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Terça, 16 Outubro 2018

Fernando César Mesquita

Fernando Fernandes Lima (Uruoca) taxista

 

Meu testemunho

 

Somos, nesta data, eu e o ex-deputado e ex-prefeito de Granja, Esmerino Arruda, os sobreviventes do grupo que fundou a Casa do Ceará em Brasília, em 15 de outubro de 1963.

 

Foi o deputado Chrisantho Moreira da Rocha que fundara a Casa do Ceará no Rio de Janeiro, então capital da República, que nos convocou para participarmos do projeto que inicialmente acolheria os cearenses que migravam em grandes grupos para Brasília, atendendo-os nas suas primeiras necessidades.

 

O projeto era assistencialista e marca a institucionalização da cearensidade no cenário brasileiro, nele se empenhando o próprio Chrisantho, que o transformava em realidade, a começar por seu próprio apartamento funcional, no qual disponibilizava camas e redes, alimentação e até pequenas quantias para transportes. Ele conseguiu a área inicial, de 15 mil metros quadrados, quando a Prefeitura de Brasília ofereceu o espaço a grupos de todos os estados para que pudessem instalar suas representações. Fomos praticamente os únicos que o fizemos e não contamos com recursos públicos da União, do DF nem do Ceará. Chrisantho pôs seu dinheiro aqui, bem como seu sucessor, Álvaro Lins Cavalcante. Dona Mary Pessoa pôs sua vida e contou com a generosidade de dona Luíza Távora.

 

A Casa se consolidou e foi ficando, marcando presença na sociedade brasiliense. Com doações particulares, aqui se instalou parte das bibliotecas de José Colombo de Souza e de Mauro Benevides, que se juntaram à Padaria Espiritual, copiada de Antonio Salles, que foi o embrião de nossa biblioteca, à qual se somariam a pinacoteca, com uma seleta coleção de obras de mestres cearenses, como Raimundo Cela, Aldemir Martins, Vicente Leite, Antonio Bandeira, e o Museu de Artes e Tradições do Ceará, ampliado para ser uma unidade representativa da cultura nordestina.

 

Simultaneamente, o projeto assistencial se ampliou com a oferta de assistência à Saúde, com clínica médica e odontológica. Mais tarde vieram os cursos de língua e os de formação profissional, que se transformaram em referência.

 

Os grandes eventos juninos e o “Luar de Agosto” deram visibilidade à Casa e por lá passaram grandes nomes da MPB, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Fagner, Ednardo, Belchior, Luís Vieira, Evaldo Gouveia, Ivonildo, Waldonys.

 

A contribuição de Mauro Benevides foi fundamental para a implantação do parque aquático e o ginásio de esportes, hoje academia. Mais adiante, ganhamos uma nova área de 15mil metros.

 

Depois de muito relutar, acabei presidente da Casa que ajudei a fundar e decidi que tudo o faria para alongar a vida desta instituição que nos orgulha, com o projeto Fausto Nilo, que marcará praticamente sua refundação para mais 50 anos, chegando ao centenário. Se hoje temos 6 mil metros de área construída, em condições acanhadas, a nova Casa terá 12 mil numa área de 15 mil, com todos os equipamentos necessários à sua autossustentação com a marca da modernidade. Contei com a visão de futuro do governador Cid Gomes e, quando implantada a nova Casa, será incluída como patrimônio urbanístico, paisagístico e turístico do DF.

 

Meu testemunho é o de reconhecimento a todos que trabalhamos para que a Casa do Ceará permanecesse ativa e disseminando o nosso espírito cearense em Brasília. A Casa representa a criatividade, a solidariedade, o empenho, a determinação, o melhor do nosso patrimônio material e imaterial fora das fronteiras do nosso estado, em benefício não apenas dos conterrâneos do Ceará e do Nordeste, mas de Brasília e do Brasil. Se nós, lá atrás, fomos capazes de fundá-la, acredito que outros, lá na frente, poderão mantê-la com sua vocação de servir e de abraçar os brasileiros.

 

Nesta oportunidade, não poderia deixar também de agradecer ao Ivens Dias Branco pelo apoio que nos deu na feitura deste livro relativo aos 50 anos da Casa e que, a exemplo do outro, lançado por ocasião dos 50 anos de Brasília, conta a nossa história – de tantos cearenses que por aqui passaram ou ainda estão, e que com o seu talento, seu braço, seu amor, sua contribuição, com suas famílias, pais, filhos, netos, fizeram de Brasília nossa segunda pátria.

 

 

 

Brasília, 15 de outubro de 2013.

 

 

 

Fernando César Mesquita

 

Fundador

 

Ex-presidente

 

1º. Vice-presidente

 

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