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Quinta, 16 Agosto 2018

Moacir Anastácio de Lima

A força que vem da cruz. O padre que reúne multidões em Brasilia nas festas de Pentecostes.

No seu caminho, ouviu vozes que lhe disseram: “Paciência! Calma! Espera um pouco e tudo vai ser diferente!”; “Paciência, tudo passa!”; “Eis que estou à porta e bato, se abrir entrarei!”; “Sê bem vindo! Tu chegaste. Eu venci, estás aqui!!” “Eu te quero padre!” “Serás padre, só padre, sempre padre! Eu estarei contigo, não tenhas medo.”

 

O padre Moacir no livro de seus pensamentos e ideias A Força que Vem da Cruz, em 10ª. edição, narra sua trajetória, centrando-se na catequese e nos ensinamentos do catolicismo, sendo ele uma das referências do Movimento de Renovação Carismática, nascido no Concílio Vaticano II.

 

“A primeira vez que me encontrei com Deus foi no meio do lixo. Talvez não tivesse nem cinco anos. Era apenas uma criança da roça, que nada conhecia da vida. (...) Foi quando os meus olhos de criança brilharam diante de folhas de papel jogadas ali. Uma das folhas chamou minha atenção. Aquela folha tinha um desenho: eram três homens crucificados. (...) Diante da fome que passei na minha infância, lembro-me das palavras de meu pai: ‘Deus dá’. É interessante, mas quando não tínhamos o que comer, meu pai dizia: ‘Deus dá’. (...) Uma noite, já muito tarde, eu deveria estar com doze anos e me lembro que fiquei de joelho diante das imagens que tinha na parede de nossa casa.”(...)

 

Mais tarde, com 16 anos, foi a Canindé, com seu pai, onde há a Basílica dedicada a São Francisco de Assis. Quando foi se confessar pela primeira vez e o padre lhe disse: “fale os seus pecados”. “Ainda sem saber bem o que deveria dizer, olhei para ele e falei: ‘Eu não tenho pecados’.” Prometeu que um dia voltaria a Canindé e voltou como padre, 20 anos depois.

 

Aos 17 anos, só conhecia a roça de seus pais e Canindé, tomou a decisão de deixar o Ceará e vir para Brasília ganhar a vida, como fazem todos os cearenses. Foi parar na M Norte, em Taguatinga, e de cara foi assaltado, levaram-lhe o relógio velho que trouxera. Naquele dia encontrou um velho barraco “sem piso e sem esperança”, onde a dona o acolheu dizendo que poderia pagar o aluguel no fim do mês. Encontrou emprego em um hotel, para fazer limpeza em todos os cantos, depois foi recepcionista. Conheceu os amigos, os barzinhos, as festas, as primeiras namoradas, “conheci a noite escura de uma alma, conheci o porão da humanidade, conheci o mundo e o lamaçal”.

 

Passou seis anos no hotel, só uma vez chegou atrasado 10 minutos, foi despedido em 1985 e foi para o convento dos franciscanos de Anápolis, onde ficaria sete anos, quando terminou o curso médio. Voltou para Brasília, encontrou-se com seus familiares. Procurou dom Raimundo Damasceno, que o convidou para entrar no Seminário. Passou pelos quatro anos de Filosofia e pelos três de Teologia. Recebeu o acolitado das mãos de dom Alberto Taveira Correa, na Paróquia Maria Imaculada do Guará. Mais tarde passaria por uma experiência na Paróquia de Nossa de Fátima, em Sobradinho, além de pastorais na Ceilândia e Planaltina, quando recebeu a missão de evangelizar o Vale do Amanhecer, onde venceu desafios e implantou a capela de Nossa Senhora Aparecida, afrontando a comunidade espírita.

 

Já no terceiro ano de Teologia, teve que enfrentar dificuldades no seminário. Negaram-lhe o diaconato, o que lhe caiu como um peso. Teve que fazer um quarto ano. Para contornar as dificuldades, humilhações, provações e desconfianças suscitadas, procurou o então cardeal arcebispo de Brasília, dom José Freire Falcão, seu conterrâneo de Ererê. Tudo foi resolvido e a imposição do diaconato foi marcada para a paróquia de São Sebastião, em Planaltina, na festa de são Pedro e São Paulo. Recebeu o diaconato das mãos de dom Jesus Rocha, bispo auxiliar de Brasília. Mais tarde, em 19 de novembro de 1996, ocorreria a ordenação a sacerdote, na Catedral de Brasília, com a presença do cardeal dom José Freire Falcão, junto com seis colegas. “Eu tinha sido ungido para consagrar, abençoar, absolver a culpa dos pecados. Isso não era pouco. Em seguida minha mãe, Sebastiana de Sousa Carvalho, desatou minhas mãos e eu lhe dei a minha primeira bênção sacerdotal. Ela recebeu com tanta emoção que quase desmaiou.”

 

Foi um grande acontecimento e o padre Moacir foi surpreendido com faixas de aparente desagravo, como a do Vale do Amanhecer: “Pe. Moacir, você venceu todos os inimigos! Parabéns, nós o amamos”.

 

Foi então para o Seminário Nossa Senhora de Fátima para a recepção. Recorda: “foi uma grande festa, a fila do abraço era grande. Depois da festa, eu me aproximei da minha irmã e lhe disse: “Vamos”. Ela foi estendendo a mão e entregando a chave da casa. “Vou apresentar Brasília para a minha mãe e meu irmão, mas logo estarei em casa!” “Quando senti que alguém se sentou no banco do passageiro, aquela forte presença encheu o carro, eu olhava e não via, mas ali estava alguém que me amava, que me acolhia e se alegrava comigo, eu não tive dúvida, ele estava ao vivo, era real. Comecei a chorar e, do Lago Sul até Samambaia, foi um choro só.”

 

De 1996 a 2013, nestes 17 anos, a trajetória de padre Moacir tem sido de vitórias, uma atrás da outra, na sua ação pastoral, missionária e evangelizadora. Fez parte dos ícones da Renovação Carismática que receberam apoio do papa Francisco que quer a Igreja mais perto dos fiéis. É isso que padre Moacir faz com a Pentecostes, que se transformou no maior evento católico de Brasília, por sua voz e sua determinação.

 

Padre Moacir tem escrito vários livros par a Comunidade dos Renascidos em Pentecostes. A Força que vem da Cruz foi o primeiro. Depois vieram Palavras que Transformam, com reflexões sobre a Paixão e morte de Jesus; Palavras de Fogo, com textos bíblicos; Caminhando com Jesus Cristo, vol. 1, textos divulgados pela sua rádio na internet; O Poder da Pregação; Os Dons do Espírito Santo; Os Frutos do Espírito Santo; Caminhando com Jesus Cristo vol. 2 ; e, mais recentemente, Irmãos, Eu Vos Escrevo, com apresentação de Cricia Martins, da Comunidade Renascidos em Pentecostes, em que segue a tradição das Cartas de São Paulo. (JBSG)

 

 

 

 

 

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