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Terça, 16 Outubro 2018

Normando Parente

Normando Parente (Santa Quitéria) O Careca que brincava com a arte de fazer televisão In memoriam

 

Tudo o que ele sonhava era ter um radinho de pilha e um óculos RayBan. Pelo menos, era o que o cearense de Trapiá, município de Santa Quitéria, a pouco mais de 200km de Fortaleza, Normando Parente, meu pai, dizia a minha bisavó na época em que estava de mudança para o Rio de Janeiro. De lá até os últimos dias de vida, o “Careca”, como era chamado pelos amigos, percorreu um caminho que lhe deu muitas emoções e lhe trouxe uma cultura de mundo jamais pretendida.

 

O “careca”, jornalista e cinegrafista, conheceu a fundo os bastidores da notícia e acompanhou de perto entrevistas das mais engraçadas e polêmicas que realmente marcaram sua trajetória profissional. Papai é filho de Thieres Mesquita Pinto e de Albetiza Timbó Parente. Meu avô era do Distrito de Macaraú, às margens do sangradouro do açude Araras, e minha avó era do Trapiá mesmo. Normando foi criado pelo meu bisavô, Jocundo Parente, nas várias fazendas que ele tinha em torno do pequeno distrito de Trapiá. Ele me contava que gostava muito de uma delas, a chamada “São Cristovão” e, por ironia do destino, ele foi morar no bairro de mesmo nome no Rio de Janeiro, onde tudo começou, aos 17 anos, pensando em vencer na vida.

 

Lá ele serviu ao exército, por necessidade de moradia e de emprego, não ficou mais de um ano. Depois disso, através de um anúncio de jornal, foi ser figurante de um filme de cinema, participando de mais dois. Procurando novos horizontes, veio pra Brasília em outubro de 1968. Como tinha experiência em cinema, resolveu pedir emprego na Rádio Nacional. Depois de um estágio, foi contratado como operador de áudio.

 

Dois anos mais tarde, fez um curso de eletricista e começou a trabalhar na montagem dos transmissores da Rede Globo de televisão. Dentro da emissora, Careca passou a operador de áudio e mais tarde a auxiliar de cinegrafista, ele dizia que a oportunidade surgiu porque ninguém do Rio ou de São Paulo queria vir para Brasília, faltava mão de obra.

 

Com isso, trouxe todos os irmãos para trabalhar na capital do País, e todos passaram pelas emissoras de TV daqui: Jocundo Parente Neto veio em 1971, passou pela Band, pelo SBT e é Gerente de Operações da extinta Radiobrás, hoje TV Brasil; Luiz Gonzaga Pinto, o conhecido “Carequinha”, veio em 1972 e está na Rede Globo há 41 anos, como repórter cinematográfico (o mais antigo da Globo Brasília); Francisco Rogério, “Pau de Broca”, veio em 1975 e passou pela Band, Globo, Capital e hoje é empresário, no ramo das confecções. Salustiano chegou a Brasília em 1978, trabalha de fotógrafo, na Câmara dos Deputados. Thieres Mesquita seguiu o caminho de papai e foi da Globo, Bandeirantes, TV Educativa do Rio, TV Mendes Júnior, no Iraque, e hoje é dono de uma produtora chamada Mundial Filmes e, também, de uma rádio FM, em Juazeiro do Norte, no nosso querido Ceará; o mais novo, Afonso Parente, veio pra Brasília nos anos 80, trabalhou em produtoras na cidade e hoje é dono da Rádio Parente FM, em Roraima.

 

O “Careca” encaminhou todos os irmãos, que fizeram a vida e constituíram família na capital do País. Papai casou-se duas vezes e teve como filhos: Com mamãe, Idália Borges, teve a mim (Filipy Parente), Bárbara Borges Parente e Janaína Borges Parente. Janaína tem dois filhos: Pedro Parente Pacheco e Marina Pinheiro de Araújo Borges Parente. Bárbara tem uma filha chamada Maria Fernanda Graça Costa Parente. Com Micheline Mourão (com quem viveu dois anos), teve Isabela Parente e José Normando Parente Filho.

 

Foi do meu saudoso pai a primeira entrevista do presidente Ernesto Geisel, no trem bala que ia de Tóquio a Kyoto, no Japão. Seu trabalho como repórter cinematográfico lhe permitiu conhecer o mundo inteiro.

 

Uma vez foi chamado para ser correspondente na Alemanha, mas desistiu e assumiu a campanha do então candidato à presidência, Aureliano Chaves. Participou da vida cotidiana do poder do presidente Médici até Sarney, tempo em que foi supervisor de Imprensa.

 

Normando Parente também foi diretor de cinema, produzindo e dirigindo os filmes de longa-metragem Nome, Súplica e o curta Home Bicho, todos exibidos no Festival de Cinema de Brasília. Em 1987, abriu o próprio negócio, a Jornalismo Eletrônico, misto de produtora, agência de notícias e agência publicitária, onde desenvolveu milhares de filmes publicitários e foi responsável pela campanha política do senador Afonso Camargo, candidato a presidente da República (Afonso Camargo foi criador do vale-transporte, ministro e deputado) e de muitos outros políticos na capital federal e em outros estados.

 

Em 1996, o “Careca” conseguiu a concessão de uma emissora de televisão em Planaltina de Goiás, na região do entorno de Brasília. Lá fez muito sucesso, apresentando um programa por meio do qual ajudava a população de baixa renda da cidade a ter uma vida mais digna. Normando foi um pai maravilhoso, um profissional invejado e competente, um pessoa de visão, um amigo meu de quem sinto muita saudade. Ele teve cinco filhos, eu segui os seus passos, também sou jornalista, radialista e, principalmente, seu fã número um. (FP)

 

 

 

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