Quarta, 26 Setembro 2018
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    A nova Casa do Ceará para mais 50 anos
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    A nova Casa do Ceará para mais 50 anos
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Casa do Ceará 50 Anos

Apresentação

Antes, era a desolação do cerrado. Depois, a utopia de vultos históricos como o Marquês de Pombal, José Bonifácio e os inconfidentes mineiros e, tornando-a realidade, o projeto mudancista e profético do presidente Juscelino Kubitschek. A seguir, a miragem encoberta de pó vermelho dos redemoinhos da terra ferida pelas máquinas e, por fim, a imagem magnífica de curvas harmoniosas vestida de verde.

 

Eis a amada do gigante adormecido, que terá de trocar suas praias maravilhosas pela solidão do sertão inculto, onde se inspira o futuro do Brasil. É Brasília construída em três anos e meio por trabalhadores incansáveis que acorreram de todos os recantos do país e, dentre eles, os heroicos cearenses que nunca fugiram à luta e ao chamado da Pátria.

 

No livro Brasília, 50 Anos, editado em 2010, a Casa do Ceará deu nome a muitos operários anônimos que participaram da verdadeira epopeia da construção da Nova Capital, da interiorização do Brasil e da fixação dos rumos do desenvolvimento nacional.

 

Neste novo livro, continua a revelar nomes daqueles que continuaram na obra de consolidação da cidade, pois sua inauguração, em 1960, encerra apenas o ciclo do pontapé inicial. Na verdade, ainda continua a construção arquitetônica, urbanística e institucional de Brasília, paralelamente ao estabelecimento de uma civilização integradora do sentimento nacional.

 

Com a inauguração do aeroporto e das grandes rodovias Brasília-São Paulo, Rio-Brasília, Brasília-Fortaleza, Belém- Brasília, Brasília-Acre e muitas outras secundárias igualmente importantes, vai longe o tempo em que os pioneiros cearenses enfrentaram, amontoados em paus de arara, estradas vicinais que serpejavam os divisores de água, e atravessaram rios caudalosos a nado ou em barcaças precariíssimas, durante dias e mais dias de viagem, para chegarem à terra prometida.

 

O ciclo migratório ainda está longe de encerrar-se, visto que a capital federal continua sendo um ponto de atração de brasileiros de todos os estados, de todas as regiões, especialmente nordestinos e particularmente cearenses que sonham com melhores condições de vida, com mais fácil acesso à educação, à saúde, ao trabalho e à moradia. Gregário, sociável, animal político por excelência, na acepção aristotélica, o cearense chega aqui, como em qualquer outro lugar, trazendo consigo suas tradições gastronômicas, artísticas, poéticas, cívicas, suas datas festivas, o dia de São José, as noites de São João, sua religiosidade, sua música, seu talento, seu sotaque, seu repente, seu inconfundível bom humor, sua generosidade, sua hospitalidade, sua vocação para o trabalho construtivo, seu empreendedorismo, que são mantidos vivos nas feiras, nos lares, nos bares, nas praças, nos locais de trabalho, na Casa do Cantador, na Casa do Ceará e em muitos outros pontos de encontro.

 

É essa diversidade que emerge das biografias reunidas neste trabalho excelente e que revela o verdadeiro espírito da nação cearense.

 

Certamente esta obra não servirá apenas para dar notícias do que fizeram e do que fazem os cearenses de Brasília, mas será sobretudo fonte de inspiração da cearensidade dos que saem do solo amado, mas que não o esquecem nunca, que continuam fiéis à herança cultural de seus ancestrais.

 

Ao entregá-la ao público, reafirma-se que a Casa do Ceará é e continuará sendo a extensão e a presença do Ceará em Brasília.

 

Em nome desta venerável instituição, agradeço, pela qualidade do texto, a inestimável colaboração espontânea e voluntária de JB Serra e Gurgel, Wilson Ibiapina, Fernando César Mesquita, José Jezer de Oliveira, José Colombo de Souza Filho, Adirson Vasconcelos, Fernando Gurgel Filho, José Sampaio de Lacerda Júnior e Francisco Machado da Silva, além dos que optaram por subscrever suas biografias. Agradeço também a Hermínio Oliveira pelas fotos, ao empresário Ivens Dias Branco e ao grupo empresarial cearense que preside o patrocínio global deste projeto, assim como ao Ministério da Cultura que o aprovou de acordo com a Lei Rouanet.

 

Brasília, 15 de outubro de 2013.

50 anos de fundação da Casa do Ceará

Osmar Alves de Melo

Presidente da Casa do Ceará

Meu testemunho

(*) Fernando César Mesquita

 

Somos, nesta data, eu e o ex-deputado e ex-prefeito de Granja, Esmerino Arruda, os sobreviventes do grupo que fundou a Casa do Ceará em Brasília, em 15 de outubro de 1963.

 

Foi o deputado Chrisantho Moreira da Rocha que fundara a Casa do Ceará no Rio de Janeiro, então capital da República, que nos convocou para participarmos do projeto que inicialmente acolheria os cearenses que migravam em grandes grupos para Brasília, atendendo-os nas suas primeiras necessidades.

 

O projeto era assistencialista e marca a institucionalização da cearensidade no cenário brasileiro, nele se empenhando o próprio Chrisantho, que o transformava em realidade, a começar por seu próprio apartamento funcional, no qual disponibilizava camas e redes, alimentação e até pequenas quantias para transportes. Ele conseguiu a área inicial, de 15 mil metros quadrados, quando a Prefeitura de Brasília ofereceu o espaço a grupos de todos os estados para que pudessem instalar suas representações. Fomos praticamente os únicos que o fizemos e não contamos com recursos públicos da União, do DF nem do Ceará. Chrisantho pôs seu dinheiro aqui, bem como seu sucessor, Álvaro Lins Cavalcante. Dona Mary Pessoa pôs sua vida e contou com a generosidade de dona Luíza Távora.

 

A Casa se consolidou e foi ficando, marcando presença na sociedade brasiliense. Com doações particulares, aqui se instalou parte das bibliotecas de José Colombo de Souza e de Mauro Benevides, que se juntaram à Padaria Espiritual, copiada de Antonio Salles, que foi o embrião de nossa biblioteca, à qual se somariam a pinacoteca, com uma seleta coleção de obras de mestres cearenses, como Raimundo Cela, Aldemir Martins, Vicente Leite, Antonio Bandeira, e o Museu de Artes e Tradições do Ceará, ampliado para ser uma unidade representativa da cultura nordestina.

 

Simultaneamente, o projeto assistencial se ampliou com a oferta de assistência à Saúde, com clínica médica e odontológica. Mais tarde vieram os cursos de língua e os de formação profissional, que se transformaram em referência.

 

Os grandes eventos juninos e o “Luar de Agosto” deram visibilidade à Casa e por lá passaram grandes nomes da MPB, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Fagner, Ednardo, Belchior, Luís Vieira, Evaldo Gouveia, Ivonildo, Waldonys.

 

A contribuição de Mauro Benevides foi fundamental para a implantação do parque aquático e o ginásio de esportes, hoje academia. Mais adiante, ganhamos uma nova área de 15mil metros.

 

Depois de muito relutar, acabei presidente da Casa que ajudei a fundar e decidi que tudo o faria para alongar a vida desta instituição que nos orgulha, com o projeto Fausto Nilo, que marcará praticamente sua refundação para mais 50 anos, chegando ao centenário. Se hoje temos 6 mil metros de área construída, em condições acanhadas, a nova Casa terá 12 mil numa área de 15 mil, com todos os equipamentos necessários à sua autossustentação com a marca da modernidade. Contei com a visão de futuro do governador Cid Gomes e, quando implantada a nova Casa, será incluída como patrimônio urbanístico, paisagístico e turístico do DF.

 

Meu testemunho é o de reconhecimento a todos que trabalhamos para que a Casa do Ceará permanecesse ativa e disseminando o nosso espírito cearense em Brasília. A Casa representa a criatividade, a solidariedade, o empenho, a determinação, o melhor do nosso patrimônio material e imaterial fora das fronteiras do nosso estado, em benefício não apenas dos conterrâneos do Ceará e do Nordeste, mas de Brasília e do Brasil. Se nós, lá atrás, fomos capazes de fundá-la, acredito que outros, lá na frente, poderão mantê-la com sua vocação de servir e de abraçar os brasileiros.

 

Nesta oportunidade, não poderia deixar também de agradecer ao Ivens Dias Branco pelo apoio que nos deu na feitura deste livro relativo aos 50 anos da Casa e que, a exemplo do outro, lançado por ocasião dos 50 anos de Brasília, conta a nossa história – de tantos cearenses que por aqui passaram ou ainda estão, e que com o seu talento, seu braço, seu amor, sua contribuição, com suas famílias, pais, filhos, netos, fizeram de Brasília nossa segunda pátria.

 

Brasília, 15 de outubro de 2013.

Fernando César Mesquita

Fundador

Ex-presidente

1º. Vice-presidente

Um cearense chamado JK

(*) Adirson Vasconcelos

“Honro-me em ser cearense” – disse o presidente Juscelino Kubitschek, em 1960, para acrescentar em seguida: “Somos, nós cearenses, marcados pela vocação ao trabalho”.

 

Conclui JK o seu pensamento, definindo ser cearense:

 

– “O cearense encarna a dignidade, o estoicismo, a capacidade de lutar sem arrogância, e, também, sem medo”.

 

E argumenta o simpático presidente dos Anos Dourados do Brasil:

 

– “Há sempre um dos nossos irmãos a dar o exemplo de pertinácia, de luta, de honesta malícia, capaz sempre dessa proeza extraordinária de adaptar-se a todos os meios sem perder a marca, a filiação, a personalidade, o traço comum e fundamental dos que nasceram nesta terra martirizada e gloriosa, paciente e inconformada, à qual tanto deve a história da liberdade humana em terras do Brasil”.

 

Essas são palavras e definições do presidente Juscelino Kubitschek, que presidiu o Brasil de 1956 a 1960. E foram proferidas na solenidade em que Juscelino é recebido e homenageado pelo povo do Ceará com o título de Cidadão Cearense, em 15 de julho de 1960. JK é recebido pelo governador e professor Parsifal Barroso e milhares de conterrâneos seus que vão às ruas de Fortaleza para aplaudi-lo e ovacioná-lo. Um cearense diamantinense; um diamante das Minas Gerais.

 

Ao final, JK recordou os cearenses que trabalharam com ele, no seu Governo. E os define, com alma de sociólogo, afirmando que “não temem riscos e não conhecem nenhum lazer enquanto há tarefas e obrigações a cumprir, e das quais se desincumbem com lealdade e tato”.

 

No tempo da epopeia da construção de Brasília, de 1956 a 1960, o presidente Juscelino tinha contatos diretos e pessoais com os candangos vindos do Ceará e outros estados para oferecer seu trabalho e seu esforço na construção do que a imprensa mundial chamou de “A Obra do Século XX”. (Candango era a designação – por uns, carinhosa; por outros, pejorativa –, hoje histórica, dada aos que construíam Brasília.)

 

Em muitas ocasiões, observei-o chegar, em horários diurnos e noturnos, inspecionando as obras, de jeep, com um assessor e o motorista, visitando as construções nos acampamentos, onde os candangos, às centenas e milhares, se acercavam dele e ele, JK, sem seguranças e com afabilidade, assim dizia: “Meus amigos, conto com vocês para nós entregarmos esta Capital no dia 21 de abril de 1960”. Esse gesto de identidade e carisma do presidente deixava a candangada atônita, feliz e motivada. A notícia corria em todo o acampamento. A partir daí, os candangos viravam “feras” e “gênios” nas obras. Um fato admirável, inacreditável!

 

Quando, quando, antes, teriam modestos trabalhadores a chance de ficar perto de um presidente da República?... (ou, mesmo, de um governador de estado ou de um prefeito de cidade?) ... e, nas obras de Brasília, saíam na foto ao lado do presidente do Brasil!...

 

Um cearense anônimo, de Sobral, o José Francisco, que trabalhava, naquele tempo, nas obras da 108 Sul, tocadas pelo Instituto dos Bancários, o IAPB, disse-me encantado: “Isto não existe... é um milagre!” E, num gesto bem cearense, pediu-me que eu “beliscasse” o seu braço... (costume de cearense quando, não acreditando no que vê, quer confirmar se está vivo.)

 

Esse contato pessoal de JK com as pessoas, com o ser humano brasileiro, apertando-lhe a mão ou abraçando-o com sinceridade, ouvindo-o ou sentindo-o emocionalmente, permitiu ao presidente que, no Ceará, pudesse afirmar:

 

– “Conheço o homem do povo, o homem simples, que empresta a sua colaboração ao esforço de redenção do Brasil”.

 

Confidencia, então, aos cearenses que o recebem em Fortaleza, numa observação de valor antropológico:

 

– “Em todos os quadrantes de nossa terra, há cearenses trabalhando. São agricultores excelentes onde quer que a Providência Divina lhes ofereça gleba propícia. São operários de construção, e, em Brasília, durante a fase crítica em que erguemos a cidade-símbolo de nossa Esperança, em tempo recorde, não lhes faltaram os braços vigorosos. É esta gente trabalhadora, ativa, intrépida, habituada a vencer as desgraças das torturantes estiagens, que me faz confiar nas possibilidades de nos salvarmos, de nos redimirmos, de sermos levados a ocupar o lugar que merecemos no mundo de hoje”.

 

Lembrar o presidente Juscelino Kubitschek, na sua cearês e na sua brasilidade, é da maior oportunidade quando a Casa do Ceará está evocando e exaltando A Presença dos Cearenses na Consolidação de Brasília, em documento comemorativo intitulado Brasília, 50 Anos de Ceará.

 

Todavia, muitos e muitos outros cearenses, que atuaram tanto quanto, não foram citados. Por isso, a Casa faz este Segundo Volume. Uma grande legião de candangos, conterrâneos nossos, que deram seus sonhos, suas esperanças e, até, seu sangue, seu suor e suas lágrimas para ver Brasília, capital de todos os brasileiros, como a obra do século XX, na visão da imprensa mundial; Capital da Esperança, na perspectiva do filósofo francês André Malraux; e Capital do Terceiro Milênio, na profecia de JK.

 

A eles, os milhares de cearenses anônimos de Brasília, ladeando, ombreando e seguindo o líder Juscelino Kubitschek, na grande empreitada histórica de Brasília, a homenagem da Casa do Ceará, evocando-os, lembrando-os e exaltando-os, neste Segundo Volume sobre A Presença dos Cearenses na Consolidação de Brasília, ao ensejo das comemorações de Brasília, 50 Anos de Ceará. Assim deseja o nosso presidente da Casa do Ceará, o jurista Osmar Alves de Melo, cearense de Iguatu, que me revelou seus nobres propósitos. Aliás, nobres são todos os propósitos da Casa do Ceará em Brasília, na sua missão altruística, já cinquentenária, de ajudar o próximo, independentemente de ser cearense. A obra editorial foi confiada ao zelo e à competência do jornalista JB Serra Gurgel, um cearense “pai d´égua” de Acopiara.

 

A Casa do Ceará em Brasília homenageia JK e os Cearenses Anônimos que Consolidaram Brasília! Candangos Anônimos, como o José Francisco, a quem já me referi, quando ele se espantou e reverenciou o jeito simples, humilde, nobre, amoroso e carismático de JK ao lhe dizer e aos seus companheiros simples e rudes trabalhadores candangos: “Conto com vocês para nós entregarmos esta Capital no dia 21 de abril de 1960”.

 

Quando o presidente Juscelino Kubitschek foi inaugurar Brasília, em 21 de abril de 1960, chamou um cearense, de prestígio internacional, para, na apoteose, reger a Orquestra Sinfônica – o maestro Eleazar de Carvalho.

 

E o sonho se fez realidade! Um templo à unidade nacional e um polo de integração brasileira, construído com amor, igualdade de direitos, liberdade de pensamento e fraternidade universal.

 

O Ceará se disse presente na construção, na fixação e na consolidação de Brasília, assim como se fez presente em tantos outros momentos significativos da vida brasileira, inclusive na Abolição da Escravatura, que lhe ensejou ser chamada de “Terra da Luz”.

 

Brasília é, para os cearenses, um estágio da evolução humana.

(*) Adirson Vasconcelos (Santana do Acaraú*), historiador de Brasília, jornalista e escritor.

A Odisséia de um povo Andante

José Colombo de Souza Filho (*)

Segundo o historiador Gustavo Barroso, o Ceará entrou oficialmente na historia do Brasil quando Portugal se encontrava incorporado ao Império Espanhol.

 

Até certo ponto esse domínio Espanhol foi benéfico para a nossa expansão territorial.

 

Durante os sessenta anos de duração desse domínio não veio para nosso pais nenhuma autoridade espanhola e como fosse o mesmo rei ungia as duas coroas da península.

 

A audácia das entradas e Bandeiras, a sombra desse pretexto riscou do mapa o meridiano de Tordesilhas que nos fazia avançar no descobrimento da chamada “largura do sertão”.

 

Mais uma vez o historiador e Diretor do Museu Histórico Nacional, Gustavo Barroso relata, para o setentrião se desenvolvia ensolarada e branca a arenosa costa, de pontos já mais ou menos reconhecidos, as salinas de Mossoró, a foz do rio das onças, o Jaguaribe, a enseada do Mucuripe, o Buraco das Tartarugas ou Jericoacoará e o Porto do Pote, o camocim dos Indígenas. – A seguir a serra da Ibiapaba com suas abruptas ribanceiras e o Punaré aonde nunca pusera os pés um português. – Numa vasta curva desenvolvida de noroeste a sudeste o planalto da Serra Grande, Ibiapaba, o dos Cariris, o do Pereira e o do Apodi. Formavam como as ribanceiras de antiqüíssimo golfo do qual se retiraram as águas nas primitivas idades geológicas.

 

O solo rico, ora pobre aqui umbroso, ali com rala e espinhenta vegetação, verde e florido de janeiro a junho, nos anos de inverno.

 

Até o século XVIII todo o Estado do Ceará estava conquistado, surgiam as grandes fazendas de criação de gado, a agricultura, a produção de algodão, de gêneros alimentícios afora a atividades, extrativas de produção de óleos vegetais, a cera de carnauba e drogas medicinais.

 

Na miscigenação do índio, negro e branco, houve um rápido crescimento das populações que viviam em torno das fazendas, das casas grandes, do engenho de produção de Açúcar e derivados e as casas de farinhas.

 

No litoral que explorava a pesca desde dos primeiros Tempo de Colonia, principalmente nos currais de peixes para exportação foram perdendo sua importância – O Boi tornou secundária a pesca do camuripim notadamente nos currais dos mangues de Camocim, Acaraú e Chaval.

 

Nesses portos fluviais acrescentaríamos as salinas que também em Acarati passaram a ser fundamentais para exportação para Europa afora o crescimento das oficinas no manejo de carne de Sol, do charque e das industrias de curtição de couros. Exemplos seguidos por outras povoações no litoral cearense.

 

Surgia ai, a civilização do couro que era utilizado na fabricação de produtos como jibão, selas, alpergatas, portas, mesas, redes, deposito de mantimentos, botas, perneiras e afins.

 

O vaqueiro se paramentou e o pescador também usando sempre o couro e pelica tingida com tintura de cascas de cajueiros. Foi a perfeita integração ao meio ambiente no manejo de grandes boiadas.

 

Na jangada os pescadores conseguiram herdar dos açorianos o engenho de usar a madeira piuba e timbaúba, a vela de algodão para adentrar nos mares bravios com o pessoal que de geração a geração iam pescar muito além das praias de beira mar.

 

O Ceará se tornava uma região de produção acentuada. As cidades se formavam, a Igreja tinha sua atuação praticamente em todos os municípios, trilhas e caminhos aos poucos se tornavam estradas carroçáveis levando o comercio para as feiras que se formavam e ganhavam a devida importância. Crato, Barbalha, Missão Velha, ICO, Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Aquiraz, Baturite, Pacoti, Sobral, Taúa, Crateus e Itapipoca. Este um dos maiores municípios que abrangiam as serras, o grande sertão e as praias. Em fins do século XVIII surgia a RVC para dinamizar o transporte de cargas e passageiros.

 

O Sertanejo Cearense condiciona o futuro

 

Dada a incerteza centenária quanto ao clima que poderia frustrar um ano de fartura o homem nordestino, principalmente o cearense das regiões dos Inhamus, da Serras do Cariri, das Uburetamas, das serras e dos vales povoados sempre afirmava em voz corrente.

 

- “Se a chuva não atrapalhar meus planos, o que que há ou seu vigário eu vou casar no fim do ano. Muito antes de se tornar um mote que Luiz Gonzaga consagrou, era via de regra um ressalva para adiar os planos dos seus sertanejos.

 

Bem alimentados e resultados das fusões das três raças

 

Cearense autêntico, cabeça chata, tinha sua prodigiosa facilidade de aprender e desenvolver ofícios e artes.

 

Eram grandes nos ofícios de trabalhar a madeira, o couro, o Barro. A lida com o gado, com as construções de açudes, e barragens de terra batida e também nas construções de Igrejas, templos, herdaram dos Portugueses a construção de fortes e fortins para marcar de forma definitiva a presença da Coroa lusitana nas terras do mundo novo.

 

São exemplos catados na histórica Nordestina e principalmente cearense as figuras de Delmiro Gouveia, Antonio Conselheiro, Padre Cícero, Padre Ibiapina, Padre Teodoro e outros exemplos presente nas dezenas e dezenas de paróquias espalhadas em torno de nosso torrão Natal.

 

No Ceará antigamente açude só arrombava nas grandes invernadas, depois de chuvas torrenciais. Arrombar assim, sem que nem mais nem menos, não é próprio dos açudes feitos pelos caboclos cearenses. Havia no sertão cearense, açudes feitos pelos nossos fazendeiros com mais de um século agüentando o banzeiro e muito bem.

 

No Estado Cearense, além dos engenheiros do Dnocs, competentes e valorosos, haviam mestres caboclos, criados na região como o João Mauricio ou mesmo o Ambrósio Cunha da Barra do Figueiredo. Qualquer um destas ou outro calejado dentre as centenas dos que existiam no Ceará; reconstruiriam os açudes fariam os remendos de terra batida, construíram um reforço na revença e cuidariam do sangradouro e montariam a porta d’água. Tudo dentro da sabedoria adquirida no trato das coisas testadas e aprendidas pelas experiências passadas de geração a geração.

 

O Sertão – O Sertanejo – e o crescimento econômico da Região do Nordeste Brasileiro.

 

Nos 200 anos iniciais de nossa nacionalidade Recife era o pólo de desenvolvimento com sua economia açucareira, a criação de gado no vale do São Francisco a fixação de grandes fazendas dos 2 lados desde o baixo, o médio e o alto São Francisco.

 

Salvador mesmo deixando de ser Capital do vice-reinado do Império Português tinha sua condição econômica concentrada no recôncavo Baiano.

 

As grandes famílias se expandindo na pecuária atravessando todo Estado e consagrando a posse de grandes extensões de terra se espalhando pelo Estado de Pernambuco, Sul do Piauí e no litoral envolvendo as terras da Paraíba, Rio Grande do Norte e atravessando a chapada do Apodi as terras do Ceará.

 

Era enfim consagração do espaço geográfico afirmando o domínio português e local da nova raça luso-descendentes (união de brancos,negros e índios) incorporados na luta, pela soberania e criando o sentimento de nacionalidade brasileira.

 

A Xícara era de louça mas o pires era de metal

 

A saga dos 3 sertanejos de Limoeiro do Norte rumo ao Rio de Janeiro

 

Como os dois anos anteriores do ano de 1953, a seca era braba no sertão Nordestino. O Ceará enfrentava já o terceiro ano de seca.

 

A calamidade era não so a falta de chuvas mas sobretudo o desaparecimento de atividade comercial, a imigração dos jovens à procura de empregos no Sul, a falta crescente dos alimentos básicos para alimentação das populações a cada dia mais aflitas e famintas. As terras de cultura estorricadas, o gado definhando e se esquartejando, caindo para morrer sem nenhuma assistência. Os burregos, as miuças, as cacimbas nos poucos cerrados existentes nas vargens,já exauridas de seus poucos riachos e córregos.

 

A CAN – Comissão de Abastecimento do Nordeste criada de forma emergencial pelo presidente Getulio, sofria com falta de recursos que eram regrados pelo então Ministro da Fazenda Horacio Lafer,paulista e que, ignorava a sofreguidão das hordas famintas aclamarem pela distribuição de rações mínimas.

 

Os governos estaduais alem de não disporem dos necessários recursos, não tinham peso político para em bloco exigirem do governo federal um verdadeiro plano de atendimento as populações desajustadas que desde os tempos imemoriais sofriam secas cíclicas e atemorizantes que paralisavam todo processo ativo de uma economia agro pastoril.

 

No velho sertão “Quem é rico anda em burrico quem é pobre anda a pé”

 

Na minha terra,dizia um velho cego cantador, cansado de esperar uma passagem de vapor para o Norte ou Sul do Brasil.

 

Quando a chuva não vê, alegria desaparece.

 

Torna-se grave e seco o ar antes gentil e gracioso das Marias Chicas.

 

O pequeno circo arriba e a onda de flagelados cresce.

 

A lona cai e o palhaço nem chorar sabe mais.

 

A juriti voa, voa para mais longe para não ser mais uma vitima da inclemência.

 

Entrementes enquanto a seca graçava desesperando os necessitados três ciclistas partiram da cidade de Limoeiro do Norte no dia 07 de setembro para fazer um apelo ao presidente da republica para que continuasse a enviar gêneros alimentícios e não deixasse faltar socorro a gente sofrida do interior nordestino. Os ciclistas cearenses Francisco Germano Freire,Antonio de Sousa Ferreira e Damião Lopes Cerqueira durante 36 dias pedalaram em estradas e caminhos de barro de fortaleza ao Rio de Janeiro e conseguiram entregar no Palácio do catete uma subscrição contendo 4000 assinaturas de agricultores. A mensagem foi entregue ao presidente Getulio Vargas e todos os jornais da época noticiaram a entrega de tal documento. Os três vaqueiros conseguiram tal qual a mensagem a Garcia fazer com que o presidente da republica como de fato atendeu e pela primeira vez ninguém morreu em conseqüência das secas do triênio 51-53.

 

A Chesf e a cidade de Paulo Afonso

 

A paralisação das obras de construção do açude de Orós, ordenada pelo presidente mineiro Arthur Bernardes frustrou uma grande massa de trabalhadores cearenses que tinham sido recrutados pelas empresas Norton Griffiths e Dwight Robinson. Essas firmas estrangeiras tinham sido vencedoras para construção de outras obras de vulto no nordeste brasileiro, pelo presidente Epitácio Pessoa.

 

Passados anos, já no governo do presidente Getúlio Vargas com a criação Chesf para usina hidrelétrica de Paulo Afonso, houve uma total redenção para uma região árida, seca e até então inabitável. Em tempo recorde a companhia hidrelétrica do São Francisco, construiu uma verdadeira cidade para alojar os operários, de forma condigna. A cidade criada passou a contar com escola, restaurantes, aeroportos e clubes. Água encanada e luz elétrica em todas as casas. Tudo o que os ingleses tinham idealizado para construção de Orós. O resultado se fez surgir de forma surpreendente, as obras foram concluídas em tempo recorde. Os operários se revelaram de grande produtividade e o planejamento comprido, permitindo que a empresa Chefs fosse colocando sucessivas turbinas, na barragem da represa do São Francisco. E o sertão virou mar...

 

1953 já estavam sendo planejadas pelos governos de Minas e São Paulo, as obras das futuras usinas de Urubupunga, Jupiá, Ilha Solteira, Furnas e Três Marias. – Isso era para furar o monopólio da light que a muito estrangulava nosso nascente desenvolvimento industrial.

 

O primeiro Natal em Brasília – 1956

 

O Coronel Ernesto Silva “ O SAPS instala o primeiro restaurante da nova capital. O Senhor Francisco Manoel Brandão com simplicidade e entusiasmo realiza o Natal e distribui para 561 candangos as lembranças que conseguiu amealhar. Não era de valor material de monta servia para aproximar as pessoas submetidas as maiores dificuldades. Estavam mau alojada em barracões rústicos e em barracas de lonas, fustigadas pelo vento e violenta chuvas que caiam no planalto naquela época.

 

O Dr. Edson Porto médico atendia num barracão os trabalhadores ligados e presidente do IAPI, o cearense Antonio Jucá, apressa a construção do Hospital HJKO.

 

O Departamento Nacional de Endemias Rurais sob a chefia do Dr.João Leão de Mona, trabalha diurnamente organizado um programação visando a pesquisa e profilaxia nas localidades existentes na área do DF.

 

Em fins de 1956, ninguém podia ser admitido em qualquer empresa sem que estivesse de posse de sua carteira de trabalho, após ter-se vacinado contra a varíola, e tifo e a febre amarela.

 

1957/1960

 

Os Cearenses não eram a maior colônia do distrito federal mas estavam em todos acampamentos nas cidades satélites, nas granjas e sobre tudo e principalmente responsáveis por todos acontecimentos de monta do Distrito Federal (isso no dizer do jornalista José Edmundo de Castro que por aqui andou e até hoje em sua residência em Fortaleza se delicia com as historias vividas em Brasília).

(*) José Colombo de Souza Filho, cearense de Fortaleza, jornalista, escritor, servidor público.

A Casa do Ceará e um pouco da sua História

José Jézer de Oliveira (*)

 

Povo nenhum demonstra maior devoção ao torrão natal que o cearense. Isso nele é apologético. O apego à terra natal é, sem dúvida, o traço mais marcante da personalidade do cearense, muito embora pareça paradoxal por se tratar do povo que mais emigra no Brasil. Há, porém, explicações razoáveis para o temperamento errático ou o caráter de mobilidade dos filhos do Ceará, quando se trata da emigração espontânea. Existe aquela provocada pelo vai-e-vem da natureza, consubstanciado nas secas periódicas. É nessas que o caboclo cearense dá mostra da sua fibra no enfrentamento das agruras e na resistência a intempéries, demonstrando singular bravura e admirável coragem em lidar, até mesmo em outro campo, com a consuetudinária incúria do poder público, aliada histórica da inclemência do sol. Pelejador admirável, não fraqueja diante da desgraça e não lhe ocorre, a não ser nos efêmeros momentos de desânimo, a ideia de fugir, deixando para trás o seu pedaço de chão. Quando o faz, é por motivo de sobrevivência, ao sentir esgotadas as forças necessárias para continuar desafiando o terrível flagelo da seca que cresta o solo e aniquila as criações. Banido pelo sol inclemente, retira-se com o coração sangrando, imaginando o dia em que voltará, sonho de todo retirante. Há, porém, o temor de que sucessivas e devastadoras estiagens, tais quais terríveis catapultas, os arremessem de volta às terras estranhas. Por isso, poucos se aventuram a voltar.

 

Além da seca, há de considerar-se outro elemento que empurra o cearense para outras plagas: o temperamento nômade herdado dos movediços grupos indígenas que, sem pouso fixo, habitaram o território cearense, entre eles os que migravam conforme a estação do ano. Após o inverno, os habitantes da caatinga buscavam o litoral. Com as chuvas, voltavam ao ponto de partida. Havia, ainda, o grupo daqueles que se fixavam à terra que habitavam e a defendiam de invasores alienígenas ou membros de outras tribos e não afeitos às migrações periódicas provocadas pelas vicissitudes das estações. É de supor que tanto a este quanto ao primeiro grupo o cearense deve a sua formação psicológica. De um, o afeiçoamento ao torrão natal; de outro, o espírito andejo de judeu errante. E de outro, quem sabe, o espírito alegre, irreverente, brincalhão, divertido, obstinado e hospitaleiro, atributos, entre outros, que compõem a identidade do homo cearensis. Distante do chão nativo, sua alma se debulha em nostalgia. Parafraseando Euclydes da Cunha, o cearense é, antes de tudo, um ser nostálgico. Vem a propósito a frase lapidar cunhada pelo jornalista conterrâneo Wilson Ibiapina, a qual exprime bem e fielmente essa singularidade do cearense: “Nós saímos do Ceará, mas o Ceará não sai de nós, não”. Aonde quer que vá o cearense, o Ceará o acompanha aferrolhado no mais íntimo do seu ser.

 

Para muitos cearenses, o seu mundo se resume no Ceará.

 

E em abono dessa assertiva, vale transcrever trecho de um episódio narrado pelo escritor maranhense Coelho Netto, em seu livro A Conquista, quando ele e o poeta cearense Paula Ney, ambos sob os codinomes de Anselmo Ribas e Paulo Neiva, vão ao porto do Rio de Janeiro esperar o paquete que trazia retirantes da seca do Ceará. O poeta tentava consolar os conterrâneos:

 

- Vocês aqui estão muito bem: a terra é boa, a gente é boa, ganha-se muito dinheiro. Depois, é o mesmo Brasil. Vocês não são brasileiros? Um velho “acenou” com o dedo negativamente:

 

- Nhôr não.

 

- Como! Então você não é brasileiro, velho?

 

- Cearense té morrê – respondeu.

 

- Então o Ceará não é uma província do Brasil, velho?

 

- Ishi! Ceará é dele só... té morrê.

 

A Casa do Ceará tem sua origem no sentimento telúrico do cearense. A lembrança do Ceará, o cearense “desgarrado” carrega consigo para onde quer que vá. É uma constante em sua vida que nem o tempo consegue dissipar. A verdade é que o Ceará faz morada no coração e na mente do cearense que não tem morada no Ceará. Embora abstrata, a presença do Ceará na vida do cearense da diáspora se manifesta através de gestos concretos: do encontro, do abraço fraterno, da prosa alegre e descontraída; da incomparável jocosidade, do papo irreverente e divertido; da piada e das estórias engraçadas; e tudo o mais que retrate, com humor e emoção, o modo de ser do Ceará moleque e brincalhão.

 

A Casa do Ceará nasceu com o objetivo de suprir essas carências afetivas, aglutinando em torno de si os cearenses saudosos dispersos nos ermos do Planalto de Goiás. Esse é o propósito de seu idealizador, o deputado cearense Chrysantho Moreira da Rocha, e concretizado nos primórdios da nova capital.

 

Quando deputado federal, cumprindo mandato ainda no Palácio Tiradentes, na antiga capital da República, Chrysantho, parlamentares coestaduanos, além de cidadãos cearenses radicados no Rio de Janeiro, costumavam frequentar a Casa do Ceará, fundada e presidida pelo médico Deoclécio Dantas, filho de Missão Velha. Sua sede ocupava salas no 13º andar do prédio nº 12 da Avenida Nilo Peçanha, e, ao que se sabe, foi a primeira instituição do gênero instalada no País. Com a transferência da capital para o Planalto Central, Chrysantho, como mentor intelectual, trouxe na sua bagagem a ideia, já em adiantado estado de gestação, de plantar no infértil solo do cerrado a semente de uma instituição que não só correspondesse nos seus objetivos à sensibilidade telúrica do cearense, mas que servisse de referência àqueles bravos filhos da terra alencarina que, aos milhares, desbravaram o chão do Planalto de Goiás, ajudando no erguimento de uma cidade monumento, orgulho não só dos que participaram de sua construção, mas de todo o povo brasileiro. O objetivo: edificar uma casa em cuja fachada tremulasse ao sol e à brisa seca do cerrado, e à vista de todos, a bandeira do Ceará, anunciadora da presença da pátria de Iracema em território goiano. Teria ela a mesma finalidade da congênere carioca, agregar em torno de si os cabeças-chatas dispersos no novo Distrito Federal.

 

Devidamente esboçada, a ideia foi levada aos colegas da bancada cearense no Congresso Nacional, unânimes em abraçá-la. A alguns provocou entusiasmo tal que se dispuseram a ajudar Chrysantho na sua concretização, podendo-se destacar três deles: Álvaro Lins Cavalcante, Ozires Pontes e Ernesto Gurgel Valente. O trio auxiliou Chrysantho na montagem final do projeto de criação da futura Casa do Ceará, para o que foram convocados cearenses de outras áreas de atuação, como empresários e jornalistas residentes em Brasília. E assim, na noite de 15 de outubro de 1963, uma sexta-feira, nasceu a Casa do Ceará em Brasília, em reunião convocada pelo seu idealizador em seu apartamento, na SQS 105. Assinaram a ata vinte e oito, que se supõe tenham estado presentes na reunião. Desses, dezenove eram parlamentares, o que significa dizer que praticamente a Casa nasceu no seio da bancada cearense no Congresso. Além de Chrysantho, alçado à condição de presidente, também compuseram a 1ª Diretoria o deputado Álvaro Lins, como 1º secretário, e os pioneiros Luiz Tarcísio do Vale, 2º secretário; Carlos Alberto Pontes, 1º tesoureiro; e Edilson Nogueira Mota, 2º tesoureiro.

 

A eles se juntou o deputado Ernesto Gurgel Valente, formando o grupo de trabalho encarregado da montagem final do arcabouço institucional da Casa, traçando, até mesmo, as diretrizes para o seu funcionamento. A preocupação primeira era com a instalação física da instituição, para o que se faria necessário criar um corpo de associados, intitulados Sócios Colaboradores, os quais, voluntariamente, participariam da manutenção da novel instituição, inclusive do aluguel do imóvel onde seria instalada. A futura localização se deu em prédio comercial, situado na SQS 212, lojas 19, 20 e 21, onde a Casa funcionou durante algum tempo até a aquisição dos terrenos onde se instalou em definitivo na SQN 910, ocupando, atualmente, um terreno de 30 mil metros quadrados, dispondo assim de espaço necessário para o atendimento dos seus propósitos nas áreas social, cultural e assistencial.

 

Nascida no seio da representação cearense no Congresso Nacional, a Casa do Ceará transformou-se em ponto de encontro dos políticos cabeças-chatas, sempre presentes em todos os eventos promovidos pela instituição, quer os culturais, quer os sociais, inserindo-se nestes últimos os almoços mensais, ao ar livre, geralmente no último sábado do mês, cujo objetivo era reunir, num gesto de confraternização, os parlamentares e os membros da comunidade cearense da capital da República.

 

Sempre na data comemorativa do aniversário da Casa, a diretoria promovia um almoço ou jantar, reunindo o corpo de associados e os parlamentares, estes como convidados especiais. Afora isso, era comum a presença de deputados e senadores, geralmente acompanhados das respectivas esposas, como Virgílio Távora, Jorge Furtado Leite, José Flávio Costa Lima, Humberto Bezerra, Wilson Roriz, Flávio Marcílio, Martins Rodrigues, Paes de Andrade, Januário Feitosa, Paulo Lustosa, Esmerino Arruda, Cesário Barreto, Aécio de Borba, Lúcio Alcântara, Ubiratan Aguiar e os senadores Wilson Gonçalves, César Cals, Mauro Benevides, José Lins Albuquerque, Cid Sabóia e Waldemar Alcântara. No período em que governaram o estado, os que mais prestigiaram a Casa nos seus eventos foram Virgílio Távora, Adauto Bezerra, Lúcio Alcântara e César Cals. Assinale-se que Eloísa Távora, esposa do então senador Virgílio, e Beatriz Alcântara, mulher do senador Lúcio Alcântara, integraram o corpo de dirigentes da instituição, a primeira como diretora da Ala Feminina, e a segunda, como diretora do Departamento de Cultura. Contam-se ainda como assíduos colaboradores os jornalistas Ari Cunha; Paulo Cabral de Araújo; Mário Garófalo; Wilson Ibiapina; os sócios fundadores, Francisco Nogueira Saraiva e Esaú de Carvalho; José Hélder de Souza; José Colombo de Sousa Filho; Luciano Barreira; Francisco Inácio Almeida e José Adirson de Vasconcelos.

 

Durante seus mandatos à frente da instituição, em três períodos, de 1963 a 1977, Chrysantho adotou salutar política de entrosamento dos políticos cearenses com a instituição, política esta mantida por Álvaro Lins, seu sucessor, que, por sua vez, passou a conferir o título de Sócio Honorário aos representantes cearenses, independentemente do grau de relacionamento de cada um com a instituição. Esse simpático gesto continha um simbolismo particular, que se traduzia na maneira de a Casa do Ceará, e, por meio dela, possibilitar à comunidade cearense da capital da República recepcionar os conterrâneos que aqui desembarcavam pela primeira vez para cumprimento de mandato parlamentar. Sucessora de Álvaro Lins, Maria Calmon Porto – Meire – manteve esse nobre gesto durante o longo período em que esteve no comando da instituição. No último ano de seu mandato, deu por encerrado o capítulo de outorga do título, quando os agraciados, sem qualquer justificativa, deixaram de comparecer à cerimônia de entrega da comenda. Na gestão seguinte à de Meire Porto, instituiu-se o título de Sócio Benemérito, a ser outorgado aos cearenses que, efetiva e reconhecidamente, houvessem prestado relevantes serviços à instituição. Nesse período, oito foram os cearenses contemplados com a outorga do título.

 

Parlamentares também tiveram participação direta nos primeiros eventos de natureza cultural promovidos pela Casa do Ceará. O primeiro deles se deu na noite de 22 de junho de 1967, na sua sede na SQS 212, com o lançamento tríplice dos livros O Jumento, nosso irmão; 100 Cortes Sem Recortes e O Verbo Amar e Suas Complicações, todos de autoria do padre Antônio Vieira, cearense de Várzea Alegre e que à época cumpria mandato de deputado federal. Na ocasião, falando aos parlamentares e a membros da colônia cearense presentes, o padre fez blague ao referir-se à figura gorda e bonachona de Chrysantho, presidente da Casa e seu colega no Parlamento, ali presente, comparando-a a uma concha marítima que, levada ao ouvido, transmite o marulhar das águas do mar. “Assim é Chrysanto, disse ele. Encosta-se o ouvido ao seu peito, ouve-se o palpitar do coração do Ceará.”

 

Evento similar foi promovido pela Casa do Ceará, em 1993, na gestão de Meire Porto, o qual resgatou do esquecimento a que jazia há 54 anos o livro Cabeças-Chatas, do escritor e folclorista cearense Leonardo Mota, concluído em 1939, vindo à lume somente no ano de 1993, anos após a morte do autor, por iniciativa da Casa do Ceará, que o editou com a colaboração do senador Cid Sabóia de Carvalho.

 

Ainda no plano da cultura, outro importante acontecimento se deu na Casa na noite de 15 de setembro de 1999, quando o professor cearense, ex-deputado federal e senador José Lins Albuquerque, lançou o livro de sua lavra poética Judas, O Último Enviado, que traz apresentação assinada pelo senador José Sarney, da Academia Brasileira de Letras e sócio honorário da Casa do Ceará. Além de contar com a presença de parlamentares e representantes da comunidade cearense, o evento foi prestigiado também com a presença do governador do Ceará, Lúcio Alcântara, que veio diretamente de Fortaleza para fazer, na ocasião, a apresentação oral do livro.

 

Quando governador do estado, Lúcio Alcântara foi quem mais prestigiou, com sua presença, os eventos da Casa do Ceará. Na ocasião de festa comemorativa de aniversário da Casa, a que também estiveram presentes os deputados federais Raimundo Gomes de Matos e José Arnon Bezerra e o senador Reginaldo Duarte, foi-lhe prestada homenagem com a entrega pela primeira vez do título de presidente de Honra da instituição, cabendo ao jornalista Paulo Cabral a saudação em nome da comunidade cearense e do corpo de associados. A cerimônia de inauguração das novas instalações do Centro de Cultura da Casa também foi prestigiada com a sua presença. O governador, Cid Gomes, também marcou presença quando da transmissão do cargo de presidente ao jornalista Fernando César Mesquita.

 

Efetivamente, a Casa do Ceará teve momentos históricos, quando podia contar em suas reuniões festivas, incluindo os almoços de confraternização, com a presença maciça do seu quadro de associados que abrigava considerável número, chegando a um total de 677, entre Honorários (190) e Colaboradores (487). O evento que mais destacou a Casa foi, sem dúvida, “Noite Cearense Sob o Luar de Brasília”, realizado anualmente no mês de agosto, tendo chegado à sua 16ª edição, com a apresentação do cantor e compositor cearense Evaldo Gouveia. Realizada ao ar livre, atraía milhares de espectadores, havendo, até mesmo, uma “tribuna de honra” destinada aos parlamentares, autoridades e membros da diretoria.

 

A presença assídua dos parlamentares cearenses na Casa, com honrosas exceções, como a do ex-senador e deputado federal Mauro Benevides, grande benfeitor da instituição; de Valmir Campelo e Ubiratan Aguiar, ex-deputados federais; e, posteriormente, dos ministros do Tribunal de Contas da União, os ex-senadores Lúcio Alcântara e José Lins, começou a minguar a partir do instante em que Câmara e Senado, à custa do erário, franquearam a seus membros passagens aéreas semanais de ida e volta aos estados de origem. A medida repercutiu na vida da Casa do Ceará, que deixou de contar com a participação dos ilustres representantes cearenses em suas diversas promoções, inclusive os almoços de fim de mês que perduraram até o final da gestão dinâmica de Meire Porto.

 

(*) José Jézer de Oliveira (Crato), jornalista e ex-presidente da Casa do Ceará em Brasília.

Os cearenses no oco do mundo: andando por aí com a coragem e a cara

(*) Wilson Ibiapina

São tantos os cearenses que moram fora do estado que, se resolvessem voltar, não caberiam nas cidades.

 

Bem que tudo podia ter começado como na lenda. A índia Iracema, a virgem dos lábios de mel, criada por José de Alencar, morre de parto. O filho dela, Moacir, foi levado para Portugal pelo pai, Soares Moreno. Quer dizer, o primeiro cearense foi embora. A diáspora cearense nunca mais parou.

 

Dizem que as secas periódicas são responsáveis pela migração. Olha que a primeira seca a marcar a nossa história ocorreu em 1606. O destino dos migrantes era o sudeste. Preferiam São Paulo, onde a possibilidade de emprego era maior. O porto do Mucuripe facilitou a saída dos que queriam também a aventura de desvendar os outros países. Hoje temos cearenses espalhados pelos quatro cantos do mundo.

 

O jornalista, Marbo Giannaccini, morou no Japão como correspondente de jornais e revistas do Brasil. Toda vez que fala da coragem e da audácia dos cearenses na luta pela sobrevivência, principalmente lá fora, Marbo costuma contar uma história que ele batiza de Meu Japonês Inesquecível!

 

“Década de setenta no Japão. Uma reportagem me leva de Tóquio à Kobe, com uma excelente recomendação do Osvaldo Peralva, correspondente da Folha de São Paulo, ao Press Club local, que facilitou meu trabalho e, às duas horas da tarde, já havia enviado minha matéria para São Paulo.

 

Os jornalistas japoneses, amigos do Peralva, me levaram ao que disseram ser o melhor sushi do Japão.

 

Não acreditei, pois em Tóquio estão todos grandes chefes japoneses incensados pela mídia e pelos clubes gastronômicos, mas o ver para crer e a fome do dever cumprido me fizeram acompanhá-los.

 

Ao entrarmos no sushiya, que é como os japoneses chamam as casas especializadas em sushi, fiquei meio decepcionado com o ambiente, que parecia um corredor longo com um balcão contínuo.

 

A fome e a curiosidade, porém, falaram mais alto e, depois de duas taças de sake, meus novos amigos pediram o famoso sushi.

 

Servido de modo tradicional, aos pares, tive uma sensação muito estranha quando o primeiro sushi se desfez na boca, aguçando todas as papilas do paladar a apreciar o que concordei em denominar o melhor sushi do Japão.

 

Embora a gastronomia não fosse meu forte, minha experiência, desde a infância em São Paulo no convívio com nisseis e japoneses, me permitia identificar uma boa ou má comida nipônica.

 

Repetimos algumas vezes aquela dupla maravilhosa e, no final, perguntei se podia conhecer o sushiasan, o chefe da casa de sushi. Não demora muito, lá vem o japonesinho jogando o corpo de um lado para outro, com o tradicional lenço amarrado na testa e nos cumprimenta com uma reverência.

 

Depois de apresentado como jornalista brasileiro, perguntei de chofre em japonês:

 

– Como é seu nome?

 

Foi aí que conheci meu japonês inesquecível!

 

– SEVERINO, da Serra do Ibiapaba, mas pode me chamar de Severino da Serra Grande.

 

Estava ali o ex-cozinheiro de navio que um dia aportou em Kobe e uma linda japonesa retemperou seu querer.”

 

Um amigo diplomata conta a história de um casal de catarinenses que foi passar férias nos Estados Unidos. O cara era grande, bonitão, mas a mulher dele, uma loira de olhos verdes, seios fartos que um generoso decote deixava quase à mostra, pernas torneadas, era coisa de fechar farmácia de plantão. Alugaram um carro e partiram em um tour pelo oeste americano, só que não acontecia nada. Numa cidadezinha, depois de rodar alguns quilômetros, pararam para jantar. No restaurante perguntaram ao garçom o que havia ali para fazer. O rapaz disse que a única atração era um grupo que fazia um show numa reserva indígena ali perto. Como a apresentação seria dentro de algumas horas, resolveram conferir. Na reserva, as pessoas, sentadas no chão, aguardavam o show dos índios. Não demorou, eles apareceram pintados, penas na cabeça e começaram a dançar, aquela dança de índio gritando e rodando. Um deles começa a olhar insistentemente para a exuberante senhora catarinense. O marido ficou incomodado com aquele índio dançando e olhando para a mulher dele. O show termina e lá vem o índio na direção do casal. O índio se aproxima. Antes que o marido reagisse, o índio falou: – Vocês são brasileiros? Ouvi vocês falando português. Já completamente desarmado pela inesperada intervenção do brasileiro vestido de índio, o marido quis saber que diabos ele tava fazendo ali.  – Sou cearense. Trabalhava no restaurante até que um dia fui convidado para fazer parte do show. Meu tipo físico parece com o deles e aqui ganho mais do que lavando prato.

 

O cinegrafista, Hélio Couto, conheceu um cabeça-chata que tomava conta de camelos num deserto árabe.

 

O jornalista, Toninho Drummond, me acordou certa noite com um telefonema direto da Suíça para dizer que estava num restaurante sendo atendido por um garçom cearense. Até hoje os cearenses saem pelo mundo para estudar, trabalhar, conhecer outros lugares.

 

Não são só os pobres, analfabetos, que se aventuram.

 

Em 1888, chegava a Roma o maior maestro cearense, o homem que criou a canção de câmara brasileira. Alberto Nepomuceno nasceu em Fortaleza no dia 6 de julho de 1864. Filho de músico, aos 8 anos aprendeu a tocar piano. Ficou órfão aos 16 anos, por isso teve que trabalhar numa tipografia e dando aulas de piano. Nepomuceno envolveu-se com o movimento abolicionista em Fortaleza, amigo que era de João Brígido e João Cordeiro. Por causa disso, o governo imperial negou-lhe ajuda para ir estudar na Europa. Teve que fazer uma turnê pelo Nordeste e conseguir o dinheiro para a viagem. Estudou em Roma e em Berlim, onde casou. Fez concertos com músicas de compositores brasileiros em Genebra, Paris e Bruxelas. Morreu no Rio, em outubro de 1920, aos 56 anos. É considerado um dos mais ousados músicos do País. Defendeu o estudo do folclore como meio de conhecer as nossas raízes e criar nossa própria escola musical. Suas canções eram cantadas em português, o que provocou, à época, severas críticas. Alberto Nepomuceno abriu guerra pela nacionalização da música erudita brasileira. Foi um grande incentivador de Heitor Villa-Lobos, que deu continuidade ao seu trabalho pioneiro.

 

Lembro outros. O pintor Antônio Bandeira saiu do Ceará em 1945 com Inimá de Paula, Raimundo Feitosa e Aldemir Martins para expor no Rio. Terminou seus dias em Paris, onde exibiu seu abstracionismo. Outros vão a Paris apenas para mostrar sua arte, como é o caso do artista plástico e arquiteto Totonho Laprovitera. Ele expôs na capital francesa 25 obras sobre o universo nordestino. Quem vive na Europa fazendo exposições individuais é Bruno Pedrosa. Filho de Lavras das Mangabeiras, mora num castelo no norte da Itália, é um dos maiores pintores abstratos brasileiros. É também um dos mais conhecidos fora do Brasil. Foi registrado, no batismo, como Raimundo Pinheiro Pedrosa. Raimundo em homenagem ao avô que o criou. Bruno é o nome religioso que escolheu, em 1975, ao entrar para a Ordem Beneditina, atraído pela vocação do claustro. É primo do violonista Nonato Luiz, outro que é mais conhecido na França do que no Brasil. Fausto Nilo e Raimundo Fagner também passaram longa temporada em Paris, Fagner gravou disco com Mercedez Soza em Madrid.

 

O jornalista Rangel Cavalcante lembrou-se do jornalista Chico Moura, amigo dele que mora nos Estados Unidos. O cara parece uma máquina, não para.

 

Chico Moura, cearense de Fortaleza, iniciou-se como jornalista na imprensa baiana, mas foi nos Estados Unidos que ele virou dono de jornal. No final de 1984, criou, na Flórida, o primeiro jornal em inglês sobre o Brasil, O Brazil Review. Em 1985, criou o Florida Review, o primeiro jornal em português da Flórida e o segundo em todos os Estados Unidos. Em 1990, Chico Moura criou também o Tele Brasil, o primeiro programa (em português) de TV do Estado. Em 1992, vendeu o Florida Review (hoje revista), voltou ao Brasil e criou o jornal Rio Times, com a ideia de resgatar a imagem do Rio de Janeiro no exterior. Em Washington trabalhou na PAHO como dublador (narração de documentários) e na Virgínia criou uma seção em português nas duas mais importantes revistas de Rádio e TV americanas: Radio World e TV Technology. Criou o Brazilian Sun, outro jornal em Miami. Com a venda do Brazilian Sun, foi para Lisboa, onde criou o Luso Brasileiro, o primeiro jornal dedicado aos brasileiros de Portugal. De volta à Miami dirigiu, produziu e apresentou o programa de TV: Chico Moura na Madrugada, na WLRN. Foi tradutor na BVI – para os programas de TV – CBS 48 Hours e 60 Minutes. Escreveu os livros Passagem de Táxi e Tatuagens. Este último rendeu o primeiro lugar no Brazilian Press Award, na categoria Literatura. Recebeu a medalha de Mérito Legislativo da Câmara de Vereadores da cidade de Fortaleza e a chave da cidade de Miami do prefeito Stephen P. Clark. Chico dirigiu o primeiro escritório do jornal O Globo na Flórida, quando bateu o recorde de venda de publicidade entre todos os jornais estrangeiros do país. O Globo foi também o primeiro jornal brasileiro a ter circulação diária nos Estados Unidos. Logo depois, Chico Moura foi o primeiro representante da Revista Ícaro (revista de bordo da Varig) nos Estados Unidos. Ainda hoje ele carrega sempre na cabeça um projeto pronto para ser executado em qualquer lugar do mundo.

 

Vamos continuar na terra do Tio Sam para falar de Euclides Pinto Martins, mais um que desembarcou por lá. Filho de Camocim, aos quinze anos entrou na Marinha Mercante e conseguiu chegar aos Estados Unidos. Na Filadélfia, fez curso de engenharia mecânica, obteve brevê de piloto, casou-se com uma americana e fez parte do primeiro voo New York-Rio de Janeiro. Virou herói nacional e nome do aeroporto de Fortaleza. Sua história é um livro. Pinto Martins decidiu mudar de profissão. Desembarcou no Rio disposto a explorar petróleo. Suicidou-se no dia 12 de abril de 1924. Monteiro Lobato conta no livro Escândalo do Petróleo e do Ferro que Pinto Martins foi vítima dos lobistas que não queriam ver o país se desenvolver.

 

Francisco Carlos de Araújo Barbosa é outro cearense apaixonado por avião. O jornalista Rangel Cavalcante, que é primo dele, conta que Barbosa, ainda menino, ia quase todo dia olhar os aviões americanos que ficavam na Base Aérea de Fortaleza, durante a Segunda Guerra Mundial. Fez amizade com os militares americanos e um coronel pediu autorização ao seu Carlos Barbosa para levar o Barbosinha, seu filho, para os Estados Unidos. O pai adotivo deu-lhe formação militar. Foi piloto da Força Aérea Americana na guerra da Coreia. Quando deu baixa, trabalhou no escritório da Companhia Siderúrgica Nacional em Nova Iorque. Depois, montou escritório naquela cidade, onde ganhava dinheiro e trabalhava como verdadeiro embaixador do Ceará e do Brasil. Resolvia todo tipo de problema de quem o procurasse. Morreu pilotando seu próprio avião.

 

Entre os muitos cearenses que escolheram os Estados Unidos para viver está Joseph de Souza, hoje morando no Colorado. Ele mesmo conta que “rapaz pobre, a exemplo de milhões de outros cearenses, deixou o Ceará em seca para ir à procura das águas da esperança”. “Tangido pelo forte instinto de sobrevivência, viajei em pau de arara como muitos outros. Embarquei num velho navio do Loide para o Rio, onde entrei na Força Aérea Brasileira.” Enviado aos Estados Unidos para um curso de engenharia aeronáutica, o mundo se abriu a seus pés. Lá, mudou de rumo, ingressou no comércio internacional, casou com uma americana. Ele diz que “no futebol da vida, nem todos podem ser pelés e garrinchas”. “Eu me contento em ficar no meu banco, aplaudindo os jogadores. Vivo agora num calmo pé de serra das Montanhas Rochosas.” Escreve Joseph de Souza: “não dei nome a nenhum aeroporto, mas sinto a satisfação de missão cumprida. Posso, feliz, levar meu avião ao hangar. E agradece a Pinto Martins pela inspiração”.

 

Nem todos, porém, têm a mesma sorte. É o caso da modelo cearense Camila Bezerra, 22 anos, que foi morar e trabalhar na China. Foi encontrada morta na manhã de primeiro de janeiro de 2013. Um mistério que a família, lá do Ceará, tem dificuldades para desvendar. Está lá na internet o site “Cearense pelo mundo”. A intenção é que se identifiquem ali, narrem suas histórias. Ana Cláudia já foi lá e conta que saiu de Fortaleza em 2002 e foi morar no Texas.  No Ceará, era professora de inglês. O calor de lá faz Sobral e o Piauí virarem Sibéria. Mas se diz feliz. Como feliz está a cearense Rita Lopes, que mora em Lisboa com o filho Hamilton. Foi pra lá como chef de cozinha da Embaixada do Brasil em Portugal. Aposentou-se e hoje trabalha fazendo banquetes para os ricos. Não tem se queixado. Como também não se queixa o Isaías, cearense de Amontada. Ele casou-se com a portuguesa Luísa e os dois tocam o restaurante Regaço da Rainha, na cidade de Fátima. Entre seus inúmeros clientes ele cita o ex-embaixador do Brasil em Portugal,  Paes de Andrade, e  Zildinha, sua mulher.  Sempre que vão ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima,  passam  no restaurante do Isaías para saborear os pratos da  culinária portuguesa preparados pela Luísa. O jornalista, Macário Batista, é outro que já encontrei no Regaço da Rainha encarando um borrego assado na brasa (aquele cordeirinho, com menos de um ano) e degustando um tinto do douro. 

 

O sociólogo pernambucano, Gilberto Freire, dizia que não se “imaginam mais migrações de cearenses para a Amazônia como as que se sucederam às secas de 1877, de 1888 e de 1900: migrações tão fortes que se justifica a generalização de ter sido o braço cearense que povoou o Amazonas e cearense o movimento de que resultou o Acre”.

 

O economista, José Márcio dos Santos, diz que, a partir da década de 1980, o Ceará apresenta um saldo migratório negativo. São as mudanças na dinâmica econômica cearense. Os economistas apontam a redução e terceirização do emprego na indústria no Sudeste, os novos focos de crescimento econômico no Nordeste e os programas de transferência de renda do governo federal como os principais fatores que estão prendendo mais o cearense a seu torrão natal. Aquela mão de obra especializada – médicos, engenheiros, economistas –, que São Paulo recebia sem precisar investir um só tostão, agora já pode ficar no estado. Tem também o problema de moradia, de oferta de emprego e violência.

 

Em 1944, Gilberto Freire, numa conferência no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, intitulada “Precisa-se do Ceará, perguntava: “Melhoradas as condições de vida e aumentadas as oportunidades de êxito, no próprio Ceará, continuará o cearense a emigrar e a difundir seus traços por esses outros estados?” Continuará a haver um cearense nômade, “cigano”, “judeu”?

 

Acredito que sim, viajar é da formação, é a sina dessa gente. Santo Agostinho dizia que o destino coincide substancialmente com a vontade de Deus. Para o professor mineiro Fausto de Brito, demógrafo da Universidade de Minas, esse movimento de pessoas faz parte da dinâmica das sociedades.

 

E muitas histórias ainda vão ser contadas como a que Sérgio Porto imortalizou. O cearense em Moscou, desempregado, passando fome, chega a um Circo no momento em que o domador, desesperado, procurava uma solução para o espetáculo. Um dos leões acabara de morrer e o circo estava lotado. Ao ver aquele homem atarracado, cabeça chata, não pensou duas vezes. Contratou o cearense para se passar pelo leão. Colocou uma pele do animal, entrou na jaula e foi levado para o picadeiro. O que ele não sabia é que lá já estava um outro leão. Em pânico, imaginou rapidamente uma saída para intimidar a fera. Levantou as patas dianteiras, soltou um urro tão forte que até ele se espantou. Quando olhou, viu o outro leão, de joelhos, implorando: “Valha-me meu padim padre”.

(*) Wilson Ibiapina (Ibiapina), jornalista

Projeto Fausto Nilo - A nova Casa do Ceará para mais 50 anos

1. CONSIDERAÇÕES DE PLANEJAMENTO

 

NOVA SEDE DA CASA DO CEARÁ: POTENCIAIS BENEFÍCIOS SOCIOECONÔMICOS E AMBIENTAIS OBTIDOS DE UM HÍBRIDO ARQUITETÔNICO COM PROGRAMA DE MÚLTIPLAS ATIVIDADES.

 

Por sua condição contextual urbana, pelo formato especial da gleba de sua situação física e influído pela natureza incomum de seu programa, o conjunto a ser formado pelas futuras estruturas edificadas da Casa do Ceará pode ser caracterizado como um híbrido arquitetônico, abrigando múltiplas atividades.

 

Mesmo tomando por base técnicas e soluções simples, em materiais ou construtividade, a Casa será um padrão amplo e contemporâneo de espaços coordenados para convivência de atividades diversificadas, favorecendo o uso compartilhado pelas vizinhanças imediatas e pelos habitantes do Plano Piloto. Sua vitalidade e seu alto coeficiente de uso ensejarão um resultado balanceado de custos e benefícios cruzados, nos âmbitos econômicos, ambientais e sociais, realizando, dessa forma, a síntese do projeto sustentável.

 

A vitalidade decorrente do uso da futura sede será apoiada na grande intensidade de convergência e na variedade dos interesses de variados tipos de usuários envolvidos. Considerada nos termos da arquitetura metropolitana para os dias atuais, a Casa do Ceará tem chance de se materializar como um Condensador Social com alta potência de resposta às demandas típicas da cena urbana de Brasília.

 

A forma e o programa de atividades da futura edificação, relacionados com as características da gleba, ensejarão a realização concreta da escala caminhável interna do conjunto. O desenho confirma a prioridade de uso pedestre seguro, a alta acessibilidade e as conveniências comuns e específicas ofertadas aos variados tipos de usuário. Isso terminará por contribuir, de alguma forma, para criar extraordinárias oportunidades de incremento do intercâmbio na escala comunitária da capital. Na nova Casa do Ceará se criarão as oportunidades formais e informais para o convívio e o compartilhamento de vida urbana entre pessoas idosas residentes e pessoas da vizinhança, da comunidade de Brasília. Além do mais serão configurados atrativos para crianças, jovens, pessoas interessadas em atividades culturais, visitantes e, naturalmente, a comunidade de cidadãos cearenses residentes no Distrito Federal.

 

Para atender a esses requisitos de serviço e conveniência, o complexo arquitetônico tomará a feição de um prédio com base em um programa de múltiplos propósitos, caraterizado como altamente eficiente nas situações metropolitanas da atualidade, em que as pessoas têm sido forçadas à baixa intensidade de convívio, por força do isolamento. Esse edifício terá um padrão tipológico que pode influir na redução da dependência do transporte motorizado, favorecer a inclusão social e influir de forma definitiva na vida cultural e no fortalecimento de projetos comunitários. No âmbito desse conceito, a nova Casa do Ceará harmonizará oportunidades para diversificadas funções, destacando-se dentre elas:

 

• variadas formas de recreação ativa;

• integração entre os variados representantes do ciclo vital, criando oportunidade para a transferência mútua de seus saberes (crianças, jovens, jovens adultos e idosos em convívio nos graus convenientes);

• educação profissionalizante aliada a oportunidades culturais;

• educação artística e oportunidades de performances e expressão;

• reuniões comunitárias, convenções, banquetes e pequenos congressos;

• atividades cênicas cobrindo os aspectos de formação e apresentação de espetáculos;

• cultura em geral, incluindo museu, biblioteca e áreas propícias a diversificados tipos de exposições;

• lazer em variados tipos de espaço, condicionando as zonas propícias a privacidade e comunidade, conforme a conveniência;

• assistência médica e odontológica;

• abrigo de idosos em conformidade com os padrões universais de excelência e normas vigentes;

• convivência social das maneiras formal e informal;

• postos de alimentação leve (padrão típico de lanches, sucos e outras bebidas) e

• lazer informal.

 

2. CONCEITOS BÁSICOS DE DEFINIÇÃO DO PROJETO E ADAPTAÇÃO DO PROGRAMA DE ATIVIDADES ÀS CARACTERÍSTICAS DA GLEBA DE SITUAÇÃO DO IMÓVEL: COMUNIDADE E PRIVACIDADE COM FAVORECIMENTO AO INTERCÂMBIO E PRIORIDADE PEDESTRE.

 

Atendendo a esses propósitos, o sistema físico está contextualmente planejado de forma a se beneficiar, na medida do possível, da conveniência de uma situação física inserida no contexto das vizinhanças habitacionais de Brasília. Essa condição resulta da proximidade de um ambiente universitário, da vizinhança privilegiada de um futuro parque natural e da conectividade com a cidade, apoiada na boa acessibilidade por veículo motorizado e transporte público. Além disso, o projeto privilegia o alcance pedestre confortável a todos os componentes físicos internos do conjunto situados dentro da gleba.

 

Para atingir o seu nível de êxito funcional, o conjunto vai se apoiar em um sistema de edifícios (blocos A, B e C) devidamente articulados por uma cadeia de espaços públicos capacitados para proporcionar conforto, boa conectividade entre as regiões de especificidades de seus usos diversificados, promovendo a forma legível e atraente ao convívio de seus usuários. Em parte essa configuração também resulta do atendimento aos requisitos e exigências do código de edificações da capital, no que tange a recuos, taxas de ocupação, taxas de projeção, taxas de permeabilidade e outras exigências do tipo, cujos dados finais podem ser conferidos no quadro resumo inserido na prancha inicial do projeto.

 

Os usuários, conforme a histórica tradição acumulada pela Casa, são caracterizados não só por faixas etárias, mas também por níveis de renda e padrões de escolhas culturais diversificados. Ao mesmo tempo o futuro equipamento terá o compromisso de se configurar fisicamente como uma estrutura arquitetônica legível por toda a comunidade, apoiando-se em imagem urbana devidamente reconhecível e memorável.

 

Vale ressaltar também que o projeto foi desenvolvido com base no respeito rigoroso aos limites e obrigações relacionadas com o controle urbano da cidade exercido pela Administração do DF, em atendimento às Normas Técnicas de acessibilidade a idosos e pessoas com deficiências, no atendimento aos padrões sanitários de excelência exigidos pela DIVISA e no cumprimento das exigências do Corpo de Bombeiros do DF.

 

Pela condição particular do lote em seu formato e sua topografia com declividade média moderada (aproximadamente 3%), com dimensões de 300x50m, situada na SGAN 910, lote F do conjunto FG, configura-se a clara oportunidade de desenvolvimento físico linear no sentido predominante da profundidade do lote, preservando duas frentes de acesso, a leste e a oeste, servindo a pedestres e entrada e saída de veículos em pontos específicos. Pelo fato de ser um lote profundo e que deverá abrigar uma massa de construção descontínua (o programa de atividades será distribuído em três blocos separados por intervalos livres de construção), a implantação do projeto dentro do lote se orientou, com respeito aos seus níveis de pisos térreos, com base nas três cotas de soleira fornecidas pela Administração.

 

Além dessas condições, o lote a ser usado como base permite um acesso de público à Praça Principal, pelo lado norte, o que assegura boa solução para convivência de eventos de tipos diversificados, rotas de fuga, separação de padrões diversificados de público e ordenação hierárquica de acessos conforme a demanda. Essa geometria da gleba também impôs medidas projetuais coordenadas para provocar o interesse dos futuros usuários em percorrer os espaço ofertados, resultando numa estrutura microurbana em situação caminhável, com acessibilidade universal (caminhada máxima de 300m), naturalmente estimulada pela distribuição propositada de polaridades intermediárias e extremas, em ambiente amenizado. Para isso foi desenhado um sistema central de uma plataforma de uso pedestre com toda a movimentação de veículos situada nos recuos laterais.

 

Em sua adaptação às características do lote, o projeto termina por oferecer oportunidade para a convivência por meio de tratamento arquitetônico e paisagístico consistente com o caráter sequencial de sucessivas estações, como destinos polarizados dedicados aos diversificados interesses de usuários, como ocorre num trecho de cidade. Essas “estações” são compostas de atrativos variados, cuja acessibilidade será facilitada e confortável. Para tanto, o projeto arquitetônico da nova Casa do Ceará inclui em seus objetos de desenho, além das edificações em si, os espaços contextuais de uso público com suas respectivas amenidades, além das áreas de encontro e de celebrações.

 

A arquitetura desenhada para a Casa do Ceará também visa contemplar uma relação adequada entre os espaços internos e os elementos fundamentais da paisagem local. O uso alternado de estruturas e portais de contato com as estações de atividades diversificadas estará ancorado numa malha de fluxos legíveis, tendo a plataforma axial o papel de uma Promenade central como elemento ordenador da estruturação geral. Essa Promenade é constituída e ao mesmo tempo decorrente do arranjo entre os variados componentes funcionais. Esse é um propósito fundamental do projeto para evitar que o conjunto assuma a forma urbanisticamente indesejável de um “container urbano”, de escala agigantada e total indiferença em relação ao espaço exterior no tecido urbano existente.

 

No projeto da Casa do Ceará, tudo aquilo que apoia essa vitalidade compartilhada entre a edificação e a cidade estará associado à dramatização dos panoramas hierarquizados por escala de importância. Dessa maneira vão se formando portais, saguãos, pátios, passeios, largos, fontes, arvoredos, bosques, zonas de sombra, áreas ensolaradas, varandas e trajetos vivificados pela onipresença de usuários. Os elementos componentes dessa gramática serão ancorados a uma “Praça Principal”, na região central do lote, situada em posição de alta conveniência em relação a cada um dos componentes. À semelhança de uma pequena cidade, essa praça é orientada para um teatro-auditório comunitário, para lojinhas de oportunidades, para um portal de conexão com a rua lateral e para lugares atrativos criados para promoção da convivência de forma segura e natural, entre crianças, jovens, adultos e idosos.

 

O projeto busca também administrar as convivências adequadas entre as atividades de repouso e tranquilidade, a localização dos espaços de caráter festivo bem como suas relações com os lugares culturais. Além disso, objetiva valorizar os procedimentos arquitetônicos especiais quanto aos elementos de bloqueio aos efeitos de ruídos urbanos indesejáveis, bem como a criação de zonas calmas para o conforto dos idosos. Enfim, projeta-se uma estrutura arquitetônica flexível com capacidade de harmonizar os requisitos indispensavelmente combinados de comunidade e privacidade.

 

A relação devidamente balanceada entre artefato e natureza deverá ser realçada na imagem final do ambiente resultante, definindo-se uma representação física própria e espaços bem orientados com relação às vistas públicas, às vegetações circunstantes, aos ventos dominantes e à orientação solar. Entre os aspectos de amenização urbana, devem se destacar as áreas de tratamento paisagístico e de sombreamento previstas ao longo da gleba e de forma a relacionar entre si as vegetações existentes e as novas espécies a serem implantadas. Essas atenderão à busca de uma forma final equilibrada com as novas construções que abrigarão as áreas de convivência: as futuras áreas de varandas; as lojinhas e serviços de lanches; os pórticos de entrada dos vários destinos (serviços de saúde, cursos, instituição de idosos, etc.); os lugares de reuniões e pequenos congressos; as exposições; as áreas de recreação ativa; as áreas de recreação passiva e os lugares adequados para as atividades ao ar livre.

 

Nesse conceito, pode-se antecipar a moderação da velocidade e do volume do tráfego dentro da gleba, em nível térreo, cujas vias laterais e estacionamentos só serão acessíveis a funcionários, dirigentes, pessoal de serviços, manutenções, emergências e visitantes especiais. O restante do público terá confortável acesso e vagas com oferta em número suficiente, no estacionamento subterrâneo, apoiado em conectividades verticais nos pontos estratégicos e focais da estrutura, em seus vários pavimentos.

 

Dessa forma, o controle dos acessos aos espaços dedicados a automóvel restringe-se à garagem do subsolo com acesso e saída pela frente leste, ao estacionamento frontal situado na zona de recuo oeste e a essas zonas de estacionamentos lineares internos, nos recuos laterais. O sistema funcionará assim, sem constrangimento das demandas dos acessos, carga e descarga, embarque e desembarque, viaturas de resgate e emergências. O resultado mais importante decorrente dessa forma de zoneamento do convívio entre pessoas e automóveis é que a estrutura terminará por oferecer os passeios centrais da Promenade como lugares de privilégio pedestre, para proporcionar o encontro.

 

Como já foi afirmado anteriormente, todos esses padrões coordenados foram perseguidos dentro dos objetivos projetuais, para obter as soluções arquitetônicas convenientes com a visão sustentável. Aí estão incluídos aspectos de consumo racional de energia elétrica, à reutilização de água para determinadas atividades e ao favorecimento da movimentação confortável para pedestres, apoiados por espaços públicos convergentes e significantes.

 

Naturalmente o tamanho da estrutura edificatória prevista e sua variedade de atividades produzem demanda de espaços cujo conforto climatológico tem demandas específicas. Dessa forma, os consultórios, os escritórios administrativos, os escritórios setoriais, as lojinhas, a área de convenções e as salas de aula, por conta de seus requisitos funcionais específicos, adotarão sistemas de refrigeração (ver mapa específico).

 

No caso específico do Teatro-auditório Comunitário foram adotados meios que possibilitam alternar reuniões com clima refrigerado e outras com conforto natural sem dependência energética. Na maioria dos casos, haverá o reforço de iluminação natural, visando também ao baixo consumo energético.

 

Na medida do possível, o projeto adotou medidas antecipadas de redução da carga térmica proveniente do aquecimento solar em todas essas dependências refrigeradas, o que também produzirá resultados vantajosos em termos de consumo energético. Nessa versão final do projeto, todos os sanitários foram redesenhados e em suas formas atuais serão dotados de ventilação e iluminação naturais sem dependência de reforços de exaustão mecânica.

 

A edificação do conjunto dos componentes arquitetônicos da Casa do Ceará resultará em uma área construída de 7.730,38m² (sem incluir o subsolo de garagem) e 11.840,25m² (com a inclusão do subsolo de garagem), distribuídos entre espaços destinados às seguintes atividades principais: recepção; abrigos; varandas; lojinhas; livraria; biblioteca; memorial; teatro-auditório comunitário; reuniões, banquetes e pequenos congressos; exposições; administração; clínicas e laboratórios; serviços de apoio; serviço odontológico; instituição de permanência para idosos; ateliers; lanches e bebidas; áreas polifuncionais; salas de aula; salas de informática; uso de equipamentos; academia de ginástica; sanitários; vestiários e serviços de apoio.

 

(...)

Fausto Nilo Costa Júnior

Arq. CREA 1.958, Reg. Nacional 060740252-0, Dir. da Fausto Nilo Arq.

NE – Incluímos só os dois primeiros itens do Relatório.

PARLAMENTARES CEARENSES 1963-2013

Deputados Cearenses da 41ª. Legislatura 1959-1963

- ADAHIL CAVALCANTI - UDN/CE

- ADOLFO GENTIL - PSD/CE

- ALENCAR ARARIPE - UDN/CE

- ÁLVARO LINS - PSP/CE

- ARMANDO FALCÃO - /CE

- BONAPARTE MAIA - PTB/CE

- CARLOS JEREISSATTI - PTB/CE

- COELHO MASCARENHAS - PSD/CE

- COLOMBO DE SOUZA - PSD/CE

- COSTA LIMA - UDN/CE

- DAGER SERRA - PSD/CE

- DIAS MACEDO - PSD/CE

- EDILSON MELO TÁVORA - UDN/CE

- ERNESTO SABÓIA - UDN/CE

- ESMERINO ARRUDA - ARENA/CE

- EUCLIDES WICAR - PSD/CE

- EXPEDITO MACHADO - PSD/CE

- FRANCISCO MONTE - PTB/CE

- FURTADO LEITE - /CE

- JONAS CARLOS - PTB/CE

- LEÃO SAMPAIO - ARENA/CE

- MARTINS RODRIGUES - PSD/CE

- MOREIRA DA ROCHA (Filho) - PTB/CE

- OZIRES PONTES - PTB/CE

- PAULO SARASATE - UDN/CE

- SANTOS LIMA – PSD/CE

 

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M. Dias Branco: há 60 anos oferecendo sabor e qualidade na mesa das famílias brasileiras

A M.Dias Branco comemora 60 anos em 2013 com uma trajetória de sucesso calcada na qualidade dos produtos oferecidos ao mercado e no vínculo de confiança e respeito com consumidores e parceiros. Líder de mercado em biscoitos e massas no Brasil, a companhia vem ampliando seu portfólio na produção e comercialização de farinha e farelo de trigo, margarinas e gorduras vegetais, snacks e bolos. Suas operações geram mais de 16 mil empregos diretos em diferentes regiões, refletindo o compromisso com fatores importantes para o desenvolvimento econômico e social do País e do estado do Ceará.

 

A história da empresa começou ainda na década de 20, quando o comerciante português Manuel Dias Branco chegou ao Brasil e inaugurou uma loja de secos e molhados em Cedro (CE). Em 1936 ele se mudou para Fortaleza e fundou uma padaria. Mas foi em 1953, quando Ivens Dias Branco, aos 19 anos, começou a trabalhar com seu pai, que o estabelecimento guinou para se transformar num dos maiores complexos industriais do País. No ranking global, a M.Dias Branco também ocupa posição relevante: a quarta em massas e a sexta em biscoitos, segundo dados da Euromonitor. Atualmente, a companhia possui um moderno parque industrial com equipamentos de última geração, seguindo os mais rigorosos padrões de qualidade, operando com um modelo de integração vertical que permite a produção de suas  matérias-primas essenciais.

 

As marcas da M. Dias Branco estão presentes nas mesas das famílias brasileiras, de Norte a Sul. Para garantir o frescor e a qualidade inigualável de seus produtos, a M.Dias Branco conta com 14 unidades industriais e 31 unidades comerciais distribuídas por todo o território brasileiro. Um dos grandes diferenciais da companhia é o know how para entender as demandas específicas de cada região e lançar produtos adequados, respeitando culturas, tradições e o gosto do consumidor. Não é à toa que, segundo dados da AC NIELSEN para os meses de maio e junho de 2013, a companhia mantém sua posição de liderança no mercado nacional de biscoitos e massas.

 

A Marca Fortaleza foi a primeira das mais de 17 que fazem parte do portfólio e completa, também este ano, 60 anos de sucesso. Com o mote “Viva o gostinho de cada momento”, a marca se posiciona sempre pensando em levar o que há de melhor às famílias. Os mais de 15 tipos de massas, a nova linha Fortaleza Express, que oferece muito mais praticidade para quem tem rotina agitada, e os biscoitos doces, recheados e os salgados, como o reconhecido Cream Cracker Fortaleza, são encontrados nos estados do Norte e Nordeste.

 

Outra marca de destaque que atua na mesma região é a Richester.  Dividida em quatro submarcas de biscoitos – Superiore, Amori, Escureto e Animados Zoo -, foi criada para levar muito mais sabor e diversão para o dia a dia do público jovem. Em 2013, a Richester apresentou novos sabores da linha Gold Class: Azeite e Ervas, Integral, Queijo e Clássico. Os biscoitos salgados ganharam adição de cálcio e vitaminas E, D e A e nova embalagem. Superpráticos, são ótimas opções para carregar na bolsa e na mochila para quando a fome bater. A Richester também lançou bolos prontos com fibras para a linha Animados Zoo. Disponíveis em pacotes de 40g, os bolinhos são produzidos nos sabores Baunilha com Chocolate, Brigadeiro com Chocolate, Chocolate com Chocolate e Baunilha com Morango.

 

A Farinha de Trigo Finna, também comercializada no Norte e Nordeste, apostou em 2013 na renovação de seus produtos, a farinha de trigo tipo 1 e a farinha de trigo com fermento, agora ainda melhores com a adição das vitaminas A, B1, B2, PP e B6 e do mineral Zinco. A escolha dos nutrientes foi fruto de uma pesquisa detalhada sobre as necessidades nutricionais da população em geral para oferecer múltiplos benefícios para a saúde.

 

Na região Sudeste, a M.Dias Branco atua fortemente com as marcas Adria, Basilar e Zabet. A Adria é uma das principais marcas de massas e biscoitos do país e está entre as “50 marcas mais valiosas do Brasil”, de acordo com o ranking promovido pela revista IstoÉ Dinheiro em parceria com a consultoria de negócios BrandAnalytics/Millward Brown. Presente no mercado brasileiro desde 1951, a Adria foi adquirida pela companhia em 2003. Conhecida por seu pioneirismo, a marca lançou em 2001 o primeiro biscoito de massa crocante sem tampa que oferece muito mais recheio. Tortinhas Adria conquistou os consumidores pelo sabor e formato irreverentes e vem na porção certa para comer a qualquer hora e em qualquer lugar.

 

Em 2012, a Adria inovou mais uma vez com o lançamento de Liggero!. O produto fica pronto em apenas quatro minutos no micro-ondas. Basta acrescentar água, misturar o conteúdo do envelope (molho desidratado) e levar ao aparelho dentro do prato que já vem com o produto. O resultado é uma deliciosa refeição de preparo rápido feita com o tradicional macarrão de sêmola Adria parafuso. Prático e fácil de fazer, o produto é ideal para quem quer uma refeição rápida com sabor delicioso. Liggero! pode ser encontrado em três sabores: tomate com toque de manjericão, molho branco com toque de queijo e molho branco com brócolis.

 

Basilar e Zabet são marcas fortes no interior de São Paulo de massas e biscoitos respectivamente. Enquanto Basilar é líder absoluta na categoria de massas no interior de São Paulo e fabrica mais de 30 tipos de massas de sêmola, semolada e lámen, Zabet é reconhecida por seus biscoitos doces e salgados, inclusive a linha de recheados Nikito, destinada ao público infantil.

 

Na Região Sul, a M.Dias Branco atua com a marca Isabela, cuja fábrica está situada em Bento Gonçalves (RS). É líder em vendas na categoria de biscoitos nos três estados - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - e Top of Mind de massas e biscoitos há 23 anos consecutivos segundo a Revista Amanhã. A marca tem um portfólio variado e lançou recentemente massa de lasanha pré-cozida, em embalagem de 200g, que fica pronta em apenas 5 minutos no micro-ondas e 10 minutos no forno convencional. O prato é um aliado de homens e mulheres que querem dispor de mais tempo para outras atividades e ao mesmo tempo reunir amigos e familiares em almoços e jantares. Destaque também para os inéditos sabores de Tortinhas, pão de mel e trufa, e de Wafer, chocolate suíço e chocolate com morango. Isabela é reconhecida pela qualidade e sabor dos seus produtos, referendados pela tradição e confiança.

 

A partir de 2008, a M.Dias Branco iniciou novas aquisições. Nesse mesmo ano, assumiu o controle da Indústria de Alimentos Bomgosto Ltda, de Pernambuco, que fabrica massas e biscoitos com as marcas Vitarella e Treloso. Uma das maiores transações entre empresas nordestinas de que se tem notícia. Em 2011, a companhia adquiriu a totalidade do capital social da NPAP Alimentos, empresa que industrializava a comercializava os biscoitos e massas Pilar. E em 2012, a M.Dias Branco firmou contrato para adquirir a totalidade das ações da Pelágio Participações, que detém a Pelágio Oliveira e J. Brandão Comércio e Indústria e comercializa biscoitos, massas, bolos e snacks. Ainda em 2012, a companhia adquiriu a totalidade das cotas representativas do capital social do Moinho Santa Lúcia LTDA, que atua na atividade de moagem de trigo e fabricação de seus derivados, além da industrialização e comercialização de biscoitos e massas alimentícias em geral. Suas principais marcas são Predilleto e Bonsabor, ambas utilizadas para comercialização de biscoitos, massas e farinhas. Essas operações estão inseridas na estratégia da companhia de participar ativamente do processo de consolidação do setor, ampliando sua liderança nacional nos segmentos de massas e biscoitos, além de contribuir para o aumento de sua capacidade competitiva e presença na região Nordeste.

 

Homem visionário, Ivens Dias Branco conseguiu fazer com que a companhia e suas marcas se tornassem referências no mercado de alimentação nacional. Sua biografia de sucesso foi retratada pelo escritor Sergio Vilas-Boas no livro lançado em 2013 intitulado Ivens Dias Branco: Simples, Criativo e Prático. O executivo ganhou muitos prêmios e foi reconhecido por sua brilhante atuação como empresário. Foi condecorado na premiação O Equilibrista, em 2012, realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef-CE), recebeu o título de Cidadão Fortalezense, em 2013, homenagem concedida pela Câmara Municipal de Fortaleza a brasileiros e a estrangeiros não naturalizados que prestam relevantes serviços à capital, entre muitos outros.

 

A M.Dias Branco foi homenageada com o Prêmio Top of Quality Brazil 2010, promovido pela Organização Nacional de Eventos e Pesquisas (Onep). A empresa foi eleita no segmento de biscoitos e massas alimentícias em pesquisa realizada com os principais executivos do País, formadores de opinião, imprensa, órgãos governamentais, entidades, instituições e sindicatos de classe de todo território nacional. Os diferenciais que a elegeram foram identificados na avaliação qualitativa da opinião pública consultada que comprovou a excelência no equilíbrio de ações que garantem um alto padrão de atendimento a toda a cadeia de varejo envolvida e na plena satisfação do consumidor final de seus produtos. O rígido controle nas linhas de produção conquistou credibilidade em um mercado altamente competitivo. A companhia também foi reconhecida como uma das empresas que contribuem para o desenvolvimento social e econômico do Brasil com investimentos em projetos e ações de cidadania, ações para preservação do meio ambiente, geração de empregos e serve como exemplo de princípios básicos na gestão empresarial, adotando uma política de recursos humanos que valoriza os talentos humanos.

 

Em 2011, a M. Dias Branco ficou em primeiro lugar nas categorias Massa Tradicional, Biscoito Recheado, Biscoito Salgado e Biscoito Seco e Doce do ranking do Guia Oficial SuperHiper Meu Fornecedor. Os dados do estudo realizado em 2010 pela Kantar WorldPanel mostraram que a empresa chegou à casa do consumidor, desenvolveu essas categorias e consolidou presença nos lares brasileiros.

 

Na categoria Massa Tradicional, as marcas da M.Dias Branco lideraram o ranking, estando presentes em 61,1% dos domicílios brasileiros. No segmento de biscoitos, as marcas da empresa também ocuparam as primeiras posições na classificação. Na categoria Biscoito Recheado, a M. Dias Branco apresentou 57,3% de penetração nos lares. Na categoria Biscoito Salgado, as marcas foram consumidas em 58,3% das casas. E, na categoria Biscoito Seco e Doce, os produtos foram consumidos em 49,2% dos lares brasileiros.

 

Outra premiação importante conquistada pela empresa foi da revista Globo Rural, da Editora Globo. Há três anos consecutivos a marca é vencedora na categoria Indústria de Massas e Farinhas do prêmio Melhores do Agronegócio. Um grande reconhecimento aos investimentos que a companhia tem feito no desenvolvimento da agricultura e da indústria de alimentos no Brasil. A premiação anual conferida pela editora é, sem dúvida, um grande estímulo para a valorização das empresas que atuam em um segmento vital e estratégico para o País: a produção de alimentos.

 

A Marca Fortaleza é uma das mais reconhecidas. Ganhou duas vezes o prêmio Folha Top of Mind na categoria de biscoitos como a marca mais lembrada do Brasil. A conquista é resultado do reconhecimento dos consumidores que procuram a marca por sempre oferecer opções para viver a vida com mais sabor. A categoria “biscoito” começou a ser pesquisada pelo prêmio no ano de 2005 e a marca foi citada em todas as edições.

 

Além desta premiação, em 2010, a marca foi a vencedora do prêmio Marcas que eu Gosto, organizado pelo Diário de Pernambuco em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas (Ipespe), e o biscoito Fortaleza Cream Cracker conquistou o prêmio Top of Heart, realizado pela Potencial Pesquisa com frequentadores de supermercados da Bahia, pelo quarto ano consecutivo. O biscoito Cracker carrega toda a tradição da M. Dias Branco. Lançado em 1972, é o campeão de vendas da marca Fortaleza.

 

A M.Dias Branco prima pela comunicação com os consumidores e busca estreitar esse relacionamento para ampliar sua participação de mercado. Para comemorar seus 60 anos, a companhia convidou Antônio Fagundes para estrelar a campanha de aniversário. O ator emprestou todo o seu carisma e sua credibilidade para contar a história da maior empresa de massas e biscoitos do Brasil. As marcas da companhia investem constantemente em ações de marketing nos eventos locais mais conhecidos do Brasil com degustação de produtos, interação com o público, patrocínios, entre outras ações. De janeiro a junho de 2013, as marcas participaram da 24º Queremos Deus (Farinha Finna); 8º Pedal das Mulheres (Farinha Finna); Musical infantil Andira (Richester); Ação de Dia dos Namorados nas universidades UNIFOR, FANOR, FA7, FIC, Faculdade Christus, Mauricio de Nassau, FARN, UNP, FATERN, UNIFACEX, UNIFACS, UCSAL e UNIJORGE (Richester); Missa de Nossa Senhora de Fátima (Farinha Finna); as famosas festas juninas de Campina Grande, Caruaru, Mossoró, Cruz das Almas e Maracanau; 58ª edição do Undoukai (Basilar); 31ª Festa do Quitute (Basilar); Semana Científica e Cultural de Alimentos do Unifeb (Basilar); Jogos ExpoBento (Isabela); Wine Run 2013 (Isabela); Festa Junina em Louvor a Santo Antônio (Zabet);  ações da Ong TETO (Adria); 27ª Festa do Peão Boiadeiro de Americana (Adria);  95ª Festa de São Vito (Adria), entre outras.

 

A companhia também investe na comunicação digital, principalmente por conta dos jovens, que interagem muito mais nesse canal. As redes sociais das marcas Fortaleza, Richester e Farinha Finna são consideradas cases de sucesso. Com linguagem divertida e direcionada ao público-alvo da marca, o perfil no Facebook da Richester tem mais de 127 mil seguidores. A marca Fortaleza possui mais de 49 mil seguidores na mesma rede e, além de ensinar como preparar receitas usando os produtos, cria aplicativos para incentivar a interação e sugere dicas de variedades, como culturais e de moda. A Farinha Finna também tem o seu perfil no Facebook. A marca conta com mais de 33 mil seguidores e compartilha receitas e fotos superdivertidas, além de websérie com a conhecida blogueira e quituteira Katia Najara. Com o lançamento de Liggero!, a Adria igualmente entrou no mundo das redes sociais e criou um canal para divulgar o produto e se aproximar ainda mais de seu público. Seu perfil no Facebook possui mais de 22 mil seguidores.

 

A M. Dias Branco também faz estudos dirigidos para extensão de produtos, posicionamentos, naming e avaliação de SKUs das marcas com o objetivo de estabelecer conexões efetivas com os consumidores.

 

Com todas essas ações e investimentos, a M.Dias Branco mantém o ritmo de crescimento e se solidifica cada  vez mais como uma das principais empresas de alimentação do País. A última divulgação de resultados da companhia comprova: em volume de vendas o market share de biscoitos da M.Dias Branco fechou em 27,0% e o de massas em 27,3%. No 2T13 totalizou 427,3 mil toneladas produzidas, um crescimento de 11,4% em relação ao 2T12, com destaques para os segmentos de massas (+14,7%), farinha e farelo de trigo (+13,0%) e biscoitos (+8,3%).

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