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Terça, 16 Outubro 2018

Pedro Linhares de Aguiar

 Pedrinho , engraxate da SCS,que transformou sua cadeira em ponto de reunião de amigos.

Pedro Linhares de Aguiar, o Pedrinho, quando chegou a Brasília, em 1972, seu pai, Benedito Ricardo Alencar, aqui já se encontrara, pois viera em 1971 para trabalhar como peão de obra, na Construtora Rabelo. Veio para tentar a vida, já que no Mulungu, onde nascera, com seus irmãos, tudo ficara abandonado com a partida dele, que era pequeno agricultor. Pedrinho nasceu em 29 de julho de 1956.

 

Em 1972, Pedrinho com sua mãe, Filpo Linhares de Aguiar, também de Sobral, junto com seus irmãos, Francisco, Laura, Benedita, casada com o primo, também engraxate no Setor Comercial Sul, José Antonio Ricardo de Aguiar, e Conceição, todos pobres e sem estudos, vieram para Brasília , no ônibus da Ipu.

 

Todos foram morar na Via Buritis, em Planaltina, a 40km de Brasília.

 

Inicialmente trabalhou numa mercearia na Vila Buritis, na Q 4, Conj. A, Lote 20. Tinha 16 anos. Era menino ainda. Mais tarde chegou a ter um barzinho, mas também não deu certo. Tomou uma decisão, foi ser engraxate no Setor Comercial Sul, à época ainda deserto e com reduzido fluxo de pessoas.

 

Instalou sua cadeira e sua caixa de serviço na Galeria do Edifício São Paulo, onde já trabalhavam Elton Janeton, Boliche e Pernão, que não lhe proporcionaram uma boa acolhida. Aumentava a concorrência, “Farinha pouca, meu pirão primeiro”, argumentaram e se organizaram para afastar Pedrinho da Galeria. Motivo torpe: “Ciúme de homem é complicado”, afirma. Pedrinho era o preferido entre nove dos 10 clientes que apareciam. Havia fila de espera para sentar na sua cadeira. Inveja? Certamente.

 

Pedrinho resistiu ao ataque e venceu, não era apenas um engraxate, “Eu fazia da minha cadeira um ponto de encontro entre amigos. Os corretores de imóveis enquanto esperavam para engraxar os sapatos acertavam negócios. Eu preciso de um apartamento, um dizia. O outro respondia, estou vendendo. Todos faziam o jogo da oferta e da procura”.

 

Voltou ao Ceará em 75 para se casar, na Igreja do Patrocínio, em Sobral, com a prima Maria José Linhares Aguiar, deixando no seu lugar, para garantir espaço, na Galeria com seu pai, Benedito Ricardo Aguiar.

 

Quando retornou de Sobral, trouxe também o primo Valdeci Linhares Ricardo, irmão de João Batista Linhares Ricardo, o Babosinha, que foi trazido para Brasília com os outros irmãos e pais em 1975.

 

Pedrinho teve como clientes pessoas importantes: ministros Maurício Correa, José Guilherme Vilela, Valmir Campelo, o desembargador Estevão Maia, os advogados Célio Silva, (pai de Fernando Neves e Henrique Neves), Estênio Campelo, Pedro Calmon, Osmar Alves de Melo, Carlos Ananias Barbosa, Jason Barbosa, Celso Renato D’Ávila, Sigmaringa Seixas, Célio D’Ávila, procurador Celso Cijone, tabeliões como Humberto Gomes de Barros e Geraldo Malvar, senador Gim Argello, empresário Celso Kaufman, jornalistas, médicos, dentistas, corretores de imóveis como Mário Pereira, o Mário Baiano, Eraldo Ramos, Natanael de Tolosa, Pedro Correa Severino Ramos, e o corretor de seguros Rodrigo Durante, cearenses ou não.

 

Do seu casamento nasceram quatro filhos: Vanderli Linhares de Aguiar, formado em Engenharia da Computação, analista de sistema do Ministério da Fazenda, mora no Mangueiral; Vanderleia Linhares de Aguiar, formada em Administração de Empresas, com pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas; Vanderlania Linhares de Aguiar, formada em Administração e Marketing, com pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas; e Vanderlanio Linhares de Aguiar, analista de sistema do Tribunal Regional Federal da 1ª. Região, mora em Sobradinho.

 

Durante 35 anos, Pedrinho trabalhou duro no Galeria do edifício São Paulo, tinha dia que chegava às seis e terminava às 19, ao começar a Voz do Brasil. Eram 12 horas de pedreira, um cliente atrás do outro. Chegou a atender num dia 70 pessoas. Muitos clientes traziam sacolas com sapatos e havia clientes que mandavam os motoristas levar os sapatos para engraxar. Isso lhe custou doenças do trabalho, especialmente nos braços e nas mãos. Tinha dia que levava a marmita de volta pra casa, pois não tinha nem tempo de almoçar.

 

Quando se aposentou, os médicos lhe disseram que teria que reduzir o ritmo, praticamente impossível para levar adiante o projeto de vida de seus filhos, todos formados, e pós-graduados, o que o inclui na categoria das pessoas bem-sucedidas.

 

Nenhum deles quis seguir a profissão do pai, mas todos têm orgulho dele pelo que conquistou com muita dedicação.

 

A repórter Mariza de Macedo Soares, do Jornal do Brasil, em 2 /6/2004 traçou o perfil de Pedrinho que hoje está emoldurado no Box 107, da Ala B, do Shopping Popular, para onde se mudou com os primos engraxates, há cinco anos. Mas eles não aguentaram, passaram adiante os boxes e voltaram para a Galeria do Edifício São Paulo, do Setor Comercial Sul. Aliás, a família controla todos os espaços de engraxataria da Galeria: lá estão um irmão de Pedrinho, Francisco, seu cunhado, José Antonio, Babosinha, e seus primos Valdeci e Raimundo. Eu fiquei, e há cinco anos aqui estou sozinho e com poucos clientes. Muitos dos antigos vêm aqui e deixam suas sacolas. Mudei o meu ritmo de vida, trabalhando apenas de terça a sexta-feira.

 

Pedrinho, com as economias obtidas com a escovas, as flanelas, as graxas, as tintas, garantiu sua aposentadoria, distante do INSS, construindo um pequeno edifício em Planaltina na Quadra 3, Conj. H, Lote 40, onde tem um apartamento e duas lojas no térreo, uma das quais alugada ao Laboratório Sabin.

 

A edição do Jornal de Brasília, de 21/4/1995, publicou reportagem sob o título “O melhor de tudo”, em que Pedrinho aparece engraxando sapatos. (JBSG)

 

 

 

 

 

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