Quinta, 24 Maio 2018

Nilton Pessoa Cavalcante

 Construiu pelo Brasil pontes, estradas, vilas e quartéis.

“Cearense, em princípio, é um poliglota. Não tem língua que não entenda. Se não entender, compreende.” “Sou do tempo em que não se tinha água para beber e comida para comer. Ninguém morreu. Cearense não morre, desaparece. Todo cearense se conhece. O cearense anda armado, municiado e com um cartucho reserva. O cearense não tem limite territorial, o mundo é seu lugar, o Ceará é seu berço. Quando se encontra com um cearense, tem-se papo para mais de uma semana. Cearense não descansa, para pra pensar.”

 

Este é o general Nilton Pessoa Cavalcante, nascido na Fazenda Bela Vista, a 16km (quase três léguas) de Iracema, em 20 de dezembro de 1935, a 278,2km de Fortaleza, 3h59 de viagem de carro, filho de José Cavalcante de Oliveira e Maria Pessoa Cavalcante, de tradicionais famílias do Ceará. José era filho de Manuel do Nascimento de Oliveira e Maria Cavalcante Alves. Dona Maria era filha de Antonio e Maria Romana Pessoa. É uma homenagem do Ceará a seu escritor maior e criador, José de Alencar.

 

Seu pai, José, plantava, quando tinha inverno, feijão e milho para sobrevivência. Fez um açude, para ter água. Tinha um pouco de gado e criação, além de um engenho para rapadura e uma casa de farinha.

 

O casal teve oito filhos: Terezinha, Milton, Nilton, Iraci, Francisco, Jurandir, Margarida e Raimundo Floriano, todos vivos.

 

Quando tinha oito anos, conheceu as primeiras letras. Eles e seus irmãos tiveram várias professoras na Fazenda, uma delas Catarina Maia Pinheiro.

 

Dona Maria, sua mãe, faleceu aos 32 anos, deixando os oito filhos menores. Seu pai foi buscar sua sogra, dona Maria Romana Pessoa para tomar conta dos meninos. Era menino demais e ela só aguentou três meses. José foi atrás da profa. Catarina Maia Pinheiro, que morava em Itaú-RN. Voltando para Fazenda, reuniu a família. “Vou casar com a Nenem (Catarina). Ela vai ser a mãe de vocês. Mas como não é natural, chamem de madrinha.”

 

José e Catarina tiveram mais oito filhos. Cada filho do primeiro casamento era padrinho de um do segundo, mantendo a relação de afilhados. Nasceram: Raimundo Nonato, Wilson, Vera, Antonio, Tarcisio, Junior, Manuel e Maria do Socorro.

 

Para manter os 16, José abriu um comércio na fazenda. “Todos compravam no caderno para pagar na safra. Não tinha moeda.”

 

Milton e Nilton foram mandados para a casa da prima Salete Cavalcante, em Apodi-RN a fim de concluir o primário.

 

A peregrinação pelo RN continuou em Mossoró, em casa de Romana Pessoa de Albuquerque. Lá fez o ginásio no colégio Diocesano e na escola pública municipal, onde conheceu, em 1952, aquela que seria sua futura esposa, Maria Vilani Fernandes Cavalcante.

 

De Mossoró foi para Fortaleza. Pensava em ser médico. Entrou para o Liceu, a fim de fazer o científico. Não pensava em ser militar. Animou-se quando viu um amigo que se preparava para a Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza.

 

Passou no concurso para a Escola em 1953 e, em 1955, já estava na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende-RJ. Escolheu a arma de Engenharia. Em 1959, voltou ao RN, para Caicó, como aspirante a oficial e para servir no 1º. Batalhão de Engenharia de Construção.

 

Em dezembro casou-se com Maria Vilani na Catedral de São Vicente, que foi a principal defesa contra Lampião.

 

Em Caicó, nasceu seu primeiro filho, Nilton José Fernandes Cavalcante, que se formou em Medicina no Rio de Janeiro, hoje é médico em São Paulo, casado com Teresa Cavalcante, médica, com dois filhos, Afonso e Rodolfo.

 

Em 1961, serviu em Campina Grande-PB. Estudou para fazer o Instituto Militar de Engenharia (IME) passou, foi morar no Rio de Janeiro.

 

Três filhos nasceram no Rio de Janeiro, em 1962: Maria Luiza Cavalcante Fernandes, bióloga, advogada, com seus filhos Teresa Rachel, também advogada, trabalha na CEF, em Brasília; Miguel, engenheiro civil da Odebrecht; e Beatriz Helena, advogada. Em 1963, nasceu Paulo Henrique Fernandes Cavalcante, engenheiro civil, no DNIT, é prof. de Engenharia Civil, na UnB, com filhos, Elizabeth, fazendo Arquitetura e Mariana, estudante. Em 1964, veio Ana Lucia Cavalcante Fernandes, psicóloga, com um filho, Felipe.

 

De 1966 até 1971, após terminar o IME, foi para Salvador-BA servir na Comissão de Obra da 6ª. RM, quando implantou casas e quartéis, a Vila Militar de Pituba e o Quartel do 35º. BI em Feira de Santana.

 

Em Salvador, foi promovido a capitão, lá nascendo dois filhos: em 1966, Jorge André Fernandes, administrador, pelo CEUB, com dois filhos, Luiza, formanda em Direito, e Jorge Augusto em 1969; e Antonio Ricardo Cavalcante, que fez o Rio Branco, serviu na Inglaterra, Estados Unidos e México, onde adoeceu gravemente e faleceu em São Paulo.

 

Em 1971, fez a ESAO, no Rio de Janeiro, terminando em 1972, quando foi designado para o 9º. BEC, em Cuiabá-MT. Trabalhou na Cuiabá-Santarém, fez a manutenção da BR 364 de Rondonópolis-Barracão Queimado-RO. Em Cuiabá, construiu a Vila Militar do 9º. BEC e foi promovido a major, lá teve companhia do tenente Enzo Martins, atual comandante do Exército, que trabalhava na secção técnica do 9º. BEC.

 

Em 1973, o general cearense Henrique Eduardo Ellery, diretor de Obras Militares, em Brasília, esteve em Cuiabá e o convidou para servir em Brasília, chefiando a Comissão Especial de Obras que implantou o QG do SMU, os quartéis do BGP e do RCG, a Vila Militar no SMU, os blocos na 102, 203, 303, 306 e 305 Norte, e 209, 102, 304 e 112 Sul. Depois, foi nomeado para a Diretoria de Obras Militares (DOM), no QG.

 

Em 1979, fez a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), classificado para o 2º. Grupamento de Engenharia e Construção em Manaus e supervisionar os BECs de Porto Velho, Boa Vista, Rio Branco, Santarém, Cuiabá, e São Gabriel da Cachoeira.

 

Em 1982, foi promovido a tenente-coronel. Assumiu a Comissão de Obras da 11ª. Região Militar, em Brasília, onde ficou até 1984.

 

Em 1985, foi promovido a coronel e designado para servir na DOM. O ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, criou o curso de Política Estratégica de Alta Administração do Exército, o CPEAEX. Fez o curso e, em 1988, foi nomeado para o Departamento de Engenharia e Comunicações (DEC).

 

Em 1991, foi promovido a general e designado para dirigir a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, com sede em Brasília.

 

Em 1995, depois de 30 anos de dedicação ao Exército, foi para a reserva. (JBSG)

 

 

 

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