, vencedor do concurso de oratória realizado em 1956, cuja banca julgadora foi presidida pelo professor Martinz de Aguiar. Militou na União Cearense dos Estudantes Secundários (UCES).

 

Em 1958, publica o livro Um Herói sem Pedestal, sobre a abolição da escravatura negra no Ceará, de cuja conquista seu avô, Isaac Amaral, foi um dos artífices.

 

Aos 17 anos, foi nomeado oficial de Gabinete do governador Paulo Sarasate, cargo no qual é mantido na administração do governador Flávio Marcílio.

 

Em 1959, no primeiro ano da Faculdade de Direito, integra, a convite de Aquiles Peres Mota, a equipe que iria dirigir o Diário do Povo, jornal de oposição aos governos municipal, estadual e federal, fundado e dirigido por Jader de Carvalho, ex-líder comunista e um dos fundadores da Esquerda Democrática e do PSB, em 1947.

 

Estudante de Direito na UFC, tornou-se liderança universitária, atuando no Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. Foi dirigente da União Estadual dos Estudantes do Ceará (UEE). Sua liderança o levou a eleger-se vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) para o mandato 1961 a 1962, quando ingressa no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Findo o mandato, regressa para Fortaleza, retoma seu curso na Faculdade de Direito e ingressa na Faculdade Católica de Filosofia do Ceará.

 

Em 1963, assume o cargo de assessor sindical e estudantil do governador Virgílio Távora (Ceará), de onde, com o golpe de 31 de março, se afasta. Começa aí uma longa saga de luta, sobrevivência e enfrentamentos com a repressão que só terminaria com o fim do regime militar, em 1984, embora voltasse a ser preso, em plena democracia (governo José Sarney, ministro da Justiça o jurista liberal Paulo Brossard) no episódio da exibição proibida do filme Je Vous Salue, Marie.

 

Apesar dos IPMs e processos a que respondia, inclusive na Universidade Federal do Ceará e na Faculdade de Filosofia, conseguiu concluir o curso de Direito (1964) e obter o título de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Ceará, em 1964.

 

Com a ascensão do regime militar, voltou a atuar no Partido Comunista Brasileiro (PCB) no Ceará e, depois, já no Rio de Janeiro, para onde se desloca em dezembro de 1965.

 

Em 1968, outra vez divergindo da linha do PCB, ingressa (1968) no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e vai atuar ao lado de Mário Alves, Jacob Gorender e Apolônio de Carvalho, Aytan Miranda Sipahi e Valton Miranda Leitão.

 

Em 1966, foi trabalhar como redator na Fundação Getúlio Vargas, e, pelas mãos de Aguiar Dias, ministro do TFR aposentado e cassado pelo regime militar, passa a coordenar o repertório enciclopédico do direito brasileiro e ingressa na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro como professor de Economia Política. Na Fundação Getúlio Vargas foi editor de sua editora, empreendendo um largo trabalho de modernização.

 

Durante o governo Geisel e parte do Governo Figueiredo é articulista do Jornal do Comércio, do Rio, escrevendo duas vezes por semana uma coluna de crítica à política econômica do governo militar.

 

Com a redemocratização de 1984, retorna à atividade política legal, transformando-se num dos mais importantes refundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB), em 1985, com Jamil Haddad, Antônio Houaiss, Evandro Lins e Silva e Evaristo de Morais Filho que integraram a Comissão Nacional Provisória do Partido.

 

Do PSB foi seu secretário-geral entre 1985 e 1993 e, em seguida, vice-presidente, assumindo a Presidência em 2005, quando Miguel Arraes adoeceu, e, posteriormente falece, e, em 2006, foi coordenador do Programa de Governo do candidato do PSB à Presidência pelo PSB, em 2002, e de todos os programas de governo do Partido, desde sua refundação.

 

Foi ministro de Ciência e Tecnologia de janeiro de 2003 a 2004, no governo Lula, implantando uma nova política. Deu ênfase à pesquisa, defendeu e expandiu os programas nuclear e espacial, foi um dos artífices da retirada do Congresso, pelo governo brasileiro, do acordo Brasil-Estados Unidos para a exploração da base de Alcântara, e negociou novo acordo com a Ucrânia, mais favorável ao nosso País.

 

Em 2007, assume, como diretor-geral brasileiro, a missão de montar e instalar a Alcântara Cyclone Space (ACS), empresa binacional criada pelos governos do Brasil e da Ucrânia, a partir de Alcântara, no Maranhão, e, assim, salvar o programa espacial brasileiro. Deixa a empresa em 2011, após conseguir dar início às obras civis na Península de Alcântara.

 

É professor adjunto (licenciado) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e professor titular da Faculdade Hélio Alonso.

 

É membro titular do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), do Pen Clube do Brasil, da Internacional Political Science Association, da International Association of Judicial Methodology.

 

Atualmente, é primeiro vice-presidente e coordenador de relações internacionais do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e editor da revista acadêmica Comunicação&Política. Colabora na versão online da revista Carta Capital, é conselheiro do BNDES e da Itaipu Binacional. (JBSG com RAAV)

 

 

 

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