Quinta, 24 Maio 2018

Maria Laura Pinheiro

Ex-deputada-federal,-ex-lider-sindical, 1ª. mulher cearense eleita Deputada Federal no DF

Maria Laura Sales Pinheiro nasceu em Jaguaribe-CE, em 20 de agosto de 1941, filha de Ataliba Pinheiro e Eglantina Sales Pinheiro.

 

Sendo a mais velha de uma família de sete irmãos, Maria Laura, aos oito anos de idade, saiu do meio do mato da fazenda “Carrapateira”, onde foi alfabetizada por sua mãe, para iniciar seus estudos no colégio Santa Cecília, em Fortaleza, de propriedade de sua madrinha de batismo. Aos 11 anos, quando fez o exame de admissão ao ginásio, sua família foi morar em Fortaleza, para que todos tivessem a oportunidade de estudar.

 

Maria Lúcia, José Ataliba, Maria Luiza, Maria Francisca, Francisco Sérgio, Maria Marta, todos Sales Pinheiro, estudaram, trabalharam, casaram-se, separaram-se, têm filhos e netos e moram em Fortaleza, no Rio de Janeiro e em Brasília.

 

Concluiu o curso Normal no Instituto Justiniano de Serpa, fez um curso de Nutrição de um ano no extinto SAPS. Precisava ter emprego e pagar o curso de Serviço Social, em escola particular ligada à igreja católica, de 1962 a 1966.

 

Indignada com as desigualdades sociais e defensora das “Reformas de Base”, intensificou aí sua militância política. No Golpe Militar de 1964, era vice-presidente do diretório da faculdade, e a presidente, sua colega e amiga, Maria Luíza Fontenele. Ambas foram interrogadas, destituídas, e o diretório, fechado.

 

Em 1967, integrou o grupo de professores, entre eles Diatay Meneses, Geraldo Markan, Helene Velay, Maria Luíza, que deu origem ao Departamento de Ciências Sociais da UFC, lecionando por dez anos. Fez pós-graduação em Sociologia na UFPe.

 

Além de trabalhar como docente, de criar filhos e de militar na política, Maria Laura participou da criação da Associação de Sociólogos e das reuniões anuais da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

 

Em 1976, divorciada e mãe de três filhos, Alexandre, Manuela e Augusto, de oito, seis e dois anos, chegou a Brasília requisitada pelo MEC para trabalhar no Departamento de Assistência ao Estudante. Continuando a vida e a luta, ingressou nos Comitês do Voto Nulo e da Anistia, de Libertação de Presos Políticos, passos seguidos pela construção do Partido dos Trabalhadores (PT), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Sindicato dos Servidores Públicos Federais (SINDSEP).

 

Dirigiu greves e manifestações, certamente foi a primeira mulher a subir num carro de som na Esplanada dos Ministérios, convocando os servidores a lutarem por sua organização sindical e melhores condições de vida, trabalho e salário, enfrentando a repressão. Abraçou outra frente de luta, a representação política e o direito de voto no DF.

 

Filiada desde 1980, participou do processo de criação do PT. Foi membro do Diretório Regional do PT, DF; integrante, primeira executiva; vice-líder (1995-1996 e 1998-1999); presidente do Diretório Regional (1995-1997). Em 1989 foi transferida da UFC para a UnB, como professora no Departamento de Serviço Social.

 

Foi candidata pelo PT à Assembleia Nacional Constituinte em 1986 e eleita deputada federal em 1990, a primeira mulher cearense eleita por Brasília. O lançamento de sua candidatura foi no espaço da Casa do Ceará, então presidida por dona Mary Pessoa, para aplausos de uns e insegurança de outros.

 

Exerceu mandatos de deputada federal suplente pelo PT-DF de 1999 a 2003; e como deputada federal nas legislaturas de 1991 a 1995 e 1995 a 1999.

 

Na Câmara Federal foi identificada como defensora dos servidores públicos, lutadora contra o desmonte dos serviços públicos, privatizações e demissões. Fez do seu mandato instrumento de mobilização. Uma conquista importante do período para os servidores federais foi a lei que estabeleceu o regime jurídico dos servidores e algumas leis que ampliam os direitos das mulheres.

 

Em Brasília, Maria Laura casou-se pela segunda vez e, em dezembro de 1980, nasceu seu quarto filho, Henrique Pinheiro Veiga, formado em Biologia na UnB, casado, analista ambiental no Ministério do Meio Ambiente e atualmente faz mestrado nos Estados Unidos. Os demais, todos formaram-se na UnB. O Alexandre fez Jornalismo, trabalhou em vários órgãos e jornais, está atualmente morando e trabalhando em Washington, é casado e tem dois filhos: Luisa e Gustavo. A Manuela se formou em Letras, trabalha na UNESCO, é casada e mãe de Vinicius e Nina. Augusto é geólogo formado e com mestrado na UnB, trabalha na Petrobras em Aracaju, é casado e pai de Maria Vitória e Ana Cecília. Seus netos e netas são sua maior alegria.

 

Em 2003, com a eleição do presidente Lula, integrou os quadros da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), foi secretária adjunta. Como gestora e militante, participou da I e II Conferência Nacional de Políticas para Mulheres.

 

Em 2007, decidiu se aposentar de “verdade”. Mas seguiu na militância na Secretaria de Mulheres do PT-DF e integra o Conselho dos Direitos da Mulher do DF, da Secretaria de Mulheres do GDF.

 

Em 2011, operou a mama, assumiu publicamente o câncer, dizendo ser uma maneira de falar para as demais mulheres que câncer não é uma sentença de morte e que as portadoras têm o direito a um tratamento digno para continuarem suas vidas.

 

É “Cidadã Honorária de Brasília” e tem o Ceará no coração. Define-se como uma mulher de esquerda, socialista, continua no PT lutando pelo que acredita. Apenas acha que tem momentos e momentos na vida, cada um faz suas escolhas. Neste momento: Militância de leve, não institucional, muito tempo para os filhos, netos, irmãos, viagens, amigos e amigas, não mais fazendo dez coisas ao mesmo tempo.

 

(JBSG, com ML)

 

 

 

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