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Terça, 14 Agosto 2018
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Casa do Ceará 50 Anos

Projeto Fausto Nilo

 

A nova Casa do Ceará para mais 50 anos

 

 

 

1. CONSIDERAÇÕES DE PLANEJAMENTO

 

 

 

NOVA SEDE DA CASA DO CEARÁ: POTENCIAIS BENEFÍCIOS SOCIOECONÔMICOS E AMBIENTAIS OBTIDOS DE UM HÍBRIDO ARQUITETÔNICO COM PROGRAMA DE MÚLTIPLAS ATIVIDADES.

 

 

 

Por sua condição contextual urbana, pelo formato especial da gleba de sua situação física e influído pela natureza incomum de seu programa, o conjunto a ser formado pelas futuras estruturas edificadas da Casa do Ceará pode ser caracterizado como um híbrido arquitetônico, abrigando múltiplas atividades.

 

Mesmo tomando por base técnicas e soluções simples, em materiais ou construtividade, a Casa será um padrão amplo e contemporâneo de espaços coordenados para convivência de atividades diversificadas, favorecendo o uso compartilhado pelas vizinhanças imediatas e pelos habitantes do Plano Piloto. Sua vitalidade e seu alto coeficiente de uso ensejarão um resultado balanceado de custos e benefícios cruzados, nos âmbitos econômicos, ambientais e sociais, realizando, dessa forma, a síntese do projeto sustentável.

 

A vitalidade decorrente do uso da futura sede será apoiada na grande intensidade de convergência e na variedade dos interesses de variados tipos de usuários envolvidos. Considerada nos termos da arquitetura metropolitana para os dias atuais, a Casa do Ceará tem chance de se materializar como um Condensador Social com alta potência de resposta às demandas típicas da cena urbana de Brasília.

 

A forma e o programa de atividades da futura edificação, relacionados com as características da gleba, ensejarão a realização concreta da escala caminhável interna do conjunto. O desenho confirma a prioridade de uso pedestre seguro, a alta acessibilidade e as conveniências comuns e específicas ofertadas aos variados tipos de usuário. Isso terminará por contribuir, de alguma forma, para criar extraordinárias oportunidades de incremento do intercâmbio na escala comunitária da capital. Na nova Casa do Ceará se criarão as oportunidades formais e informais para o convívio e o compartilhamento de vida urbana entre pessoas idosas residentes e pessoas da vizinhança, da comunidade de Brasília. Além do mais serão configurados atrativos para crianças, jovens, pessoas interessadas em atividades culturais, visitantes e, naturalmente, a comunidade de cidadãos cearenses residentes no Distrito Federal.

 

Para atender a esses requisitos de serviço e conveniência, o complexo arquitetônico tomará a feição de um prédio com base em um programa de múltiplos propósitos, caraterizado como altamente eficiente nas situações metropolitanas da atualidade, em que as pessoas têm sido forçadas à baixa intensidade de convívio, por força do isolamento. Esse edifício terá um padrão tipológico que pode influir na redução da dependência do transporte motorizado, favorecer a inclusão social e influir de forma definitiva na vida cultural e no fortalecimento de projetos comunitários. No âmbito desse conceito, a nova Casa do Ceará harmonizará oportunidades para diversificadas funções, destacando-se dentre elas:

 

• variadas formas de recreação ativa;

 

• integração entre os variados representantes do ciclo vital, criando oportunidade para a transferência mútua de seus saberes (crianças, jovens, jovens adultos e idosos em convívio nos graus convenientes);

 

• educação profissionalizante aliada a oportunidades culturais;

 

• educação artística e oportunidades de performances e expressão;

 

• reuniões comunitárias, convenções, banquetes e pequenos congressos;

 

• atividades cênicas cobrindo os aspectos de formação e apresentação de espetáculos;

 

• cultura em geral, incluindo museu, biblioteca e áreas propícias a diversificados tipos de exposições;

 

• lazer em variados tipos de espaço, condicionando as zonas propícias a privacidade e comunidade, conforme a conveniência;

 

• assistência médica e odontológica;

 

• abrigo de idosos em conformidade com os padrões universais de excelência e normas vigentes;

 

• convivência social das maneiras formal e informal;

 

• postos de alimentação leve (padrão típico de lanches, sucos e outras bebidas) e

 

• lazer informal.

 

 

 

2. CONCEITOS BÁSICOS DE DEFINIÇÃO DO PROJETO E ADAPTAÇÃO DO PROGRAMA DE ATIVIDADES ÀS CARACTERÍSTICAS DA GLEBA DE SITUAÇÃO DO IMÓVEL: COMUNIDADE E PRIVACIDADE COM FAVORECIMENTO AO INTERCÂMBIO E PRIORIDADE PEDESTRE.

 

Atendendo a esses propósitos, o sistema físico está contextualmente planejado de forma a se beneficiar, na medida do possível, da conveniência de uma situação física inserida no contexto das vizinhanças habitacionais de Brasília. Essa condição resulta da proximidade de um ambiente universitário, da vizinhança privilegiada de um futuro parque natural e da conectividade com a cidade, apoiada na boa acessibilidade por veículo motorizado e transporte público. Além disso, o projeto privilegia o alcance pedestre confortável a todos os componentes físicos internos do conjunto situados dentro da gleba.

 

Para atingir o seu nível de êxito funcional, o conjunto vai se apoiar em um sistema de edifícios (blocos A, B e C) devidamente articulados por uma cadeia de espaços públicos capacitados para proporcionar conforto, boa conectividade entre as regiões de especificidades de seus usos diversificados, promovendo a forma legível e atraente ao convívio de seus usuários. Em parte essa configuração também resulta do atendimento aos requisitos e exigências do código de edificações da capital, no que tange a recuos, taxas de ocupação, taxas de projeção, taxas de permeabilidade e outras exigências do tipo, cujos dados finais podem ser conferidos no quadro resumo inserido na prancha inicial do projeto.

 

Os usuários, conforme a histórica tradição acumulada pela Casa, são caracterizados não só por faixas etárias, mas também por níveis de renda e padrões de escolhas culturais diversificados. Ao mesmo tempo o futuro equipamento terá o compromisso de se configurar fisicamente como uma estrutura arquitetônica legível por toda a comunidade, apoiando-se em imagem urbana devidamente reconhecível e memorável.

 

Vale ressaltar também que o projeto foi desenvolvido com base no respeito rigoroso aos limites e obrigações relacionadas com o controle urbano da cidade exercido pela Administração do DF, em atendimento às Normas Técnicas de acessibilidade a idosos e pessoas com deficiências, no atendimento aos padrões sanitários de excelência exigidos pela DIVISA e no cumprimento das exigências do Corpo de Bombeiros do DF.

 

Pela condição particular do lote em seu formato e sua topografia com declividade média moderada (aproximadamente 3%), com dimensões de 300x50m, situada na SGAN 910, lote F do conjunto FG, configura-se a clara oportunidade de desenvolvimento físico linear no sentido predominante da profundidade do lote, preservando duas frentes de acesso, a leste e a oeste, servindo a pedestres e entrada e saída de veículos em pontos específicos. Pelo fato de ser um lote profundo e que deverá abrigar uma massa de construção descontínua (o programa de atividades será distribuído em três blocos separados por intervalos livres de construção), a implantação do projeto dentro do lote se orientou, com respeito aos seus níveis de pisos térreos, com base nas três cotas de soleira fornecidas pela Administração.

 

Além dessas condições, o lote a ser usado como base permite um acesso de público à Praça Principal, pelo lado norte, o que assegura boa solução para convivência de eventos de tipos diversificados, rotas de fuga, separação de padrões diversificados de público e ordenação hierárquica de acessos conforme a demanda. Essa geometria da gleba também impôs medidas projetuais coordenadas para provocar o interesse dos futuros usuários em percorrer os espaço ofertados, resultando numa estrutura microurbana em situação caminhável, com acessibilidade universal (caminhada máxima de 300m), naturalmente estimulada pela distribuição propositada de polaridades intermediárias e extremas, em ambiente amenizado. Para isso foi desenhado um sistema central de uma plataforma de uso pedestre com toda a movimentação de veículos situada nos recuos laterais.

 

Em sua adaptação às características do lote, o projeto termina por oferecer oportunidade para a convivência por meio de tratamento arquitetônico e paisagístico consistente com o caráter sequencial de sucessivas estações, como destinos polarizados dedicados aos diversificados interesses de usuários, como ocorre num trecho de cidade. Essas “estações” são compostas de atrativos variados, cuja acessibilidade será facilitada e confortável. Para tanto, o projeto arquitetônico da nova Casa do Ceará inclui em seus objetos de desenho, além das edificações em si, os espaços contextuais de uso público com suas respectivas amenidades, além das áreas de encontro e de celebrações.

 

A arquitetura desenhada para a Casa do Ceará também visa contemplar uma relação adequada entre os espaços internos e os elementos fundamentais da paisagem local. O uso alternado de estruturas e portais de contato com as estações de atividades diversificadas estará ancorado numa malha de fluxos legíveis, tendo a plataforma axial o papel de uma Promenade central como elemento ordenador da estruturação geral. Essa Promenade é constituída e ao mesmo tempo decorrente do arranjo entre os variados componentes funcionais. Esse é um propósito fundamental do projeto para evitar que o conjunto assuma a forma urbanisticamente indesejável de um “container urbano”, de escala agigantada e total indiferença em relação ao espaço exterior no tecido urbano existente.

 

No projeto da Casa do Ceará, tudo aquilo que apoia essa vitalidade compartilhada entre a edificação e a cidade estará associado à dramatização dos panoramas hierarquizados por escala de importância. Dessa maneira vão se formando portais, saguãos, pátios, passeios, largos, fontes, arvoredos, bosques, zonas de sombra, áreas ensolaradas, varandas e trajetos vivificados pela onipresença de usuários. Os elementos componentes dessa gramática serão ancorados a uma “Praça Principal”, na região central do lote, situada em posição de alta conveniência em relação a cada um dos componentes. À semelhança de uma pequena cidade, essa praça é orientada para um teatro-auditório comunitário, para lojinhas de oportunidades, para um portal de conexão com a rua lateral e para lugares atrativos criados para promoção da convivência de forma segura e natural, entre crianças, jovens, adultos e idosos.

 

O projeto busca também administrar as convivências adequadas entre as atividades de repouso e tranquilidade, a localização dos espaços de caráter festivo bem como suas relações com os lugares culturais. Além disso, objetiva valorizar os procedimentos arquitetônicos especiais quanto aos elementos de bloqueio aos efeitos de ruídos urbanos indesejáveis, bem como a criação de zonas calmas para o conforto dos idosos. Enfim, projeta-se uma estrutura arquitetônica flexível com capacidade de harmonizar os requisitos indispensavelmente combinados de comunidade e privacidade.

 

 

 

A relação devidamente balanceada entre artefato e natureza deverá ser realçada na imagem final do ambiente resultante, definindo-se uma representação física própria e espaços bem orientados com relação às vistas públicas, às vegetações circunstantes, aos ventos dominantes e à orientação solar. Entre os aspectos de amenização urbana, devem se destacar as áreas de tratamento paisagístico e de sombreamento previstas ao longo da gleba e de forma a relacionar entre si as vegetações existentes e as novas espécies a serem implantadas. Essas atenderão à busca de uma forma final equilibrada com as novas construções que abrigarão as áreas de convivência: as futuras áreas de varandas; as lojinhas e serviços de lanches; os pórticos de entrada dos vários destinos (serviços de saúde, cursos, instituição de idosos, etc.); os lugares de reuniões e pequenos congressos; as exposições; as áreas de recreação ativa; as áreas de recreação passiva e os lugares adequados para as atividades ao ar livre.

 

Nesse conceito, pode-se antecipar a moderação da velocidade e do volume do tráfego dentro da gleba, em nível térreo, cujas vias laterais e estacionamentos só serão acessíveis a funcionários, dirigentes, pessoal de serviços, manutenções, emergências e visitantes especiais. O restante do público terá confortável acesso e vagas com oferta em número suficiente, no estacionamento subterrâneo, apoiado em conectividades verticais nos pontos estratégicos e focais da estrutura, em seus vários pavimentos.

 

Dessa forma, o controle dos acessos aos espaços dedicados a automóvel restringe-se à garagem do subsolo com acesso e saída pela frente leste, ao estacionamento frontal situado na zona de recuo oeste e a essas zonas de estacionamentos lineares internos, nos recuos laterais. O sistema funcionará assim, sem constrangimento das demandas dos acessos, carga e descarga, embarque e desembarque, viaturas de resgate e emergências. O resultado mais importante decorrente dessa forma de zoneamento do convívio entre pessoas e automóveis é que a estrutura terminará por oferecer os passeios centrais da Promenade como lugares de privilégio pedestre, para proporcionar o encontro.

 

Como já foi afirmado anteriormente, todos esses padrões coordenados foram perseguidos dentro dos objetivos projetuais, para obter as soluções arquitetônicas convenientes com a visão sustentável. Aí estão incluídos aspectos de consumo racional de energia elétrica, à reutilização de água para determinadas atividades e ao favorecimento da movimentação confortável para pedestres, apoiados por espaços públicos convergentes e significantes.

 

Naturalmente o tamanho da estrutura edificatória prevista e sua variedade de atividades produzem demanda de espaços cujo conforto climatológico tem demandas específicas. Dessa forma, os consultórios, os escritórios administrativos, os escritórios setoriais, as lojinhas, a área de convenções e as salas de aula, por conta de seus requisitos funcionais específicos, adotarão sistemas de refrigeração (ver mapa específico).

 

No caso específico do Teatro-auditório Comunitário foram adotados meios que possibilitam alternar reuniões com clima refrigerado e outras com conforto natural sem dependência energética. Na maioria dos casos, haverá o reforço de iluminação natural, visando também ao baixo consumo energético.

 

Na medida do possível, o projeto adotou medidas antecipadas de redução da carga térmica proveniente do aquecimento solar em todas essas dependências refrigeradas, o que também produzirá resultados vantajosos em termos de consumo energético. Nessa versão final do projeto, todos os sanitários foram redesenhados e em suas formas atuais serão dotados de ventilação e iluminação naturais sem dependência de reforços de exaustão mecânica.

 

A edificação do conjunto dos componentes arquitetônicos da Casa do Ceará resultará em uma área construída de 7.730,38m² (sem incluir o subsolo de garagem) e 11.840,25m² (com a inclusão do subsolo de garagem), distribuídos entre espaços destinados às seguintes atividades principais: recepção; abrigos; varandas; lojinhas; livraria; biblioteca; memorial; teatro-auditório comunitário; reuniões, banquetes e pequenos congressos; exposições; administração; clínicas e laboratórios; serviços de apoio; serviço odontológico; instituição de permanência para idosos; ateliers; lanches e bebidas; áreas polifuncionais; salas de aula; salas de informática; uso de equipamentos; academia de ginástica; sanitários; vestiários e serviços de apoio.

 

 

 

(...)

 

 

 

Fausto Nilo Costa Júnior

 

Arq. CREA 1.958, Reg. Nacional 060740252-0, Dir. da Fausto Nilo Arq.

 

 

 

NE – Incluímos só os dois primeiros itens do Relatório.

 

 

 

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