Quinta, 24 Maio 2018

Maria Emilce Alves Coelho

Procuradora da Previdência Social

Maria Emilce Alves Coelho, quinta filha de uma prole de nove irmãos, nasceu no dia 16 de outubro de 1938, em um sítio de propriedade dos pais, João Rodrigues Alves e Maria Teixeira Alves, situado próximo ao povoado chamado Tejuçuoca, distrito de Itapagé, no norte do estado do Ceará. A família morava no sítio e ali nasceram todos os filhos do casal. Era um ano de seca, um período, portanto, de dificuldades para os proprietários rurais que viviam exclusivamente da lavoura do milho, do feijão, da mandioca e do arroz, além de um pequeno rebanho bovino de onde se extraía o leite para consumo e para a pequena produção de queijo, sem contar com uma pequena criação de galinhas e capotes.

 

Quando nasceu, apresentou um sério problema de saúde, sem forças sequer para sugar o seio materno. Todos achavam que não passaria do terceiro dia de vida. O conselho aos pais era de que fosse logo batizada para não morrer pagã. A mãe, porém, sustentada na fé religiosa, dizia: “Não, se Deus quiser vou batizá-la no povoado com o Pe. Paixão” e pediu ao marido que mandasse comprar em Tejuçuoca alguns comprimidos de jalapa, que, partidos em quatro porções, ministrou à filha, uma delas com gotículas de leite materno. No dia seguinte, já apresentava sensível melhora. Após a segunda dose da jalapa, mostrou-se recuperada. Sua infância foi a de uma criança sadia.

 

Estudou as primeiras letras no povoado, com uma professora que castigava o aluno aplicando bolo de palmatória naquele que não acertasse a resposta no momento da arguição. O curso primário foi feito no Grupo Escolar de Uruburetama, cidade próxima. O ginasial, na Escola Normal Justiniano de Serpa, em Fortaleza. O clássico no colégio Estadual do Ceará (o Liceu). E o curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará. Estudou inglês no Instituto Brasil Estados Unidos (IBEU), em Fortaleza, e, ainda na capital cearense, italiano e espanhol no então Instituto de Línguas Latinas.

 

Quando saiu de casa, para estudar em Uruburetama, a viagem foi de caminhão na companhia do irmão mais velho, até o lugar chamado Riacho da Sela, de onde seguiu viagem de ônibus. Ficou hospedada numa casa de família, onde havia três filhos. Ia ao grupo escolar no período da tarde. Pela manhã ficava de babá, cuidando dos filhos do casal, nos sábados, domingos e feriados, o dia todo, como pagamento pela hospedagem. Assim se passaram dois anos fora de casa. Terminada a 5ª série, retornou à casa paterna. Tinha 14 anos. Em seguida, numa boleia de caminhão, viajou a Fortaleza, acompanhada da mãe, a fim de fazer o exame de admissão para a Escola Normal, hospedando-se na casa de uma madrinha, professora aposentada. Aprovada no exame e já matriculada na escola, por sugestão da madrinha foi morar na residência de um velho sacerdote amigo seu que ficara cego, morava com uma cunhada de 70 anos, viúva, que cuidava dele. Teria ela cama e comida e a única obrigação seria a leitura diária dos jornais O Povo e O Nordeste que até então ficava a cargo de sobrinhos e de pessoas vizinhas. Segundo ela, até aquele momento nunca folheara um jornal. O padre era muito conhecido e estimado em Fortaleza e recebia diariamente a visita de muitos amigos. Tratava-se do monsenhor Quinderé, professor aposentado, ex-secretário do Bispado e ex-deputado estadual.

 

Quando concluiu o curso ginasial, ingressou no Liceu do Ceará para fazer o clássico, preparando-se para a Faculdade de Direito, ao mesmo tempo em que saiu em campo à busca de um emprego remunerado. Apelou, inclusive, para alguns amigos importantes do monsenhor Quinderé. Ninguém a ajudou, por considerarem-na muito jovem. Soube, no entanto, que estavam sendo criados novos cargos nos institutos de previdência. Recorreu a um senador amigo do monsenhor Quinderé, através de carta por ela redigida e assinada pelo sacerdote. Foi atendida, meses depois da morte do monsenhor por ato de nomeação, um dos últimos assinados pelo presidente Juscelino Kubitschek, já em final de governo. Foi trabalhar como datilógrafa no Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Trabalhadores em Transportes de Cargas (IAPETEC). Nesse tempo, ingressou na Faculdade de Direito. Quando estava próximo de concluir o curso, o presidente do Instituto visitou Fortaleza. Após reunião com os servidores, teve oportunidade de conversar com ele, informando que logo que se formasse pretendia ser removida para qualquer dessas cidades: São Paulo, Rio e Brasília. Ele sugeriu a última. Por ocasião dos preparativos da festa de formatura, encaminhou um convite ao presidente do Instituto. Um mês depois, saiu no Boletim a sua transferência para Brasília. Isso em 1967. Requisitada ao órgão de origem, trabalhou na CODEBRÁS e na TERRACAP. Finalmente foi chamada pela Secretaria da Previdência Social do Ministério do Trabalho para a função de assistente jurídico. Com a unificação dos Institutos de Aposentadoria e Pensão da Previdência Social, fez concurso para advogada credenciada, sendo nomeada para o ex-IAPAS. Mais tarde fez concurso público para Procuradoria da Previdência Social. Como procuradora, exerceu as funções de diretora da Divisão do Contencioso do então IAPAS; depois, procuradora Regional do Distrito Federal e, anos depois, foi nomeada para a função de procuradora-geral Judicial da Previdência Social, na qual se aposentou.

 

Mesmo aposentada, não deixou de trabalhar. Foi chamada a exercer o cargo de presidente da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. Deu expediente, como comissária de menores do Juizado de Menores do Distrito Federal ao mesmo tempo em que trabalhava com menores carentes de rua. Católica atuante, deu aula de catequese e atuou como auxiliar leiga no Tribunal Eclesiástico de Brasília. Foi diretora do Folheto da Comunidade, da Paróquia de São Pedro de Alcântara, no Lago Sul. É autora de vários livros: Atos de Jesus, A Mãe de Jesus, Padre Cícero, No Palco da Vida, e A Lei de Deus.

 

É casada com o advogado, também cearense, Paulo Arvônio Bezerra Coelho, com quem teve três filhos: Paulo Marcelo, Carlos Eduardo e Renato Gustavo. (JJO)

 

 

 

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